POLÍTICA
Diante do iminente risco de colapso no atendimento cirúrgico a
pacientes de doenças cardiovasculares, a Comissão de Direitos Humanos e
Legislação Participativa, presidida pelo senador Paulo Paim, realiza
audiência pública na próxima terça-feira (19), às 9 horas. A informação é
do senador Garibaldi Filho, que já tinha reservado um horário na sessão
do Plenário para tratar do assunto.
“A audiência
vai contar com a presença de Marcelo Matos Cascudo, presidente da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), e de
representantes do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde,
Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, Ministério Público e
Controladoria Geral da União”, informou Garibaldi Filho, durante aparte
que fez a pronunciamento da senadora Rose de Freitas.
Garibaldi
Filho havia tratado do assunto com o seu suplente, o médico Paulo
Davim, e com Marcelo Cascudo. Nestas conversas, foi informado de que no
dia 2 de abril, em audiência com o ministro Arhut Chioro, ficou acertado
que o Ministério da Saúde agendaria uma reunião com a participação dos
secretários estaduais de Saúde e de representantes da SBCCV. Na pauta, a
busca de alternativas que permitam a um maior número de crianças
cardiopatas o acesso ao tratamento e ao procedimento cirúrgico
cardiovascular.
Os médicos expuseram ao ministro a
preocupação da categoria por ter havido uma diminuição de 10 mil
cirurgias cardiovasculares no Brasil nos últimos quatro anos. Em 2010,
foram realizadas 102.300 cirurgias cardiovasculares. Esse número caiu
para 92.106 no ano passado. Em crise, o setor também não estaria
incorporando as novas tecnologias ao tratamento das crianças
cardiopatas. O motivo seria o fechamento de hospitais e o fim de
serviços de alta complexidade.
O senador Garibaldi
Filho também teve acesso a entrevista que o cirurgião-cardíaco Fernando
Lucchese – diretor do Hospital São Francisco, da Santa Casa de Porto
Alegre – deu ao Portal Setor Saúde, na qual justificou que a defasagem
nas tabelas de remuneração dos procedimentos pelo SUS causaram o
fechamento de unidades e a diminuição das cirurgias cardíacas
pediátricas.
Na reportagem, Lucchese declarou que a
cada real gasto pelos hospitais em cirurgias cardiovasculares, a
instituição é remunerada em apenas 72 centavos. Sem dinheiro para pagar
os fornecedores, os hospitais atrasaram pagamentos e provocaram o
fechamento das indústrias que fabricavam produtos utilizados nas
cirurgias cardiovasculares.
Outro problema
registrado pelos médicos é a falta de medicamentos como a Dobutamina e a
Protamina, que tem provocado o cancelamento de cirurgias
cardiovasculares em algumas regiões do país. Vários veículos de
comunicação denunciaram o problema, como o Portal IG, que publicou que a
Santa Casa de Marília, em São Paulo, estava impedida de realizar
cirurgias cardíacas pela falta de Sulfato de Protamina e o G1, que falou
sobre pacientes do Hospital Ana Nery, em Salvador, que esperavam há
dias por cirurgias cardíacas que não estavam sendo agendadas por falta
de material cirúrgico.
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