terça-feira, 14 de maio de 2019

Cirurgias Suspensas Aumentam Superlotação no Walfredo

SAÚDE
 Paciente do município de Goianinha, Júlia Camilo, 86, interrompeu tratamento de câncer por causa de internação
 Paciente do município de Goianinha, Júlia Camilo, 86, interrompeu tratamento de câncer por causa de internação 

No corredor do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Lagoa Nova, a idosa Francisca da Conceição, 100 anos, aguarda há três dias em uma maca por uma cirurgia no fêmur. Ela era um dos 106 pacientes abrigados entre corredores e pronto socorro superlotados na tarde desta segunda-feira (13). A espera é causada pela suspensão nos serviços de cirurgias ortopédicas nos hospitais de Natal e do Estado, pelos médicos da Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed/RN). Os profissionais reclamam do atraso de repasses pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN).

No final da tarde desta segunda-feira, a Sesap, por meio da assessoria de imprensa, encaminhou uma nota informando que os serviços paralisados seriam retomados nesta terça-feira (13), em função de Termo de Cooperação com a Coopmed.   De acordo com o secretário Cipriano Maia, a Sesap está regularizando até dezembro pagamentos em atraso que datavam de outubro do ano 2018, ainda da gestão passada. “Conseguimos quitar essa dívida remanescente de quatro meses, regularizando a atenção de cirurgias ortopédicas do SUS e evitando maiores transtornos aos usuários”, disse o secretário.

A diretora geral do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro, lamentou a situação que descreveu como “recorrente”, sendo um problema que ultrapassa gestões de governos. “Geralmente temos de 20 a 25 pacientes no corredor, mas do jeito que está, é impossível que as macas do Samu não fiquem presas. No fim das contas, é o paciente que sofre com essa situação”, lamentou

Outro fator que contribui sobremaneira para agravar esse problema, de acordo com a direção do hospital, é a  “desobediência de diversas unidades de saúde com a regionalização do atendimento nos hospitais do interior”.

Na manhã desta segunda-feira, das doze ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel e Urgência (SAMU) lotadas no Hospital Walfredo Gurgel, apenas duas (uma básica e outra avançada) estavam atendendo ocorrências nas ruas de Natal, devido as macas dos veículos estarem servindo como leito para pacientes.  


 Ambulâncias ficaram retidas no hospital devido à utilização das macas com pacientes
 Ambulâncias ficaram retidas no hospital devido à utilização das macas com pacientes

Moradora de Goianinha, município localizado a 60 km de Natal, a idosa Júlia Camilo da Silva, 86 anos, está há cinco dias aguardando por uma cirurgia, no corredor do Walfredo Gurgel. Segundo a filha que a acompanha no hospital, Arlinda Batista, o tratamento que a idosa faz contra um câncer de mama teve que ser interrompido, por causa da internação no Walfredo Gurgel. “Essa situação é desumana. Espero que nossos gestores se sensibilizem e tenham misericórdia do povo que está aqui, pelo menos os idosos”, reclamou a filha.

Quem também aguardava por uma cirurgia na perna era o mecânico Rafael Maciel, 26 anos. O homem se acidentou na Redinha, zona Norte de Natal, e foi levado para o Walfredo Gurgel. “Aqui é muito ruim, pior é ninguém dar uma previsão de quando vou fazer essa cirurgia, só pedir a Deus para ficar tudo bem”, disse o paciente. 

Memória
No Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a dívida é de R$ 2,1 milhões; no Hospital Dr. José Pedro Bezerra (Santa Catarina), com dívida de R$ 580 mil; Maria Alice Fernandes, de R$ 24 mil; e Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena, com dívida de R$ 262 mil.  O restante da dívida (R$ 3,7 milhões) são com contratos firmados para manutenção das redes de saúde estadual.

Essas dívidas são diferentes das negociadas em março, quando a Coopmed pressionou o Governo com outra ameaça de paralisação. As anteriores eram referentes aos meses de novembro e dezembro de 2018 e foram pagas na época. No entanto, enquanto o Governo conseguiu pagar as parcelas do ano passado, as desse ano entraram em atraso. O secretário Cipriano Maia chegou a informar, na época, que o total de dívidas chegou a R$ 18 milhões e que por isso a atual gestão estava com dificuldades orçamentárias.

Segundo informações da Sesap concedidas em março deste ano, metade dos médicos que atuam na rede estadual de saúde são contratados da Coopmed, nas 24 unidades hospitalares do estado. No Samu, essa porcentagem cresce para 80%. 



(Por:Aura Mazda/TN)

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