sábado, 29 de abril de 2017

Dia de greve contra reformas de Temer teve protestos em 129 cidades. Houve confrontos entre manifestantes e policiais nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro

GREVE GERAL


Confrontos e depredações, estradas e avenidas bloqueadas, além de dezenas de manifestantes detidos.

Esse foi o saldo dos protestos contra as reformas trabalhista e da Previdência no Rio de Janeiro e em São Paulo entre a tarde e a noite desta sexta-feira (28).

Foram 129 cidades com manifestações ou greves pelo Brasil, segundo levantamento da reportagem. Em pelo menos 38 houve interrupção do serviço de transporte público. Em 34 municípios, rodovias ou avenidas foram interditadas por manifestantes. Nove registraram confrontos violentos.

Os atos que começaram no início da tarde nas duas capitais fizeram parte da greve geral promovida por entidades sindicais e movimentos sociais em todo o país.
No Rio, manifestantes e policiais militares entraram em confronto, na região central da cidade. Mascarados atearam fogo em nove ônibus na região da Lapa. Eles usaram paus e pedras enquanto policiais respondiam com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.
Na região da Cinelândia, grupos que defendiam protesto pacífico bateram boca com manifestantes radicais, que faziam barricadas de fogo em latões de lixo. Enquanto discutiam, bombas voltaram a ser lançadas na praça.
Após serem dispersados, manifestantes que estavam em comício na Cinelândia começaram a depredar equipamentos públicos.
Pelo menos duas pessoas que ficaram feridas durante os protestos foram levadas para o Hospital Souza Aguiar. Segundo a prefeitura, os ferimentos foram leves.
Em São Paulo, integrantes da Frente Povo Sem Medo iniciaram um protesto cujo ponto final seria a casa do presidente Michel Temer (PMDB), na região dos Jardins. Segundo a PM, o ato reuniu cerca de 3 mil pessoas. A Frente falava em 70 mil.
Na zona oeste, perto da casa de Temer, ativistas adeptos da tática black bloc -que defende a depredação do patrimônio privado- destruíram fachadas de várias agências.
Pela manhã, houve bloqueio de rodovias e avenidas, que resultaram na prisão de ao menos 16 pessoas. Os serviços de ônibus, metrô e trens foram paralisados por grevistas. Parte do serviço voltou à tarde.
Outras cidades também registraram confrontos entre manifestantes e policiais durante a greve geral.
INVASÃO
Vagner Freitas, presidente da CUT, afirmou que a Polícia Militar invadiu o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
"A polícia do [governador de São Paulo], Geraldo Alckmin (PSDB) age como se estivéssemos na ditadura", diz Freitas.
Segundo o sindicato, cinco policiais militares espantaram trabalhadores que se manifestavam na porta do local e em seguida entraram na entidade armados para revistar "de forma truculenta e agressiva". Com informações da Folhapress.

Associação Argentina confirma: quer Sampaoli. ‘Único candidato.’ Seleção argentina está sem treinador desde a demissão de Edgardo Bauza

SELEÇÃO ARGENTINA
Jorge Sampaoli, técnico do Chile
Jorge Sampaoli já dirigiu o Chile e hoje treina o Sevilla (Mike Hewitt/FIFA/Getty Images/Getty Images)

A Associação do Futebol Argentino (AFA) finalmente admitiu o desejo de contratar Jorge Sampaoli para o cargo de treinador da seleção. Depois de muitos rumores e do Sevilla condenar o comportamento da Associação com seu técnico, o presidente Claudio Tapia confirmou o interesse e garantiu que o ex-técnico do Chile é o “único candidato” da AFA. “Hoje, ele (Sampaoli) é o nosso único candidato, e respeitamos o Sevilla, porque ele segue trabalhando lá”, declarou à ESPN da Argentina. “Ele é o nosso eleito.”
Sampaoli foi bastante elogiado por Tapia, que o considerou a melhor opção para substituir Edgardo Bauza. O ex-técnico do São Paulo foi demitido há pouco mais de duas semanas após uma série de resultados ruins. Ele deixou a seleção na quinta posição das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, colocação que dá acesso à repescagem.
(Veja.com.br)

Ronaldinho dá show em Barcelona x Real Madrid de veteranos. Em sua estreia no Barcelona Legends, craque encantou o público no Líbano

ATRAÇÃO PARA OS LIBANESES
Ronaldinho Gaúcho jogando pelo Barcelona Legends
Barça Legends X Real Madrid Leyendas

Ronaldinho Gaúcho estreou nesta sexta-feira no Barcelona Legends, a equipe de veteranos do clube espanhol. Em um jogo contra o Real Madrid Leyendas, disputado em Beirute, no Líbano, o craque foi o centro das atenções e contribuiu com três assistências para a vitória de seu time por 3 a 2.

Com seus dribles e passes de efeito, Ronaldinho foi a principal atração da partida, que contou com nomes famosos como Edmilson, Davids, Anelka, Sávioe Morientes. Um torcedor invadiu o campo para abraçá-lo no segundo tempo e, quando o craque saiu do campo, foi cercado por uma grande quantidade de jornalistas.

Com passes de Ronaldinho, Giuly marcou duas vezes para o Barcelona e Simão Sabrosa fez o outro gol da equipe da Catalunha. Fernández e Guerrero anotaram para os veteranos do Real Madrid.

(Veja.com.br)



Trump: “achei que ia ser mais fácil” ser presidente. “Eu sinto falta da minha vida antiga. Eu gosto de trabalhar, mas isso é muito mais trabalho”, disse o republicano

COMPLICADO
Trump em entrevista à Reuters, em Washington (Carlos Barria/Reuters)

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump achava que o trabalho na Casa Branca “ia ser mais fácil”. “Eu amava minha vida anterior. Eu tinha tantas coisas acontecendo”, afirmou em uma entrevista à agência Reuters. “Na verdade, isso é mais trabalho do que a minha vida anterior. Pensei que seria mais fácil”, disse. “Eu sinto falta da minha vida antiga. Eu gosto de trabalhar, mas isso é muito mais trabalho”, acrescentou.
O republicano enfrenta derrotas legislativas e baixíssimas taxas de aprovação no início de seu mandato.
Trump, que disse já estar acostumado a ser perseguido por repórteres mesmo antes de ser eleito presidente, expressou surpresa com a falta de privacidade de sua vida atual e disse que ainda está se adaptando com ser seguido pelo Serviço Secreto o dia todo.
Segundo o republicano, sempre que ele sai da Casa Branca é transportado de limusine por um motorista e por isso sente falta de dirigir. “Eu gosto de dirigir”, afirmou. “Eu não posso dirigir mais”.
Donald Trump completa 100 dias na Presidência no sábado.
(Veja.com.br)

Médico processa Marcos por vazamento de laudo de Emilly no ‘BBB.’ Laudo que relatou sinais de agressão em Emilly caiu nas redes sociais no início desta semana, e médico que assina documento culpa Marcos pelo ato

PROCESSADO
Marcos Härter, ex-BBB17, indiciado por agressão à Emilly
O cirurgião plástico gaúcho Marcos, expulso do 'BBB17' por agressão (Reprodução/TV Globo)

O cirurgião plástico Marcos Härter é alvo de mais um processo. O vazamento, nas redes sociais, do laudo médico que constatou marcas de agressão em Emilly Araújo, feito por um profissional da própria Globo ainda durante o Big Brother Brasil 17, levou o responsável pelo relatório, Elmo Marques Carneiro Filho, a entrar com uma ação contra o gaúcho, a quem acusa de divulgar o documento. O laudo circulou em um perfil de rede social de um fã clube de Marcos. O próprio, porém, não o replicou. O processo foi aberto nesta sexta-feira.

Ao lado de imagens da casa do BBB17, o laudo serviu como prova para que a delegada Viviane da Costa, da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, decidisse pelo indiciamento do cirurgião, agora denunciado por agressão pelo Ministério Público. No documento, o médico Elmo — contratado da Rede Globo e responsável pelo processo de admissão dos participantes do reality —  relatou que a paciente estava com dores durante manobras de compressão no punho direito, mas sem escoriações ou ferimentos abertos. O relatório também descreve dois hematomas roxos claro em ambos os braços de Emilly.
A VEJA, o advogado de Elmo Carneiro, Ralph Lichotti, informou que o processo foi aberto na tarde desta sexta-feira, na 7ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Segundo ele, o médico acredita que os preceitos da Ética Médica — que o impedem de divulgar qualquer informação sobre seus pacientes ou de outros médicos — não vêm sendo respeitados pelo “Dr. Marcos de Oliveira Härter”.
Marcos ainda responde a um processo por danos morais relativo à divulgação de fotos sem consentimento, movido por uma ex-colega de trabalho.
(Veja.com.br)

Lula sobre Palocci: pode prejudicar muita gente, menos eu. Ex-ministro disse ao juiz Sergio Moro que estava disposto a contar tudo; Lula afirmou ter certeza de que ele não fechará delação

DELAÇÃO
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro - 03/12/2015 (Ricardo Moraes/Reuters)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta sexta-feira sobre a possibilidade do ex-ministro Antonio Palocci fechar delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Mantendo a praxe de se dizer o homem mais honesto do país, Lula disse que Palocci pode “prejudicar muita gente, menos ele”. Mesmo assim, afirmou “ter certeza” de que o ex-homem forte do seu governo não fará acordo com os investigadores, apesar de ele ter dito ao juiz Sergio Moro que está “disposto a contar tudo” e a abrir um caminho que “pode render mais um ano de Lava Jato”.
“Se tem alguém que sabe tudo sobre mim, esse é o nosso homem lá de cima. Eu não tenho preocupação com nenhuma delação.[O Palocci] foi meu companheiro por 30 anos, é uma das figuras mais inteligentes desse país. Ele já é maior de idade. Eu tenho certeza absoluta de que não vai fazer delação. Ele pode contar tudo o que sabe, mas tenho certeza que pode prejudicar muita gente, menos eu”, disse Lula, em entrevista à Radio Guaíba, do Rio Grande do Sul.
Lula também aproveitou a entrevista para declarar abertamente que será candidato à Presidência em 2018, pedir votos à população e dizer que não há plano B no PT. Nas últimas semanas, diante das acusações do empreiteiro Léo Pinheiro e de delatores da Odebrecht, o partido passou a fazer análises internas sem o seu líder máximo na disputa do próximo ano. 

“Antes eu tinha dúvida, mas hoje eu tenho certeza: quero ser presidente outra vez. Vou pedir ao povo brasileiro a licença para votar em mim. Para mim, não tem plano B”, disse Lula, completando que está tranquilo de que não será impedido de concorrer. O ex-presidente é réu em cinco ações penais. Se ele for condenado em segunda instância até o ano que vem, ele fica enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
O ex-presidente também declarou apoio à greve geral, que acontece desde a manhã desta sexta-feira contra as reformas previdenciária e trabalhista, dizendo que ela é um “sucesso” e que pode levar os deputados a mudarem de opinião. Com ligação histórica com as centrais sindicais e movimentos de esquerda que convocaram a mobilização de hoje, Lula se empenhou em mostrar que é o homem”capaz de resolver a crise do país”. “Se tem uma coisa que eu entendo bem, é da alma do povo brasileiro”.
(Veja.com.br)

Após protestos, Temer diz que governo seguirá tocando reformas. Em nota, presidente afirma que manifestações ocorreram livremente em todo o país, mas que debate continuará na 'arena adequada', que é o Congresso Nacional

REFORMAS
Michel Temer
Protestos em São Paulo
Manifestantes no Largo da Batata, em São Paulo, pedem fim das reformas e do governo Temer (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)

O presidente Michel Temer (PMDB) disse, em nota oficial emitida no início da noite, que a greve geral desta sexta-feira contra as reformas trabalhista e da Previdência “ocorreram livremente em todo o país”, mas disse que o “trabalho em prol da modernização da legislação nacional continuará, com debate amplo e franco, realizado na arena adequada para essa discussão, que é o Congresso Nacional”.
“De forma ordeira e obstinada, o trabalhador brasileiro luta intensamente nos últimos meses para superar a maior recessão econômica que o país já enfrentou em sua história”, disse o presidente na nota. Ele afirmou, ainda, que “a esse esforço se somam todas as ações do governo, que acredita na força da unidade de nosso país para vencer a crise que herdamos e trazer o Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento social e do crescimento econômico”.
Em ato no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, próximo à casa de Temer – para onde se dirigiam -, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, prometeu levar a manifestação ao Congresso. “Se não entenderem vai ter convulsão social. Nós vamos tomar o Congresso, porque terra improdutiva tem que ser ocupada para ter função social”, afirmou sobre um trio elétrico.
O presidente também disse que houve “a mais ampla garantia ao direito de expressão”, mesmo nas menores aglomerações”. “Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente. Fatos isolados de violência também foram registrados, como os lamentáveis e graves incidentes ocorridos no Rio de Janeiro”, escreveu.

Veja a íntegra da nota do presidente:

As manifestações políticas convocadas para esta sexta-feira ocorreram livremente em todo país. Houve a mais ampla garantia ao direito de expressão, mesmo nas menores aglomerações. Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente. Fatos isolados de violência também foram registrados, como os lamentáveis e graves incidentes ocorridos no Rio de Janeiro. 
O governo federal reafirma seu compromisso com a democracia e com as instituições brasileiras. O trabalho em prol da modernização da legislação nacional continuará, com debate amplo e franco, realizado na arena adequada para essa discussão, que é o Congresso Nacional. De forma ordeira e obstinada, o trabalhador brasileiro luta intensamente nos últimos meses para superar a maior recessão econômica que o país já enfrentou em sua história. A esse esforço se somam todas as ações do governo, que acredita na força da unidade de nosso país para vencer a crise que herdamos e trazer o Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento social e do crescimento econômico.
Michel Temer
Presidente da República
(Veja.com.br)

Gilmar Mendes manda soltar Eike Batista. Empresário estava preso desde o final de janeiro na Operação Eficiência; ele é réu por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa

LAVA JATO

O empresário Eike Batista, ao ser preso em janeiro deste ano (Felipe Dana/AP)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, mandou soltar nesta sexta-feira o empresário Eike Batista, preso no final de janeiro na Operação Eficiência, um desdobramento da Operação Lava Jato. O empresário é réu na Justiça Federal do Rio por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
De acordo com a decisão do ministro, Eike deverá ser solto se não estiver cumprindo outro mandado de prisão. Caberá ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal no Rio de Janeiro, avaliar se o empresário será solto e aplicar medidas cautelares.
Segundo as investigações, Eike teria repassado US$ 16,5 milhões em propina ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), por meio de contratos fraudulentos com o escritório de advocacia da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, e uma ação fraudulenta que simulava a venda de uma mina de ouro, por intermédio de um banco no Panamá. Em depoimento à PF, Eike confirmou o pagamento para tentar conseguir vantagens para as empresas do grupo EBX, presididas por ele.
No habeas corpus, a defesa de Eike Batista alegou que a prisão preventiva é ilegal e sem fundamentação. Para os advogados, a Justiça atendeu ao apelo midiático da população .
“Nada mais injusto do que a manutenção da prisão preventiva de um réu, a contrapelo da ordem constitucional e infraconstitucional, apenas para satisfazer a supostos anseios de justiçamento por parte da população, os quais, desacoplados do devido processo legal, se confundem inelutavelmente com a barbárie”, argumenta a defesa.
(Com Agência Brasil)

Mascarados vandalizam bairro nobre de SP e assustam moradores. Alto de Pinheiros, bairro que abriga a residência de Temer, viveu noite de caos, com confronto entre black blocs e polícia e estabelecimentos depredados

GREVE GERAL
Protestos em São Paulo
Atos de vandalismo cometidos próximos à casa do presidente Michel Temer, na região de Pinheiros em São Paulo, durante protesto contra as reformas da previdência e trabalhista - 28/04/2017 (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)

O bairro Alto de Pinheiros, um dos mais ricos de São Paulo, se tornou uma praça de guerra na noite desta sexta-feira. Um restaurante, uma clínica de tratamento capilar, pelo menos três agências bancárias e diversos terminais de ônibus, lixeiras e placas de sinalização foram depredados por um grupo de mascarados que acompanhava o ato contra as reformas previdenciária e trabalhista na Zona Oeste da capital.
Os chamados black blocs, que caminhavam atrás da passeata, tomaram a dianteira nas proximidades da casa do presidente Michel Temer, o destino final do protesto. Enquanto a maior parte dos manifestantes ficou na Avenida Fonseca Rodrigues, onde políticos de esquerda discursavam em trios elétricos, os mascarados se dirigiram até o imóvel. Depararam-se no meio do caminho com grades de 1 metro e a Tropa de Choque da PM. Agentes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência também reforçavam a segurança do local.
Com exceção dos manifestantes e policiais, as ruas repletas de casarões, onde reside boa parte da elite paulistana, estavam vazias. A única movimentação era dos convidados de um casamento que acontecia numa mansão bem perto dali.

Confronto

Protestos em São Paulo
Polícia enfrenta black blocs em Alto de Pinheiros (Ricardo Matsukawa/VEJA.com)
Com o grupo dividido, a liderança do movimento, formada por sindicalistas, senadores e deputados, perdeu o controle da multidão. A situação começou a ficar tensa quando black blocs tentaram acender com pedaços de árvores e folhas uma grande fogueira em frente à praça de Temer. O estouro se deu no momento em que um mascarado puxou o cassetete de um PM, que reagiu com golpes. Uma pequena turba, então, partiu para cima, tentou derrubar as grades e passou a arremessar pedras contra os oficiais. O cordão de policiais que estava na frente recuou, dando lugar à Tropa de Choque que, protegida por escudos, disparou dezenas de bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Num primeiro momento, a PM se concentrou em proteger a praça onde fica a propriedade do presidente. Isso deu tempo para que os mascarados se espalhassem pelas ruas de Alto de Pinheiros. Por onde passavam, ficava um rastro de destruição. Barricadas de fogo foram montadas com lixo jogado nas vias e alguns mais atrevidos pegaram paus e pedras para enfrentar a PM, que vinha no encalço deles jogando bombas a rodo e espirrando jatos de água.
Vândalos quebram vidro de estabelecimento perto da casa de Temer, em SP (Eduardo Gonçalves/VEJA)
Manifestantes que protestavam pacificamente acabaram sendo atingidos e se retiraram, queixando-se da truculência da polícia e da arruaça dos black blocs. Assustados com o confronto, convidados do casamento chegavam apressados em carros de luxo com os vidros fechados. No caminho, desviavam de estilhaços de vidro, placas derrubadas e montes de lixo em chamas. Um fotógrafo gritou que a noiva estava a bordo de um deles.

Vandalismo

Durante a dispersão, os mascarados, que costumam vandalizar bancos por serem “símbolos do capitalismo”, escolheram também como alvo estabelecimentos comerciais, como o restaurante Senzala e a clínica de tratamento capilar Murici.
Restaurante Senzala teve a fachada apedrejada (Eduardo Gonçalves/VEJA.com)
O garçom Hercules Ferreira Gomes de Sá contou que o grupo começou a atirar pedras e cadeiras contra as vidraças com a clientela ainda nas mesas. Diante da ofensiva, as luzes foram apagadas e os clientes correram para se refugiar na cozinha e nos banheiros. “Não entendi porque eles fizeram isso. Deve ser pelo nome daqui – Senzala. Acham que é racista. Eram uns 30 garotos com o rosto coberto”, disse o garçom, ainda espantado com o que havia acontecido. Ele afirmou que, na hora, chegou a chamar a polícia, que estava posicionada na rua de trás, mas nada foi feito.
O restaurante foi citado recentemente pelo ex-deputado Eduardo Cunha, preso na Lava Jato. Segundo o peemedebista, o local foi palco de um almoço entre ele e Temer, que teria precedido um encontro em São Paulo com o ex-executivo da Odebrecht Márcio Faria da Silva.
Já o ataque à clínica começou aparentemente sem motivo. O local era guardado pelo segurança Daniel Moraes de Oliveira. “Eu estava aqui dentro quando vi a primeira pedra. Cheguei a pedir para eles pararem, joguei a lanterna no rosto deles. Mas não adiantou. Se eu fosse sozinho para cima, eles iam me espancar”, relatou o segurança. Na fase final de construção, a clínica estava cercada por entulho, tijolos e tábuas de madeira, que municiaram os black blocs na destruição da fachada do imóvel, agências bancárias e pontos de ônibus próximos dali.
Após o confronto, a Polícia Militar fez uma varredura na região com motocicletas, carros e os blindados do Choque. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 21 foram presos por atos de vandalismo. O Corpo de Bombeiros também foi acionado para apagar os focos de incêndio e atender as pessoas que passaram mal por causa das bombas.
Temer não estava em casa, mas certamente seus vizinhos – banqueiros, empresários, políticos e celebridades – não ficaram felizes com as cenas de vandalismo protagonizadas por manifestantes violentos que foram até lá para protestar contra o seu governo. Xingamentos ao peemedebista e frases como “Morte ao Patrão” foram pichadas em diversos muros e portões de residências do bairro. De fato, foi um dia atípico para o Alto de Pinheiros.
( Eduardo Gonçalves/Veja.com.br)

Restaurante vandalizado durante protesto em São Paulo