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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Sessão extraordinária da Assembleia votará uso do Fundo Previdenciário

FUNDO PREVIDENCIÁRIO 

Em reunião marcada para as 9h de hoje (27), os líderes dos blocos partidários dentro da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte vão debater a convocação extraordinária do governo estadual para votação de dois projetos: o que prevê mudança em parte da lei do Fundo Previdenciário, o Funfir (mensagem 80/2016) e outro que cria o Fundo de Equilíbrio Fiscal (81/2016). Este último, entretanto, foi tirado da pauta de votação, em acordo entre deputados e representantes do Executivo. A oposição reclama que a votação apressada não permite um amplo diálogo sobre os temas, considerados polêmicos, nas comissões técnicas da Casa.

Os deputados aprovaram ontem (26), por 16 votos a 2, a aceitabilidade da convocação extraordinária feita pelo governo para votar as matérias - não sem reclamação. Membros tanto da oposição como da base aliada consideraram que o Executivo poderia ter esperado o fim do recesso parlamentar, na próxima semana. Seis deputados justificaram ausência.

“Eu lamento que matérias tão importantes tenham que ser tratadas de forma apressada, porque precisam de uma analise mais aprofundada. No meu entendimento, deveriam passar pelo crivo das comissões.”, disse Hermano Morais (PMDB) ao NOVO. 

“Eu acho que essa votação extraordinária nem deveria existir. Nós já íamos voltar na próxima semana”, considerou Luiz Antônio (Tomba) Farias (PSB), um dos líderes. Apesar disso, o deputado votou favorável à aceitabilidade da convocação. “O estado está numa situação muito complicada, sem caixa, tanto que atrasou o repasse do duodécimo para o Legislativo, Tribunais e do Ministério Público”, complementou.
Se houver consenso da liderança sobre o rito de discussão e votação do projeto que trata do Fundo Previdenciário, a sessão extraordinária acontecerá às 15h da próxima segunda-feira (1º), sem ônus para o estado. Apesar do retorno do recesso estar marcado para a mesma data, as sessões ordinárias acontecem pela manhã, de terça a quinta-feira. 

Eram precisos ao menos 13 votos (uma maioria simples) para que a convocação do governo passasse. A sessão marcada pelos líderes para ontem tinha começo previsto às 10h30, mas só foi iniciada depois do meio-dia. Votaram contra a proposta os deputados Fernando Mineiro (PT) e Hermano Morais (PMDB).
“Não tenho condição de concordar com esse método que estão usando para votar essa matéria. Inclusive fizeram uma coisa errada, que foi reunir os líderes na sexta-feira passada para deliberar a matéria. Deliberar como, se nem foi instalada a comissão? Tem que cumprir a regra do processo de votação”, alegou o deputado Fernando Mineiro (PT), que também defendeu uma maior discussão do projeto. Mineiro também se declarou contra o uso dos recursos do Funfir.

Já o líder do governo na Casa, Dison Lisboa (PSD), disse que a reunião da última sexta-feira foi apenas para tratar da convocação, sem impor a votação para ontem. O governo, de acordo com ele, abriu mão da condição extraordinária do projeto do Fundo de Equilíbrio Fiscal (Fundern), em entendimento com os demais parlamentares, por entender que ele tem menos urgência. De acordo com outros deputados, tratou-se de um entendimento para possibilitar a caminhada da matéria que trata do Funfir. 

Na reunião de hoje, os deputados vão avaliar, por exemplo, se há necessidade de o governo enviar uma equipe técnica para debater a situação do Funfir na Assembleia. O colégio dos líderes também precisará liberar o projeto da tramitação nas comissões, para que esteja no plenário na sessão da segunda.
Pressão

Servidores estaduais e líderes sindicais ocuparam, ainda que em pequeno número, as galerias do plenário Clóvis Motta, na sede do Legislativo, para pressionar contra a proposta de liberação do Fundo Previdenciário para saques. “Nós vemos isso com muita preocupação. Não entendemos por que está sendo feito nesse período, de forma extraordinária. Nos causa surpresa. Com relação ao projeto que força a liberação do restante do fundo, se hoje não há recurso para garantir o pagamento em dia dos aposentados, nos preocupamos com o futuro. Ele não é inesgotável. Quando acabar, de onde o governo vai tirar dinheiro para pagar? Nossa compreensão é que esse dinheiro acaba em 2017”, disse o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do RN (Sinte), José Teixeira. 

“É a assinatura de um cheque em branco, entregue a quem a gente sabe que não vai pagar”, comentou o deputado Raimundo Fernandes (PSDB), antes de entrar no Plenário.

Mudanças em três artigos
As mudanças propostas pelo governo na Lei 526, de 18 de dezembro de 2014, ocorrem em três artigos. O Executivo quer tirar a obrigatoriedade de criar uma contabilidade separada no fundo, que permite o acompanhamento dos recursos que foram utilizados. A proposta também prevê o cancelamento do prazo que o Estado tinha para devolver o dinheiro tirado do Funfir: dezembro de 2018. Apesar de não estar explícito no texto, as modificações na lei permitiriam que novos saques fossem feitos. 

Em 2014, o fundo tinha cerca de R$ 1 bilhão, dos quais já foram tirados mais de R$ 600 milhões. Ainda restam R$ 370 milhões, porém parte desses recursos está aplicado e se for tirado antes do prazo os lucros da aplicação serão perdidos. Imediatamente o estado poderia sacar R$ 20 milhões e mais R$ 50 milhões em janeiro do próximo ano. Somente a folha de aposentados, de acordo com o Sinte, é de R$ 51 milhões por mês.

“Já aconteceu aqui várias discussões sobre essa matéria, ela já foi muito debatida na Assembleia. É a questão da devolução, que o governo não tem condições agora. Não é questão de governo, é do Estado, do Brasil. Estamos numa situação dificílima, então o governo precisa de tempo para fazer essa devolução”, justificou Dison Lisboa. Apesar disso, o deputado disse que ainda vai conversar com a equipe técnica do Executivo para definir uma nova data de devolução. 

Ele ainda tirou do governo Robinson Faria a responsabilidade por todo o saque no fundo. “R$ 280 milhões foi ainda no governo Rosalba (Ciarlini), no final de 2014. A gestão atual tirou cerca de R$ 300 milhões. Dizem que é calote. É bom frisar que calote seria se o governo tivesse pegado esse dinheiro para construir uma ponte, algo assim. Ele foi usado para pagar os inativos, o que é a função do fundo”, argumentou.
Mineiro afirmou que o projeto permite que o governo saque os montantes que restam e por isso vai exigir um estudo apontando as perdas que o estado terá, caso tire as aplicações. 

Fundern começa a tramitar
O projeto de criação do Fundo de Equilíbrio Fiscal (Fundern) começa a tramitar na próxima semana na Assembleia, mas a proposta não foi bem aceita pelos deputados. George Soares (PR), por exemplo, considera que essa é praticamente a criação de um novo imposto. A nova lei, se aprovada, criará um fundo que receberá 10% das isenções fiscais concedidas pelo estado às empresas beneficiadas. Disso dependeria a permanência delas nos programas de isenção. 

Conforme Dison Lisboa, entrariam no caixa cerca de R$ 4 milhões por mês. “O Rio Grande do Norte é o último a fazer isso. Não é um fundo permanente. Nós estamos trabalhando em cima de uma crise e esperamos que ela passe”, defendeu. 

Hermano Morais considerou o projeto inconstitucional, entre outros motivos, porque não aponta qual a destinação dos valores recolhidos. 

A Federação do Comércio do Rio Grande do Norte (Fecomércio) divulgou nota de repúdio à criação do Fundern, informando que isso iria impactar a competitividade das empresas potiguares. “Considerando o momento de dificuldades pelo qual passa a economia e o contexto, já bem conhecido, de absoluto sufocamento da atividade produtiva, entendemos o formato como inoportuno, injusto e passível de redundar em aumento contundente das dificuldades financeiras das empresas, com reflexos claros e imediatos na geração de empregos, alimentando acrescentou. um círculo vicioso bastante danoso em toda a economia, inclusive as contas públicas”, disse em nota. 

A Federação ainda defendeu um maior diálogo entre o Poder Executivo, Legislativo e a classe empresarial. “Em caso contrário, entenderemos a medida como um gesto que trará efeitos negativos para a economia e, consequentemente, para o povo do Rio Grande do Norte”, concluiu a nota. 

 por
Igor Jácome/NovoJornal
|Foto: Frankie Marcone

william vieira às 05:34:00
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