PREOCUPANTE
Alessandra Bernardo
alessabsl@gmail.com
A situação da assistência ao parto e aos recém-nascidos é altamente precária nos hospitais das redes pública e privada do Rio Grande do Norte. O diagnóstico, divulgado nesta sexta-feira (24) durante o Fórum de Dilemas Éticos sobre Assistência Materno Infantil, confirmou que a obstetrícia sofreu uma drástica redução no número de leitos nos últimos 20 anos, os baixos valores pagos por procedimentos médicos e a distância entre o que é ensinado nos cursos de Medicina e as necessidades da sociedade são alguns dos fatores que favorecem o aumento preocupante de nascimentos via cirurgia cesárea no Estado.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), Marcos Lima, durante o evento foram discutidas também as possíveis soluções para a melhoria da qualidade dos serviços oferecidos na obstetrícia potiguar, como a ampliação do número de leitos e implementação de salas de parto nos hospitais públicos e particulares, humanização dos profissionais para um atendimento mais adequado e maior investimento financeiro no setor.
Para ele, é preciso uma política permanente para que essas melhorias ocorram e, consequentemente, a assistência obstétrica e neonatal seja de qualidade. Mas, também é preciso interesse e vontade dos hospitais particulares, que não investem na área por não a considerarem rentável. E, na rede pública, aumentar os investimentos em capacitação dos funcionários para um atendimento sensível e melhorar a estrutura física das unidades.
“Temos um diagnóstico preciso e preocupante da gravidade da situação em todo o Estado quando o assunto é o cenário da assistência ao parto e aos recém-nascidos nas redes pública e privada. Isso influencia direto no número de nascimentos por cirurgia, mas há ainda a questão da comodidade do obstetra e da paciente, dos baixos valores pagos por procedimentos, os médicos que preferem cesárea, os casos de gestação de alto risco e também de mulheres que preferem a cirurgia para não sofrerem com falta de leitos e a má e/ou precária assistência, que geram violência obstétrica”, explicou.
A presidente do Comitê Estadual de Mortalidade Infantil do órgão, Maria do Carmo, enfatizou ainda que o percentual de 59,9% de cirurgias cesáreas no Rio Grande do Norte com ocorrência de óbitos é um dado preocupante. As questões das mortes de recém-nascidos e suas causas também foram discutidas durante a fala do pediatra Manoel Reginaldo Rocha, que falou sobre Epidemiologia do Óbito Neonatal.
O Fórum também contou com a participação do promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal, Diaulas Costa Ribeiro, que falou sobre Violência Obstétrica durante a assistência ao parto, a autonomia na condução do nascimento e a disponibilidade obstétrica. “Os casos de violência à parturiente são inaceitáveis, cruéis, porque a mulher está vivendo um dos momentos mais importantes da vida dela e é agredida verbal, física ou emocionalmente. Casos disso devem ser levados diretamente à justiça”, orientou Marcos.
Natal deve mudar protocolos
As secretarias de saúde de Natal e do Estado também participaram do evento, realizado pelo Cremern, e apresentaram suas propostas de melhorias para o setor da obstetrícia. Na Capital, os novos protocolos clínicos de atendimentos que serão implantados nas três maternidades públicas – Leide Morais, Quintas e Felipe Camarão, devem ser implementados até o final do primeiro semestre deste ano.
Conforme o secretário Luiz Roberto Fonseca, o intuito é melhorar a qualidade da assistência prestada no município, que ele reconheceu como precária e cheia de dificuldades, principalmente financeira. E disse que Natal deverá ganhar um hospital municipal em breve. No entanto, ainda não há previsão de quando isso vá ocorrer.
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