quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Polícia prende fiscal envolvida em morte de João Beto no Carrefour. Adriana Dutra não impediu que dois seguranças da unidade do Carrefour em Porto Alegre espancassem e matassem homem negro de 40 anos

POLÍCIA

 João Beto, o negro assassinado por seguranças no Carrefour

 Mercado Carrefour depredado em São PAulo

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Manifestação pela morte de João Alberto Freitas, um homem negro, em Carrefour de brasília 13

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, nesta terça-feira (24/11), mais uma pessoa acusada de envolvimento com a morte do autônomo João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos. Segundo a 2ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP), trata-se da agente de fiscalização da unidade do Carrefour onde ocorreu o crime, Adriana Alves Dutra, 51.

Em coletiva de imprensa, a delegada-chefe da 2ª DPHPP de Porto Alegre, Nadine Anflor, informou que a prisão é temporária. “Já tínhamos procurado por ela e não a encontramos, ela justificou que estava recebendo ameaças. Estivemos na casa dela e não a encontramos, hoje [terça-feira (24/11)] veio com o advogado e a informamos do mandado de prisão”, explicou.

Ela foi presa porque teria poder de comando sobre os dois seguranças que espancaram e mataram João Beto, e já estavam presos.

Além disso, as incoerências no depoimento da suspeita também levantaram desconfiança dos policiais. Adriana é a funcionária que tenta impedir a gravação do assassinato de João Beto (veja abaixo).

Em depoimento à Polícia Civil, a suspeita informou não ter escutado a vítima pedir por socorro. Adriana narra ter sido chamada para conter a briga entre o cliente e uma outra empregada do mercado. Ela disse que, antes de ir para o estacionamento da loja, Beto teria empurrado uma cliente. No entanto, as imagens analisadas pela polícia não mostram a vítima empurrando nenhuma mulher.

Adriana também falou aos policiais que Beto e os seguranças começaram a brigar e que, nesse momento, ela teria chamado a Brigada Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A agente de fiscalização afirmou ter pedido várias vezes que os seguranças soltassem João Beto, mas que não ouviu a vítima gritar por socorro.

corpo de João Alberto, que estava sendo espancado no chão. Ele gritava por socorro e dizia: “Estou morrendo”. A funcionária do Carrefour filma a vítima e, ao perceber que uma testemunha também gravava as agressões, pede que o vídeo seja interrompido.

“Não faz isso, não faz isso, senão vou te queimar na loja. Não pode”, diz Adriana, ao “justificar” as agressões. “Eleeu em uma mulher lá em cima. Senão, a gente não teria [feito isso]. Ele bateu no fiscal. Ele pode bater em nós? A gente está tentando mobilizar ele”, completa.

“Não faz isso, não faz isso, senão vou te queimar na loja. Não pode”, diz Adriana, ao “justificar” as agressões. “Ele deu em uma mulher lá em cima. Senão, a gente não teria [feito isso]. Ele bateu no fiscal. Ele pode bater em nós? A gente está tentando mobilizar ele”, completa.

O caso

João Beto foi morto no Carrefour, na última quinta-feira (19/11), em Porto Alegre. A esposa do homem, Milena Borges Alves, 43, contou que o casal foi ao supermercado comprar verduras e ingredientes para fazer uma receita de pudim.

De acordo com Milena, eles ficaram poucos minutos dentro do estabelecimento e João Beto saiu na frente em direção ao estacionamento. Ao chegar no local, ela se deparou com o marido no chão e foi impedida de chegar perto dele.

Segundo a versão de Adriana, o marido teria empurrado uma senhora e “novamente foi orientado pelo cliente/policial a deixar disso e se acalmar”. Em seguida, houve o soco de João Beto contra o PM.

 

(Por:Victor Fuzeira/Metropólis)

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