
HORA DA LIÇÃO - Weintraub: apesar de países como China e França terem alterado seus vestibulares, ele não arreda pé Cristiano Mariz/VEJA
O polêmico ministro da Educação Abraham Weintraub usou a reunião ministerial do dia 22 de abril, na qual o presidente Jair Bolsonaro defendeu a troca da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, para afirmar que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deveriam ser presos.
O relato foi feito a VEJA por pessoas com acesso à gravação, exibida
nesta terça-feira, 12, como parte das investigações sobre a possível
tentativa de interferência do presidente na PF.
A manifestação de Weintraub contra a
Suprema Corte ocorreu uma semana depois de os ministros do STF terem
imposto a primeira grande derrota ao governo durante a pandemia do novo
coronavírus. Em 15 de abril, por unanimidade, o Supremo decidiu que
governadores e prefeitos têm atribuições para determinar regras de
isolamento e de quarentena. Bolsonaro é entusiasta da tese de que o
isolamento deve ser flexibilizado para não levar setores econômicos à
lona e nesta segunda-feira (11) publicou decreto que declara serviços de
barbearia e manicure, por exemplo, como essenciais, e, portanto, aptos a
funcionarem normalmente durante a pandemia.
De acordo com relatos de quem assistiu ao vídeo do encontro, em meio a palavrões, Bolsonaro disse que, se não fosse trocado o superintendente da Polícia Federal do Rio Janeiro, ele mudaria o comando da PF e até o ministro Sergio Moro.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o advogado do ex-ministro Sergio Moro, Rodrigo Sanchez Rios, disse após a exibição do vídeo da reunião que “o material confirma integralmente” as declarações do ex-juiz da Lava-Jato no anúncio de sua saída do governo e no depoimento prestado à própria Polícia Federal. Caberá ao decano no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, decidir se levanta ou não o sigilo do vídeo da reunião.
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