quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Adécio põe seu futuro político nas mãos do DEM

POLÍTICA
 
O destino político do deputado José Adécio (DEM) está nas mãos do seu, ainda, partido, o Democratas. Assediado por líderes de outras legendas, o deputado quer continuar “conversando” com o presidente do DEM, senador José Agripino, antes de tomar qualquer decisão, uma vez que continua insatisfeito com sua situação dentro da sigla, onde perdeu 85% do seu reduto eleitoral para correligionários que disputam com ele espaço dentro da legenda.
 
É a Agripino que ele pretende dizer, em primeira mão, se vai sair mesmo do DEM e integrar uma das três agremiações partidárias para as quais foi convidado: o PSDC (Partido Social Democrata Cristão), o PSD (Partido da Social Democracia) ou um novo partido a ser criado e liderado pelo deputado Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa. ecentemente, José Adécio foi convidado para dirigir a executiva estadual do PSDC. Ele mantém uma boa relação com o presidente nacional desta legenda, José Maria Eymael. José Adécio e foi autor da proposição que concedeu o título de cidadão norte-rio-grandense em novembro passado a Eymael.
 
O PSDC tem como principais expoentes em Natal os vereadores Eleika Bezerra e Joanilson Rego. “O convite muito me honrou e me dignificou presidir este partido em nível estadual, mas não dei certo nenhuma positiva porque ainda pertenço ao DEM e se eu sair eu perco o mandato”, disse o deputado. Se esse for o único empecilho para deixar o Democratas, Adécio estará livre para tanto no mês de março, quando passa a valer a chamada “janela eleitoral”, aprovada e sancionada com a minirreforma eleitoral do ano passado que permite a qualquer detentor de cargo eletivo mudar de partido, sem justa causa e sem perda de mandato, durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição.
 
Mas o PSDC não seria a única alternativa de José Adécio. “Antes de ser convidado para o PSDC o governador (Robinson Faria) me convidou pessoalmente para o partido dele, o PSD. Eu disse a ele que no momento não poderia sair do DEM, mas nunca se sabe o que pode acontecer amanhã’, enfatiza. O democrata relembra que está há 40 anos no partido de José Agripino, compondo, inclusive, os partidos que antecederam a atual legenda, a Arena,  o PDS e o PFL. “São quatro décadas de lealdade e coerência e, se tiver que deixar e a lei  permitir, a quem primeiro comunicarei será ao presidente do partido, senador José Agripino, de quem sou amigo antes dele ser prefeito em Natal e eu em Pedro Avelino em 1966”, recorda-se.
 
Outra opção é acompanhar o projeto do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ezequiel Ferreira (PMDB), que alimenta planos de presidir o novo PL a ser constituído no estado. Ele já foi indicado pelo Ministro Gilberto Kassab, que é líder do PSD nacional e diz que o PL será o “partido irmão” da legenda que dirige. “Também é pública e notória minha amizade com Ezequiel e que temos conversado sobre política e futuros projetos e ele decidiu que vai sair do PMDB e presidir outro partido com amigos deputados”, revela José Adécio.
 
Sua situação no DEM continua desconfortável. O deputado alega que tem perdido espaço dentro da legenda que ajudou a construir ao longo de 40 anos no estado e que se sente desprestigiado pelos correligionários. Em respeito a sua história no partido e à amizade com o senador José Agripino, ele diz que pretende conversar com o senador e não anunciar nenhuma decisão sem antes comunicá-lo. “Se eu fosse dizer que estava satisfeito no DEM não seria o José Adecio que todos conhecem. Desde 2010 me sinto desprestigiado no partido que ajudei a criar. Não tomarei nenhuma atitude antes de conversar com Agripino. Ele sabe que não estou confortável. Agora depende do próprio DEM porque meu desgaste com o partido é grande e pelas conversas que já tive com o senador, muitas coisas ocorreram sem seu conhecimento”, disse.
 
O reduto eleitoral de Adécio está nas regiões do Mato Grande e Central. Lá ele diz que constituiu 18 diretórios do Democratas, mas atualmente perdeu o espaço que sempre manteve, estando hoje apenas com os diretórios dos municípios de Rio do Fogo e Pedro Avelino. Além disso, pela primeira vez, José Adécio está fora da diretoria da executiva estadual da legenda, cuja eleição ocorreu no ano passado, reconduzindo José Agripino à presidência.
 
José Adécio já chegou a prever o fim do partido que ainda integra, devido ao encolhimento do mesmo e perda de nomes fortes, como a ex-governadora Rosalba Ciarlini (que mudou para o Partido Progressista-PP) e o ex-deputado Ney Lopes (que ingressou no PSD), além de uma série de posicionamentos que vem tomando nos últimos anos como a mudança da nomenclatura, que em 2007 deixou de ser PFL (Partido da Frente Liberal) para se tornar Democratas. 
 
O senador evita repercutir a insatisfação de Adécio no DEM e miniminiza a situação dizendo que o colega é um dos delegados para representar o partido na convenção nacional e destacando que sua opinião e posicionamentos têm grande peso nas decisões da legenda.
 

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