terça-feira, 5 de maio de 2015

Engevix fecha acordo para venda de fatia nos aeroportos de Brasília e Natal

ECONOMIA

A construtora Engevix assinou um acordo de entendimentos com a empresa argentina Corporación América para vender sua participação societária nos aeroportos de Natal e Brasília. O negócio pode dar um novo fôlego financeiro à empresa brasileira, envolvida na Operação Lava Jato e que está tendo de equacionar uma dívida de R$ 1,5 bilhão.

Júnior SantosO aeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, foi inaugurado em maio de 2014O aeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, foi inaugurado em maio de 2014

Os argentinos, que já eram sócios dos aeroportos, passarão a deter 100% da concessão de Natal e 51% da de Brasília. Os outros 49% pertencem à Infraero. A diretora de comunicação da Corporación América, Carolina Barros, não quis confirmar a aquisição, mas disse que foi assinado um "princípio de entendimento e que estão em negociações muito avançadas, esperando aprovação de autoridades como o BNDES, Cade e Anac".

A estimativa é de que cheguem ao caixa da Engevix cerca de R$ 400 milhões. Investigada na Lava Jato, a empreiteira, que também é dona de concessões de energia e de um dos maiores estaleiros do País, teve um de seus principais sócios presos no ano passado. Desde então, o mercado de crédito se fechou para a companhia, que está tentando evitar uma recuperação judicial.

Até agora, a Engevix conseguiu vender sua participação na Desenvix, empresa de energia que detinha participações em eólicas, para seu sócio norueguês. Conseguiu com a operação cerca de R$ 500 milhões, mas que só vão entrar no caixa da companhia depois que os órgãos reguladores aprovarem a operação. O mesmo deve acontecer com o negócio que agora está sendo acertado com os argentinos nos aeroportos.

O maior problema financeiro da Engevix está no Estaleiro Rio Grande, onde é sócia de um grupo de japoneses. Parte da operação também tem como acionista o fundo de pensão da Caixa (Funcef). O estaleiro precisa de US$ 300 milhões (R$ 900 milhões) de injeção de recursos para continuar operando.

Os contratos do estaleiro chegam a cerca de R$ 15 bilhões, em fornecimento de plataformas para a Petrobrás e também em acordos com a Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a compra de navios-sonda para a exploração do pré-sal e que desde novembro do ano passado está sem pagar pelos contratos. Somente da Sete Brasil, o Estaleiro Rio Grande tem R$ 250 milhões a receber. Mas foi a suspensão do financiamento do Fundo de Marinha Mercante, de R$ 500 milhões, que complicou o caixa da empresa, segundo o sócio da Engevix, José Antunes Sobrinho.

Para conseguir os US$ 300 milhões para continuar operando, a empresa está tentando negociar um empréstimo com o banco de desenvolvimento da China. Deve ainda injetar capital de novos sócios e também espera fechar acordo com a Petrobrás para ter uma espécie de adiantamento de contratos. Em outra linha de atuação, a empresa tenta ainda fechar um acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União que prevê a assunção de culpa nos casos de corrupção em contratos com a Petrobrás e o pagamento de multas. Esse acordo poderia reabrir o mercado de crédito.

Aeroportos

As concessões dos dois aeroportos agora vendidos pela Engevix foram arrematadas nos leilões promovidos pelo governo federal há três anos. O investimento nas duas obras é de cerca de R$ 3 bilhões, e a concessão deve durar mais de 25 anos. Ambos estão em operação sob o controle da Inframérica, que tem como sócios a Infravix, da Engevix, e a Corporación América.

Para os argentinos, segundo alguns analistas, é interessante fechar o negócio neste momento de dificuldades da Engevix. Outro ponto é o fato de eles serem especialistas em operar aeroportos. Administram 53 pelo mundo, sendo 35 na Argentina.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo

Nenhum comentário:

Postar um comentário