sexta-feira, 15 de maio de 2015

Senado vai discutir crise nas cirurgias de doenças cardiovasculares

POLÍTICA
 
Diante do iminente risco de colapso no atendimento cirúrgico a pacientes de doenças cardiovasculares, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, presidida pelo senador Paulo Paim, realiza audiência pública na próxima terça-feira (19), às 9 horas. A informação é do senador Garibaldi Filho, que já tinha reservado um horário na sessão do Plenário para tratar do assunto.
 
“A audiência vai contar com a presença de Marcelo Matos Cascudo, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), e de representantes do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, Ministério Público e Controladoria Geral da União”, informou Garibaldi Filho, durante aparte que fez a pronunciamento da senadora Rose de Freitas.
 
 Garibaldi Filho informa, em plenário, sobre a audiência
Garibaldi Filho havia tratado do assunto com o seu suplente, o médico Paulo Davim, e com Marcelo Cascudo. Nestas conversas, foi informado de que no dia 2 de abril, em audiência com o ministro Arhut Chioro, ficou acertado que o Ministério da Saúde agendaria uma reunião com a participação dos secretários estaduais de Saúde e de representantes da SBCCV. Na pauta, a busca de alternativas que permitam a um maior número de crianças cardiopatas o acesso ao tratamento e ao procedimento cirúrgico cardiovascular.
 
Os médicos expuseram ao ministro a preocupação da categoria por ter havido uma diminuição de 10 mil cirurgias cardiovasculares no Brasil nos últimos quatro anos. Em 2010, foram realizadas 102.300 cirurgias cardiovasculares. Esse número caiu para 92.106 no ano passado. Em crise, o setor também não estaria incorporando as novas tecnologias ao tratamento das crianças cardiopatas. O motivo seria o fechamento de hospitais e o fim de serviços de alta complexidade.
 
O senador Garibaldi Filho também teve acesso a entrevista que o cirurgião-cardíaco Fernando Lucchese – diretor do Hospital São Francisco, da Santa Casa de Porto Alegre – deu ao Portal Setor Saúde, na qual justificou que a defasagem nas tabelas de remuneração dos procedimentos pelo SUS causaram o fechamento de unidades e a diminuição das cirurgias cardíacas pediátricas.
 
Na reportagem, Lucchese declarou que a cada real gasto pelos hospitais em cirurgias cardiovasculares, a instituição é remunerada em apenas 72 centavos. Sem dinheiro para pagar os fornecedores, os hospitais atrasaram pagamentos e provocaram o fechamento das indústrias que fabricavam produtos utilizados nas cirurgias cardiovasculares.
 
Outro problema registrado pelos médicos é a falta de medicamentos como a Dobutamina e a Protamina, que tem provocado o cancelamento de cirurgias cardiovasculares em algumas regiões do país. Vários veículos de comunicação denunciaram o problema, como o Portal IG, que publicou que a Santa Casa de Marília, em São Paulo, estava impedida de realizar cirurgias cardíacas pela falta de Sulfato de Protamina e o G1, que falou sobre pacientes do Hospital Ana Nery, em Salvador, que esperavam há dias por cirurgias cardíacas que não estavam sendo agendadas por falta de material cirúrgico.

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