SOLIDARIEDADE
Igor Jácome
Repórter
Dar alegria, qualidade de vida e saúde a quem nasceu com fissura labial, palatina (no céu da boca) ou outras deformidades faciais é o objetivo da Operação Sorriso – uma organização médica-humanitária internacional que chegou em 1997 ao Brasil. Um congresso para debater o tratamento e as novas descobertas científicas sobre o assunto, com objetivo de sensibilizar profissionais e estudantes da área da Saúde, foi trazido a Natal nesta sexta-feira (17). A ONG tenta levantar apoios para realizar um mutirão de cirurgias corretivas na capital potiguar ainda neste ano. Desde que chegou ao país, a Operação Sorriso já realizou mais de quatro mil cirurgias.
“As fissuras são muito comuns. No Brasil, a cada 650 nascimentos, uma criança tem fissura. Onde estão essas crianças? Estão escondidas da sociedade”, comenta Ricardo Barros, diretor médico geral da missão no Brasil. Ele veio a Natal para buscar fechar parcerias com as secretarias de Saúde do município e do Estado, além de outros apoios. “Nós estamos buscando principalmente junto ao governo os tratamentos que são necessários após a cirurgia. São necessários acompanhamentos de fonoaudiologia, entre outros, para reintegrar essas pessoas. O médico afirma que ainda não pode divulgar as parcerias, mas destaca que a Operação Sorriso deve acontecer ainda neste ano na cidade. A equipe será formada por cirurgiões plásticos, enfermeiros e anestesiologistas brasileiros voluntários. Um hospital da cidade deverá ceder estrutura física para as operações.
Ainda de acordo com o médico, existem duas formas de a criança nascer com fissura. A primeira é a genética, enquanto a segunda é a ausência de ácido fólico, que é evitada quando a gestante faz o pré-natal. Existem vários tipos de fissuras, desde os mais simples, que atingem apenas o lábio, até a palatina, em que o céu da boca fica aberto. No caso desta última, uma em cada dez crianças não sobrevive ao primeiro ano de vida. Devido à fissura, elas ficam sujeita mais facilmente a otites (infecções nos ouvidos), pneumonia, além de muitas outras doenças. De acordo com o médico, não é raro que o “fissurado” também sofra discriminação.
O vigilante João Paulo Nascimento, de 30 anos, nasceu com fissuras laterais e palatinas. No caso dele, o motivo foi genético. “Tem seis pessoas na minha família com fissura. Já fiz oito cirurgias e ainda preciso de outras. A última foi há 15 anos”, lembra. Agora ele quer tentar conseguir uma cirurgia e tem trabalhado como voluntário da ONG.
Como João Paulo, existem pelo menos 400 pessoas na mesma situação em Natal. Os dados já estão defasados, mas são os únicos aos quais a enfermeira Rogéria Abrantes, membro do grupo auxiliar de Saúde Bucal da Secretaria Estadual de Saúde e voluntária da ong tem acesso. Ela lembra que atualmente, são 103 cadastrados para fazer cirurgia. Os pacientes precisam ser encaminhados para o Sudeste, para centros de referência. “O tratamento dura cerca de 18 anos. O melhor é começar ainda quando criança, a partir dos três meses de idade, ou, no mínimo, cinco quilos. O problema é que, como a criança normalmente não consegue mamar direito, fica desnutrida e dificilmente está acima desse peso”, colocou.
O congresso de hoje reuniu cerca de 120 pessoas. A Operação Sorriso recebe doações na sede do Samu Natal. Podem ser doados, alimentos, brinquedos, material de higiene pessoa, entre outras coisas. O site na internet para conseguir mais informações é o www.operacaosorriso.org.br. A operação sorriso também precisa de voluntários, sejam profissionais da área de saúde ou não.
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