ANÁLISE
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes
Rio - Nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "não consegue fazer nada" pois o Brasil está "quebrado". A fala foi dita pelo chefe do Executivo a apoiadores que estavam em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília.
Bolsonaro ainda citou a alteração da tabela do
Imposto de Renda (IR) como uma das suas promessas que não consegue
cumprir. "O Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu
queria mexer na tabela do Imposto de Renda, tá, teve esse vírus,
potencializado pela mídia que nós temos, essa mídia sem
caráter", declarou.
Mas, o país realmente está quebrado? De acordo com o economista Carlos
Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central, essa informação não é
verdadeira. "O Brasil não está quebrado. O Brasil quebrou várias vezes
no passado por falta de dólares. E quebrou em cruzados novos pela
hiperinflação deixada pelo ex-ministro Maílson da Nóbrega com sua
política de feijão com arroz. Hoje, o Brasil é credor líquido em
dólares, tem a taxa de juros mais baixa da história, saiu em 'V' da
recessão e a renda média aumentou no ano passado. Fala que o País está
quebrado somente quem não conhece economia", explica Freitas.
Ainda de acordo com o economista, a fala de Bolsonaro pode ser
interpretada como uma negação a futuros socorros financeiros. "Bolsonaro
falou isso para ninguém pedir ajuda. Ele quis barrar pedidos de verbas
ao governo. Quando prometeu ampliar a faixa de isenção do IR era outra
época. Hoje, mudou tudo. É outro mundo. O presidente tem de falar não e
não".
Já para Sergio Vale, economista-chefe da MB
Associados, a atitude de Bolsonaro pode indicar que ele não conseguirá
fazer nada de relevante na economia nos próximos anos de
governo. "Iniciando a metade final de seu mandato, o presidente indica
que não conseguirá fazer mais nada de relevante. Ao sugerir mãos atadas
por um país quebrado, esquece que poderia fazer uma reforma
administrativa que envolvesse o funcionalismo da ativa e ir além na PEC
emergencial, discutindo gastos tributários como a Zona Franca de Manaus.
Ou que pudesse entrar em acordo sobre as reformas tributárias no
Congresso, mais profundas do que a apresentada pelo Ministério da
Economia", diz Sergio, sugerindo possíveis alternativas.
Sergio também acredita que o Brasil sofrerá as
consequências por conta dessa espera. "O presidente posterga e acumula
os problemas para 2023, início de um novo governo. Serão dois anos que,
pelo jeito, veremos o Executivo bater cabeça como ficou o governo Temer
depois da delação da JBS. Vamos, novamente, viver em compasso de
espera".
Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro, também
reforça o coro de que o Brasil não está quebrado financeiramente.
"O presidente quis dizer talvez que, apesar da carga tributária elevada
aqui, mesmo cumprindo com o teto dos gastos, ainda teremos este ano e
nos próximos déficit primário e crescimento da dívida pública", explica.
Contudo, o Mansueto diz que não há espaço para o governo abrir mão de arrecadação já que é preciso reduzir o desequilíbrio fiscal ao longo dos próximos anos para consolidar o cenário de inflação na meta, juros baixos e recuperação da economia.
"A situação é a seguinte: hoje, o Brasil não pode abrir mão de R$ 1 de receita e ainda tem de se esforçar para recuperar neste e nos próximos anos a receita que perdeu com a crise da covid-19 na queda do PIB e na arrecadação", analisa.
Contudo, o Mansueto diz que não há espaço para o governo abrir mão de arrecadação já que é preciso reduzir o desequilíbrio fiscal ao longo dos próximos anos para consolidar o cenário de inflação na meta, juros baixos e recuperação da economia.
"A situação é a seguinte: hoje, o Brasil não pode abrir mão de R$ 1 de receita e ainda tem de se esforçar para recuperar neste e nos próximos anos a receita que perdeu com a crise da covid-19 na queda do PIB e na arrecadação", analisa.
(Com informações do Estadão Conteúdo)
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