Aos 40 anos, com um ouro olímpico e duas pratas, Serginho não tem medo de admitir. Por ele, não estaria na estreia da seleção brasileira nos Jogos do Rio, às 11h30m, contra o México, no Maracanãzinho. Há quatro anos, ele havia anunciado o fim de seu ciclo na equipe de Bernardinho. Queria estar em casa neste domingo. Mas, como não foge a um chamado importante, iniciará sua quarta Olimpíada.
— Ninguém quer viver essa vida para sempre. Eu não quero. Para mim, quanto menos falar de vôlei, melhor. Tanto que, se passa na TV, não assisto. Quero me desligar o máximo — disse.
Apesar do discurso, engana-se quem pensa que Serginho está de má vontade no grupo que vai lutar pelo ouro nos Jogos do Rio. Durante os treinos, nenhum jogador exibe tanto alto astral quanto ele. Mais experiente do time, o líbero é um dos pilares da equipe brasileira.
— Num momento adverso dentro da quadra eu posso ajudar um pouco mais. Mas sou igual a eles. Só mais velho — analisa o jogador, que aproveita o respeito conquistado através dos anos para falar o que pensa sem medo de ser mal interpretado:
— Espero que não venha ninguém da família. Sou daqueles que não querem se preocupar com nada. Não é hora de ficar procurando filho na arquibancada. Quero jogar voleibol. Acho que nenhum jogador da seleção tem tempo para isso.
A partir deste domingo, Serginho começa sua própria contagem regressiva. Faltam 14 dias (se o Brasil for à final) para dar adeus à seleção. Depois, começará outro: o de dois anos para a aposentadoria da quadras. Uma decisão que parece definitiva.
— Não dá. Você paga um preço, e essas coisas não voltam. Não fui a uma reunião de escola. Meus filhos sentem minha falta — conta o líbero, pai de três rapazes. — O Mário tem 19 já. O Matheus, 16 e o Martin, 9. E eu sou muito ligado aos meus filhos. Você precisa viver. Até se pudesse jogar vôlei pelo resto da vida eu não ia querer não.
Contra o frágil México, o Brasil deve ter vida fácil. Mas o caminho da seleção até o ouro é incerto, principalmente após a derrota na decisão da última Liga Mundial. Certo mesmo, apenas que, após os Jogos, a seleção será uma apenas lembrança para Serginho. E das boas.
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