O destino político do deputado José Adécio (DEM) está nas mãos
do seu, ainda, partido, o Democratas. Assediado por líderes de outras
legendas, o deputado quer continuar “conversando” com o presidente do
DEM, senador José Agripino, antes de tomar qualquer decisão, uma vez que
continua insatisfeito com sua situação dentro da sigla, onde perdeu 85%
do seu reduto eleitoral para correligionários que disputam com ele
espaço dentro da legenda.
É a Agripino que ele
pretende dizer, em primeira mão, se vai sair mesmo do DEM e integrar uma
das três agremiações partidárias para as quais foi convidado: o PSDC
(Partido Social Democrata Cristão), o PSD (Partido da Social Democracia)
ou um novo partido a ser criado e liderado pelo deputado Ezequiel
Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa. ecentemente, José Adécio
foi convidado para dirigir a executiva estadual do PSDC. Ele mantém uma
boa relação com o presidente nacional desta legenda, José Maria Eymael.
José Adécio e foi autor da proposição que concedeu o título de cidadão
norte-rio-grandense em novembro passado a Eymael.
O
PSDC tem como principais expoentes em Natal os vereadores Eleika
Bezerra e Joanilson Rego. “O convite muito me honrou e me dignificou
presidir este partido em nível estadual, mas não dei certo nenhuma
positiva porque ainda pertenço ao DEM e se eu sair eu perco o mandato”,
disse o deputado. Se esse for o único empecilho para deixar o
Democratas, Adécio estará livre para tanto no mês de março, quando passa
a valer a chamada “janela eleitoral”, aprovada e sancionada com a
minirreforma eleitoral do ano passado que permite a qualquer detentor de
cargo eletivo mudar de partido, sem justa causa e sem perda de mandato,
durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação
exigido em lei para concorrer à eleição.
Mas o
PSDC não seria a única alternativa de José Adécio. “Antes de ser
convidado para o PSDC o governador (Robinson Faria) me convidou
pessoalmente para o partido dele, o PSD. Eu disse a ele que no momento
não poderia sair do DEM, mas nunca se sabe o que pode acontecer amanhã’,
enfatiza. O democrata relembra que está há 40 anos no partido de José
Agripino, compondo, inclusive, os partidos que antecederam a atual
legenda, a Arena, o PDS e o PFL. “São quatro décadas de lealdade e
coerência e, se tiver que deixar e a lei permitir, a quem primeiro
comunicarei será ao presidente do partido, senador José Agripino, de
quem sou amigo antes dele ser prefeito em Natal e eu em Pedro Avelino em
1966”, recorda-se.
Outra opção é acompanhar o
projeto do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel
Ferreira (PMDB), que alimenta planos de presidir o novo PL a ser
constituído no estado. Ele já foi indicado pelo Ministro Gilberto
Kassab, que é líder do PSD nacional e diz que o PL será o “partido
irmão” da legenda que dirige. “Também é pública e notória minha amizade
com Ezequiel e que temos conversado sobre política e futuros projetos e
ele decidiu que vai sair do PMDB e presidir outro partido com amigos
deputados”, revela José Adécio.
Sua situação no
DEM continua desconfortável. O deputado alega que tem perdido espaço
dentro da legenda que ajudou a construir ao longo de 40 anos no estado e
que se sente desprestigiado pelos correligionários. Em respeito a sua
história no partido e à amizade com o senador José Agripino, ele diz que
pretende conversar com o senador e não anunciar nenhuma decisão sem
antes comunicá-lo. “Se eu fosse dizer que estava satisfeito no DEM não
seria o José Adecio que todos conhecem. Desde 2010 me sinto
desprestigiado no partido que ajudei a criar. Não tomarei nenhuma
atitude antes de conversar com Agripino. Ele sabe que não estou
confortável. Agora depende do próprio DEM porque meu desgaste com o
partido é grande e pelas conversas que já tive com o senador, muitas
coisas ocorreram sem seu conhecimento”, disse.
O
reduto eleitoral de Adécio está nas regiões do Mato Grande e Central. Lá
ele diz que constituiu 18 diretórios do Democratas, mas atualmente
perdeu o espaço que sempre manteve, estando hoje apenas com os
diretórios dos municípios de Rio do Fogo e Pedro Avelino. Além disso,
pela primeira vez, José Adécio está fora da diretoria da executiva
estadual da legenda, cuja eleição ocorreu no ano passado, reconduzindo
José Agripino à presidência.
José Adécio já chegou
a prever o fim do partido que ainda integra, devido ao encolhimento do
mesmo e perda de nomes fortes, como a ex-governadora Rosalba Ciarlini
(que mudou para o Partido Progressista-PP) e o ex-deputado Ney Lopes
(que ingressou no PSD), além de uma série de posicionamentos que vem
tomando nos últimos anos como a mudança da nomenclatura, que em 2007
deixou de ser PFL (Partido da Frente Liberal) para se tornar
Democratas.
O senador evita repercutir a
insatisfação de Adécio no DEM e miniminiza a situação dizendo que o
colega é um dos delegados para representar o partido na convenção
nacional e destacando que sua opinião e posicionamentos têm grande peso
nas decisões da legenda.
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