CONTRABANDO DE CIGARROS
Em Macau, aproximadamente, um milhão de maços de cigarro contrabandeados foram apreendidos em novembro deste anoEm cinco anos, de 2015 a 2019, a participação dos cigarros ilegais no mercado do Rio Grande do Norte saltou de 45% para 79%. É o mais elevado índice de participação desse tipo de produto dentre todos os estados das regiões Norte e Nordeste do País, juntamente com o Maranhão, que também possui 79% do mercado tomado pelas mercadorias contrabandeadas. RN e MA estão em 2º. lugar no ranking nacional de participação de mercado ilegal, com o mesmo percentual, perdendo somente para o Mato Grosso do Sul (MS), onde o contrabando corresponde a 87% do mercado de cigarros. Os dados são os mais recentes e foram extraídos de relatório do Instituto Brasileiro de Ética Correcional (ETCO). Os impactos na arrecadação tributária do RN são visíveis: em 2016, o Estado arrecadou R$ 64 milhões com o imposto sobre o cigarro. Em 2019, o valor caiu para R$ 34 milhões. Em 2020, a Secretaria de Estado da Tributação (SET afirma ter arrecadado em torno de R$ 30 milhões - uma queda de 53,12% em quatro anos, e uma receita R$ 34 milhões menor.
Nos últimos anos, agentes de segurança relatam que novas rotas e novas
marcas passaram a integrar o mercado ilegal potiguar, transformando e
ampliando um ramo que até poucos anos era dominado pelos produtos
paraguaios. O aumento da presença dos produtos ilegais não foi uma
exclusividade do RN. Outros estados da região Nordeste, como Ceará,
Piauí e Maranhão também apresentaram o mesmo comportamento.
De
acordo com os institutos especializados em estudar a dinâmica deste tipo
de contrabando, dois pontos convergiram para transformar a região em um
ponto atrativo para as organizações criminosas que comandam esse tipo
de operação: o baixo poder econômico da população (87,3% dos habitantes
da região Nordeste integram as classes C,D,E, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE) e a possibilidade de
utilizar outras rotas que não a rodoviária.
No Brasil, a
legislação não permite a venda de cigarros a preços abaixo de R$ 5. A
carga tributária em cima do produto pode chegar a até 90% do valor, mas
fica em média entre 71% e 80%. As taxas elevadas não são à toa: por ser
um produto comprovadamente danoso à saúde, a carga tributária tem os
objetivos de reduzir o consumo do produto a partir do encarecimento e,
ao mesmo tempo, permitir que os impostos gerados a partir dele possam
ser empregados em áreas como a da saúde.
“O paciente que chega
ao sistema de saúde por doenças provocadas pelo cigarro custa muito
caro. São tratamentos extensos, complexos, e por isso é tão importante
que eles também contribuam para o próprio sistema do qual podem
precisar”, diz o secretário adjunto de Tributação do Estado, Álvaro Luiz
Bezerra.
Apesar disso, o cigarro continua a ser consumido - e
as pessoas com menor poder aquisitivo encontram no mercado ilegal uma
alternativa financeiramente viável. Enquanto o preço médio do maço de
cigarros na região Nordeste é de R$ 7,51, os produtos contrabandeados
podem ser vendidos por até R$ 3,53.
A soma do baixo poder
aquisitivo da população e a grande quantidade de consumo do cigarro
transforma o Brasil em um dos países mais atrativos do mundo para o
contrabando. De acordo com o Euromonitor - Passport Tobacco, o País foi
líder mundial na comercialização de cigarros ilícitos em 2019, seguido
pela Índia, Paquistão e Rússia.
“O mercado ilegal de cigarros é um crime transnacional, que envolve
fronteiras, portos, logística interna, lavagem de dinheiro e corrupção
brutal por onde passa”, explica Edson Vismona, presidente do Fórum
Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP). “Por conta da
diferença tributária, somos um mercado extremamente vantajoso para o
crime organizado e o desenvolvimento dessas novas rotas acontece
justamente para garantir a penetração e vantagem do crime organizado”,
completa.
Diferente do Paraná e do Mato Grosso do Sul, o RN e os demais estados da costa brasileira têm um atrativo a mais para os contrabandistas: a possibilidade de estabelecer uma rota marítima. Até 2020, a maior parte das apreensões de cigarros ilícitos foi feita em terra, no entanto, os órgãos de inteligência e segurança, como a Polícia Federal e a Receita Federal, passaram também a identificar a entrada pelo litoral, como nas cidades de Areia Branca e Macau. “Temos uma percepção de mudança no comportamento do contrabando de cigarros”, relata Djairlon Moura, superintendente da Polícia Rodoviária Federal no RN.
O presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona, explica que a maior exploração dessas rotas se deu graças ao aumento de fiscalização rodoviária principalmente nos estados que fazem fronteira com o Paraguai. “O fortalecimento das ações de repressão, especialmente no Paraná e no Mato Grosso do Sul, que fazem fronteira com o Paraguai, motivou o desenvolvimento de novos caminhos por parte do crime organizado. Os criminosos atacam pelas frentes fluvial e terrestre. Hoje, há, inclusive, cigarros paraguaios vindos do Suriname”.



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