quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Em noite de golaços, Fla reverte a vantagem do Figueira e se classifica. Rubro-Negro avançou para as oitavas de final na Sul-Americana

NOITE DE GOLAÇOS
Flamengo conseguiu classificação na Sul-Americana Gilvan de Souza / Flamengo / Divulgação

Torcida do Flamengo comemorou a classificação Gilvan de Souza / Flamengo / Divulgação

Espírito Santo - O Flamengo está nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Diante do Figueirense, em Cariacica, o Rubro-Negro contou com uma noite inspirada de seus jogadores que marcaram belos gols para reverter a vantagem dos catarinenses, vencer por 3 a 1 e se classificar na competição internacional.

Na próxima fase, o Flamengo terá pela frente o vencedor de Real Garcilado e Palestino. Pelo Brasileirão, os cariocas encaram na próxima quarta-feira a equipe da Ponte Preta no Kleber Andrade.

O JOGO
O primeiro tempo entre Flamengo e Figueirense foi muito agitado com gols, sendo alguns muito bonitos. A equipe catarinense saiu na frente logo no começo da partida. Aos cinco minutos, Rafael Vaz e Réver falharam e a bola sobrou para Rafael Silva, que aproveitou para marcar para o Figueira.

Precisando do resultado, o Flamengo foi para cima e conseguiu o empate aos 13 minutos. Everton tabelou com Gabriel e tocou por cobertura encobrindo o goleiro Gatito Fernández, marcando um belo gol para os cariocas.

E a equipe do Flamengo estava calibrada. Aos 25 minutos, Jorge dominou uma rebatida de fora da área, cortou dois defensores do Figueirens e acertou um belo chute, virando a partida para o clube carioca.

Pessionado, o Figueirense acabou se complicando ainda mais na partida. Rafael Vaz fez falta violenta em Jorge. Como já tinha um amarelo, o atacante acabou expulso e os catarinenses foram com um jogador a menos para o intervalo.

Em busca de mais um gol para se classificar, o Flamengo voltou para o segundo tempo pressionando. Alan Patrick entrou na vaga de Marcio Araújo. O apoiador teve boa chance em uma finalização que o goleiro Gatito Fernández fez bela defesa.

Só que a noite era de golaços para o Flamengo. Fernandinho, que havia acabado de entrar na vaga de Everton, passou pela zaga do Figueirense, e soltou a bomba dentro da área, sem chance de defesa para o goleiro do clube catarinense.

Com a vantagem no placar, o Flamengo diminiu o ritmo da partida. Sem forças e com um a menos, o Figueirense não conseguiu pressionar e acabou ficando com a derrota e a eliminação.

FICHA TÉCNICA
 
FLAMENGO 3 X 1 FIGUEIRENSE

Local: Kleber Andrade, Cariacica (ES)
Árbitro: Wilson Lamouroux (COL)
Auxiliares: Alexander Guzman (COL) e Dionisio Ruiz (COL)
Cartões amarelos: Rafael Silva, Carlos Alberto, Renato e Jackson Caucaia (FIG); Leandro Damião, Arão, Gabriel e Jorge (FLA)
Cartão vermelho: Rafael Silva (FIG)
Gols: Rafael Silva, 5'/1° T (0-1); Everton, 13'/1°T (1-1); Jorge (1-2), Fernandinho, 26'/2°T (3-1)
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FLAMENGO: Alex Muralha, Pará, Réver, Vaz e Jorge; Márcio Araújo (Alan Patrick, 12'/2°T), Arão e Diego; Gabriel (Emerson, 46'/2°T), Everton (Fernandinho, 22'/2°T) e Leandro Damião. Técnico: Zé Ricardo.


FIGUEIRENSE: Gatito Fernández, Ayrton, Werley, Bruno Alves e Marquinhos Pedroso; Renato (Nirley, 22'/2°T), Jackson Caucaia, Ferrugem (Jefferson, 13'/2°T) e Carlos Alberto (Ermel, 13'/2°T); Rafael Silva e Rafael Moura. Técnico: Tuca Guimarães.

Primeiro voo comercial dos EUA em 55 anos pousa em Cuba. Aeronave da companhia aérea americana JetBlue aterrissou nesta quarta-feira no aeroporto de Santa Clara, no centro da ilha caribenha

EMOÇÃO- EM CUBA
O primeiro voo regular entre Estados Unidos e Cuba em mais de meio século aterrissou nesta quarta-feira no aeroporto de Santa Clara, no centro da ilha, iniciando uma nova era nas relações entre os antigos inimigos da Guerra Fria.

Com 150 passageiros a bordo, entre eles o secretário de Transporte americano, Anthony Foxx, o A320 da companhia aérea americana JetBlue aterrissou às 10h57 locais (11h57 de Brasília) em Santa Clara.

O voo foi recebido com uma “saudação com canhão de água”, pouco mais de uma hora depois de decolar do aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida.

Os dois primeiros passageiros a sair da aeronave desceram as escadas carregando cada um deles uma bandeira, dos Estados Unidos e de Cuba e, ao pisar em terra firme, diante das câmeras de televisão, se abraçaram.

“Foi uma emoção incrível, todos os passageiros, a imprensa que estava neste voo histórico, estavam sorrindo e emocionados ao chegar”, declarou a diretora do Aeroportos Internacionais da JetBlue, Giselle Cortés, descrevendo o ambiente que reinou durante o voo.

“Minha avó é cubana, levou minha família há 60 anos, sou a primeira da geração de minha família a chegar a Cuba, que é minha segunda casa. É possível sentir a emoção de voltar para casa”, acrescentou Cortés, de 34 anos.

Este foi o primeiro voo regular entre os dois países desde 1961, quando o tráfego aéreo foi suspenso, vítima da Guerra Fria. A passagem custa em torno de 100 dólares (325 reais) o trecho de ida, e o dobro por ida e volta.

Washington e Havana acordaram em fevereiro deste ano restabelecer os voos comerciais. Entretanto, o embargo dos EUA ainda proíbe o turismo em Cuba, mas os americanos podem viajar dentro de outras 12 categorias. As mais utilizadas são o intercâmbio cultural ou educacional.

Desde que no ano passado foi liberada a possibilidade de viajar a Cuba, as visitas bateram um recorde: 161.000 em 2015, 77% mais que no ano anterior, de acordo com o ministério do Turismo da ilha.

Pilotos cubanos

O voo inaugural foi pilotado pelo capitão Mark Luaces e pelo primeiro oficial Francisco Barreras, ambos americanos de pais cubanos, informou a JetBlue. Ele será seguido na quinta-feira por um da Silver Airways, também a Santa Clara, e depois pelos da American Airlines, que a partir de 7 de setembro voará a cinco destinos cubanos.

Ao longo dos próximos meses a regularidade dos voos aumentará até chegar a 110 diários, 20 deles a Havana.

As autoridades americanas ainda não decidiram quais companhias servirão à capital. Por enquanto, voarão a nove aeroportos provinciais as companhias JetBlue, American, Silver, Frontier, Southwest e Sun Country. Os voos partirão de Miami, Fort Lauderdale, Chicago, Minneapolis e Filadélfia e chegarão às cidades cubanas de Camagüey, Cayo Coco, Cayo Largo, Cienfuegos, Holguín, Manzanillo, Matanzas, Santa Clara e Santiago de Cuba.
 Passageiros fazem check-in em Fort Lauderlade, na Flórida, para embarcar no primeiro voo com destino a Cuba feito em mais de 50 anos - 31/08/2016
 CEO da companhia aérea JetBlue, Robin Hayes (esq.) e Embaixador cubano dos Estados Unidos, Jose Ramon cabanas, posam ao lado de ilustração comemorativa em homenagem ao primeiro voo partindo do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, na Flórida, para Cuba, em mais de 50 anos - 31/08/2016
 Passageiros desembarcam no Aeroporto Internacional de Cuba, vindos dos Estados Unidos, no primeiro voo comercial feito em mais de 50 anos, na cidade de Santa Clara - 31/08/2016
por:Veja

No México, Trump volta a defender muro na fronteira. Após uma reunião privada com Peña Nieto, Trump insistiu na segurança entre as fronteiras, mas expressou “grande respeito” por imigrantes

NO MÉXICO
Após se encontrar com o presidente do México, Enrique Peña Nieto, o candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou nesta quarta-feira seu “grande respeito” pelo povo mexicano, mas reiterou a necessidade da construção de “um muro para acabar com a imigração” na fronteira.

Em entrevista coletiva na residência presidencial de Los Pinos, após uma reunião privada com Peña Nieto, Trump disse que os dois países vão resolver o problema da imigração ilegal, que também envolve a América Central, e insistiu na construção do muro, mas esclareceu que na reunião não foi discutido quem pagaria por ele. “Estamos guardando essa discussão para um outro momento”, afirmou o magnata.

“Eles são pessoas maravilhosas”, afirmou Trump sobre os imigrantes que vivem nos EUA, particularmente aqueles que trabalham para a sua empresa, a Organização Trump. “Eu tenho orgulho de dizer quantas pessoas emprego”, disse. Apesar dessas declarações, o republicano insistiu que é preciso tornar mais segura a fronteira entre os dois países.

No final de seu discurso, o magnata destacou a boa relação dos EUA com o México e afirmou que considera Peña Nieto “um amigo”. “A ligação entre nossos dois países é profunda e sincera, e ambas as nações se beneficiam de uma relação estreita e honesta entre os dois governos”, disse.

Trump lançou em junho de 2015 sua campanha pela candidatura republicana, chamando os imigrantes mexicanos nos Estados Unidos de “criminosos” e “estupradores”. O magnata americano propôs a construção de um muro na fronteira mexicana que seria pago pelo governo vizinho. 

(Com EFE)

Orçamento prevê salário mínimo de R$ 945,80 em 2017. Projeto do Orçamento Geral da União para o próximo ano foi enviado nesta quarta pelo governo ao Congresso Nacional

SALÁRIO MÍNIMO
O salário mínimo para o ano que vem ficará em 945,80 reais, anunciou nesta quarta-feira o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira. O valor aparece no projeto do Orçamento Geral da União de 2017, enviado nesta quarta pelo governo ao Congresso Nacional. O salário mínimo é hoje de 880 reais.

A proposta foi entregue por Oliveira e pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL). O texto foi enviado ao Congresso logo após a cerimônia de posse do presidente Michel Temer, no Senado.

Os demais parâmetros para a economia no próximo ano, que haviam sido divulgados pela equipe econômica no último dia 17, foram mantidos. A estimativa de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 4,8% para 2017.

A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos em um país) ficou em 1,6%. O projeto prevê taxa de câmbio média de 3,40 reais por dólar para o próximo ano e de taxa Selic (juros básicos da economia) de 12,1% ao ano.

(Com Agência Brasil)

No Twitter, Joaquim Barbosa critica Temer em três línguas. Ex-ministro do STF chamou de "impeachment tabajara" e "patético espetáculo" o processo que cassou o mandato de Dilma

IMPEACHMENT- NO BRASIL
Crítico declarado do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa disparou nesta quarta-feira contra o presidente da República recém-empossado, Michel Temer, em sua conta no Twitter. As alfinetadas foram publicadas em três línguas diferentes — inglês, francês e português.

“O homem parece acreditar piamente que terá o respeito e a estima dos brasileiros pelo fato de agora ser presidente. Engana-se”, escreveu, classificando como “patética” a primeira entrevista de Temer como presidente efetivo e chamando de “tabajara” e “patético espetáculo” o impeachment de Dilma.

Em seguida, o relator do processo do mensalão no STF postou em inglês que é “vergonhoso” ver as “forças políticas conservadoras do país levarem tudo” e comparou Temer aos “antigos caudilhos da América Latina”. Em francês, ironizou o presidente, dizendo que ele pensa que um “passe de mágica jurídico lhe confere legitimidade”. “Le pauvre (pobre)”, comentou.

Ao todo, Barbosa publicou doze mensagens nesta tarde, após o Senado decidir cassar o mandato de Dilma — algumas delas tinham erros gramaticais. “Eu estava com pressa indo para minha aula de pilates”, justificou o ex-ministro do STF, no Twitter.

por:Veja

Equador e Venezuela convocam seus embaixadores e congelam relações com o Brasil após impeachment

DIPLOMACIA
O Equador e Venezuela anunciaram a retirada de seus respectivos representantes do Brasil, após a confirmação do impeachment de Dilma Rousseff, nesta quarta-feira. Em uma nota, o governo venezuelano de Nicolás Maduro afirmou que decidiu “congelar as relações políticas e diplomáticas com o governo surgido desse golpe parlamentar” e retirar “definitivamente” seu embaixador do país.

“A República Bolivariana da Venezuela condena categoricamente o golpe parlamentar realizado no Brasil contra a presidente Dilma Rousseff, mediante o qual perigosamente se há substituído ilegalmente a vontade popular de 54 milhões de brasileiros, violando a Constituição e alterando a democracia neste país-irmão”, disse o governo venezuelano em nota.

Mais cedo, o presidente do Equador, Rafael Correa, também anunciou a convocação do mais alto representante diplomático de seu país no Brasil. “Destituíram Dilma. Uma apologia ao abuso e à traição. Retiraremos nosso encarregado (de negócios) da embaixada” em Brasília, escreveu Correa no Twitter.

Em um comunicado, o Ministério equatoriano das Relações Exteriores rejeitou “a flagrante subversão da ordem democrática no Brasil, que considera um golpe de Estado solapado”. O chanceler equatoriano, Guillaume Long, dará uma entrevista coletiva sobre o tema hoje à tarde.

Em maio, Quito já havia convocado para consultas seu embaixador no Brasil, Horacio Sevilla. Desde então, ele não voltou ao posto e, em junho, foi nomeado representante permanente do Equador na ONU. Assim, o principal representante do Equador no país era, até o momento, o encarregado de negócios Santiago Javier Chávez Pareja. Na época, o Equador advertiu que, se o afastamento de Dilma se tornasse definitivo, “reagiria com maior radicalidade”.

Bolívia

Na terça-feira, o presidente da Bolívia, Evo Morales, também advertiu que convocaria seu embaixador no Brasil, José Antonio Kinn, se o Senado confirmasse a destituição de Dilma. “Se prosperar o golpe parlamentar contra o governo democrático de @dilmabr, a Bolívia convocará seu embaixador. Defendamos a democracia e a paz”, escreveu Evo em sua conta no Twitter.

EUA

O porta-voz do Departamento de Estado americano, John Kirby, afirmou nesta quarta que os Estados Unidos confiam que as fortes relações bilaterais com o Brasil continuarão, mesmo após a cassação do mandato de Dilma Rousseff. Kirby também disse a jornalistas que as instituições democráticas do Brasil agiram dentro da estrutura constitucional do país.

(Com AFP e Reuters)

Temer toma posse: chega a hora das reformas econômicas. Agora sem a sombra da interinidade, peemedebista tem de driblar crise na base para emplacar medidas que tirem o Brasil do atoleiro econômico

POSSE- BRASIL
Michel Temer assume presidência da República em Brasília
Terminou nesta quarta-feira, após quase nove meses que paralisaram o país, o processo de impeachment contra Dilma Rousseff. O agora presidente Michel Temer tomou posse às 16h50. Ele chegou ao plenário do Senado Federal ao lado do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Temer viaja ainda hoje para a China, mas deixou gravado um pronunciamento que vai ao ar em rede nacional de rádio e televisão às 20 horas. Antes da viagem, contudo, fez a primeira reunião ministerial com sua equipe, efetivada no cargo como ele. Na volta, já sem a bengala da interinidade, terá pela frente um duro desafio.

A votação que garantiu a posse do peemedebista provocou uma crise na base de Temer. Isso porque um ‘acordão’ entre PT e PMDB resultou no fatiamento do julgamento de Dilma, que livrou a petista da inabilitação política por oito anos – irritando DEM e PSDB. Nos bastidores, a articulação de aliados da petista para conseguir dividir o julgamento em duas etapas foi atribuída a um acordo com presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Renan sempre se disse desconfortável com o impeachment, mas declarou na sessão desta quarta, sentado à Mesa Diretora, ser contra a suspensão dos direitos políticos da petista. Na reunião com ministros, Temer disse que parte de sua base causou embaraço ao governo ao votar pela manutenção dos direitos políticos da presidente cassada sem consultar o governo previamente e disse que não tolerará este tipo de conduta.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), culpou o PMDB pelo desfecho do julgamento e se disse surpreendido em cima da hora. Ele colocou em dúvida o compromisso real de lideranças peemedebistas com o governo Temer e as reformas propostas econômicas e acordadas com o partido. Parcela do PSDB passou a defender ao fim da votação um rompimento com Temer. Eles reclamaram de não terem sido avisados da posição dividida do PMDB. “O PMDB começou a tratar o PSDB da maneira que era tratado pelo PT”, queixou-se o líder do PSDB, senador Cássio Cunha Lima (PB).

Não se trata da primeira crise com tucanos. A legenda já pressionou publicamente Temer para que deixe de fazer concessões no controle dos gastos públicos após a votação final do impeachment. E o partido desconfia também das reais intenções do peemedebista em 2018. Não à toda, o presidente repetiu diversas vezes que tem pela frente apenas dois anos e quatro meses de mandato. Temer disse esperar que sua equipe de governo consiga colocar o Brasil nos trilhos, para conseguir chegar ao fim do seu mandato, em 31 de dezembro de 2018, “com o aplauso do povo brasileiro”.

Divergências na base são um especial motivo de preocupação para Temer. Isso porque o impeachment de Dilma Rousseff já era fato consumado havia meses – ao menos para os agentes do mercado financeiro. Não por acaso, desde 12 de maio, quando a então presidente foi afastada do cargo, a Bovespa acumula alta de quase 10%; no ano, o avanço chega a 33,5%. Assim, a mudança no governo já está, como dizem operadores e investidores, “precificada” – ou, em outras palavras, o que tinha de influenciar o mercado, ela já influenciou.

Agora, as atenções do mercado financeiro se voltam para as ações do governo – não mais interino – de Michel Temer. E o escrutínio será particularmente meticuloso sobre seus sucessos e insucessos nas negociações das reformas com o Congresso. Até aqui, o governo Temer estava sob a sombra da interinidade, o que, por mais improvável que fosse o retorno de Dilma ao poder, ainda travava as negociações, raciocina o economista Otto Nogami, professor do MBA do Insper. “Agora essa desculpa não existe mais”, diz.

Os temas econômicos ganharam especial atenção no pronunciamento de Temer à sua equipe. “Gerar emprego é o primeiro tema que deve ser levado em conta nas nossas decisões. Se há hoje um certo amargor das pessoas nas ruas, é em função do desemprego. Quando começarmos a gerar empregos, isso vai tirando esse amargor”, afirmou. “Não será fácil. Temos uma margem enorme de desempregados, de quase 12 milhões de pessoas, uma cifra assustadora. Não há coisa mais indigna que o desemprego, que fere o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana”, completou.

Ele pediu aos ministros que trabalhem em busca de apoio no Congresso para aprovar as medidas necessárias, inclusive o que chamou de ‘adequação da relação trabalhador-empregado’. “Vamos às bancadas. É preciso também dar publicidade à necessidade de reforma da Previdência. Não queremos fazer uma coisa de cima para baixo. Precisamos da compreensão da sociedade brasileira”.

A reforma da Previdência é crucial para o futuro das finanças do país, mas seu impacto deve ser mais forte no longo prazo, afirma o professor. Para o curto prazo, diz, é essencial que o governo tenha sucesso em duas frentes: a Proposta de Emenda Constitucional que impõe teto aos gastos públicos e o adiamento dos reajustes ao funcionalismo público.  São temas-chave para começar a tirar as contas públicas – e a economia do país – do atoleiro. E como definiu Temer: “A cobrança será muito maior sobre o governo”.

 Por Patrick Cruz e Carolina Farina/Veja

Dilma declara guerra do PT a Temer e afirma: ‘Nós voltaremos.’ Ex-presidente se referiu ao governo Michel Temer como "bando de corruptos" e indicou que seguirá lutando na Justiça contra o impeachment

IMPEACHMENT- NO BRASIL
Dilma Rousseff falou pela primeira vez nesta quarta-feira, agora como ex-presidente da República. De vermelho e cercada por integrantes de sua tropa de choque no Senado – Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) -, a petista fez um discurso beligerante. Classificou o governo do presidente Michel Temer como “um bando de corruptos”, indicou que seguirá lutando na Justiça contra o impeachment e afirmou: “Nós voltaremos”.

“Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado”, afirmou. “O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social..”

Além de culpar os inimigos de sempre, Dilma retomou o discurso do medo: “O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.”

“Sei que todos nós vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer. Repito: a mais determinada oposição que um governo golpista pode sofrer”, afirmou Dilma, em referência ao papel que restou a seu partido e aos aliados no Congresso Nacional. “Nós voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano. Saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas. Proponho que lutemos todos juntos contra o retrocesso, a extinção de direitos”, prosseguiu.

Dilma afirmou que o impeachment representa o segundo golpe de Estado sofrido em sua vida, em errônea referência ao golpe militar de 1964, e prometeu recorrer em todas as instâncias possíveis. Segundo ela, os senadores que votaram a favor da cassação de seu mandato rasgaram a Constituição e o impeachment entrará para a história das grandes injustiças. “Esse golpe é contra os movimentos sociais e sindicais, contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções.” “É um golpe misógino, homofóbico, racista”, 
disse. “Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar.”

Nesta quarta-feira, Dilma Rousseff sofreu o impeachment por 61 votos a 20, mas conseguiu não ser penalizada com a inabilitação para exercício de funções públicas porque não houve o mínimo de 54 votos para que essa sanção fosse imposta. Na inabilitação, ela ficaria proibida de disputar cargos eletivos, concursos públicos, integrar os quadros de empresas públicas e ser nomeada para cargos em comissão. Em seu discurso, afirmou: “Não direi adeus a vocês, tenho certeza de que posso dizer até daqui a pouco. Ou eu ou outros assumirão esse processo”.

por:Veja

Black blocs vandalizam Centro de São Paulo em ato contra Temer. Com a justificativa de protestar contra o impeachment, grupo de baderneiros depredou lojas e agências bancárias. Houve confronto com a PM

PROTESTOS- EM SÃO PAULO
A ação de vândalos mascarados transformou um protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff em cenário de depredação nesta quarta-feira em São Paulo. Os baderneiros atiraram pedras e rojões em cima dos policiais, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral na altura da Praça Roosevelt, no Centro da capital paulista. Depois, os black blocs se dispersaram pelas ruas, montando barricadas e ateando fogo a lixo nas vias.

Os vândalos ainda depredaram agências bancárias, lojas, pontos de ônibus, placas de publicidade e uma cafeteria — dentro da qual havia clientes. Este é o terceiro ato contra o impeachment realizado nesta semana que acaba em conflito. Após a confusão inicial, os mascarados se espalharam por vários pontos do centro, deixando um rastro de destruição por onde passavam. Uma viatura da Polícia Civil  foi vandalizada e a sede do jornal Folha de S. Paulo, pichada.

O ato começou por volta das 18 horas em dois pontos, na Praça do Ciclista e no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. O maior alvo dos manifestantes era o presidente Michel Temer, a quem chamavam de “golpista”. “Não vai ter arrego” e “Fora Temer” foram alguns dos gritos proferidos pelo grupo. A Polícia Militar não divulgou o número de participantes da manifestação.

 Simultaneamente, um ato menor em celebração à cassação da petista ocorria na frente da sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes comemoraram o afastamento definitivo de Dilma com bolo e champanhe. A Tropa de Choque da PM fez um bloqueio entre o Masp e a Fiesp para evitar o encontro do público dos dois atos.

 PM toma pedrada na Rua da Consolação
 Manifestantes contra o governo Temer descem a Rua da Consolação, sentido centro de São Paulo - 31/08/2016
 Por Luiz Felipe Castro/Veja

Temer faz pronunciamento à nação: ‘O pior já passou.’ Presidente firmou compromisso de dialogar com diversos setores e disse que quer pacificar o país e fazê-lo voltar a crescer

POLÍTICA

Em seu primeiro pronunciamento à nação como presidente da República, Michel Temer falou em pacificar o país. E afirmou: “O pior já passou”. O peemedebista falou por cinco minutos em rede nacional de rádio e televisão. Disse que o caminho é desafiador, mas que a confiança na economia brasileira já mostra sinais de recuperação. Diante do discurso petista de que seu governo representa uma ameaça aos direitos dos trabalhadores e dos mais pobres, Temer relembrou que aumentou o valor do Bolsa Família e elevou o teto de financiamento do Minha Casa Minha Vida para a classe média.

“O país é como sua família: se está endividado, tem que cortar gastos. Por isso nossas primeiras providências foram impor um limite – e gastar somente o que se arrecada”, disse. Ele afirmou que a missão do governo é mostrar aos empresários a disposição do país nos negócios. “O Estado precisa ser ágil”, prosseguiu.

Temer lembrou o sucesso dos Jogos Olímpicos, que citou como um resgate da auto-estima nacional. “Demos ao mundo mostras de nossa capacidade de fazer bem-feito”, afirmou. “Presente e futuro nos desafiam. Meu único interesse é entregar a meu sucessor um país pacificado, que volte a crescer e do qual os brasileiros se orgulhem”.

O presidente afirmou que assume o compromisso de dialogar com diversos setores da sociedade. “Ordem e progresso sempre caminham juntos. Juntos, vamos fazer um Brasil melhor. Deus nos abençoe nessa nova caminhada”, encerrou.

por:Veja