quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Seul limita acesso a complexo industrial compartilhado com Pyongyang. A medida prejudica e desacelera as operações no parque industrial compartilhado entre as duas Coreias, importante fonte de receitas para a combalida economia do Norte

COREIAS
Como medida de segurança, Coreia do Sul limitou acesso ao complexo de Kaesong, no Norte
Como medida de segurança, Coreia do Sul limitou acesso ao complexo de Kaesong, no Norte(Jung Yeon-Je/AFP)

A Coreia do Sul anunciou nesta quinta-feira que limitará o acesso de seus cidadãos ao polígono industrial intercoreano de Kaesong em resposta ao teste nuclear realizado ontem pela Coreia do Norte. O Ministério da Unificação em Seul explicou que, "por enquanto", só permitirá que os empresários sul-coreanos envolvidos diretamente no funcionamento das fábricas do complexo industrial poderão entrar no local e não precisou durante quanto tempo esta medida ficará em vigor. Um porta-voz do Ministério sul-coreano explicou que uma vez que a ordem for ativada, apenas cerca de 100 sul-coreanos poderão entrar diariamente ou pernoitar em Kaesong, menos de 10% dos cerca de 1.200 que têm permissão para trabalhar nas instalações que ficam em solo norte-coreano.

A medida impedirá a entrada de técnicos de maquinaria, pessoal de manutenção e outros operários especializados, algo que prejudica e desacelera as operações no parque industrial. A Coreia do Sul já tomou medidas como essa em outras ocasiões, e as implementou por aproximadamente um mês, quando seu vizinho realizou testes nucleares e de mísseis. O complexo de Kaesong, próximo da fronteira entre os dois países, foi aberto em 2004 como um símbolo dos avanços para a reconciliação das duas Coreias, que seguem tecnicamente em guerra, já que o conflito da década de 1950 foi encerrado com um cessar-fogo, e não com um tratado de paz.

Kaesong, que conta com 124 empresas sul-coreanas e 54.000 trabalhadores norte-coreanos, é uma importante fonte de receitas para a economia combalida da Coreia do Norte e, ao mesmo tempo, fornece mão de obra barata para os empresários do Sul. A Coreia do Norte realizou ontem seu quarto teste nuclear e garantiu que detonou pela primeira vez uma bomba H, um artefato mais potente que os dispositivos utilizados em seus três testes anteriores.

A ação foi condenada por muitos governos ao redor do planeta e motivou uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para discutir novas sanções para o país asiático. Ainda não foi confirmado se a Coreia do Norte conseguiu desenvolver e detonar com sucesso uma bomba de hidrogênio, mas muitos especialistas duvidam que o regime comunista tenha conseguido dominar a tecnologia de fusão termonuclear. "A análise inicial não é consistente com as afirmações da Coreia do Norte do sucesso da bomba de hidrogênio", declarou em sua entrevista coletiva diária o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.
 
 por:Veja

Nenhum comentário:

Postar um comentário