
Amiri, ao ser recebido pela família no retorno ao Irã: cientista foi acusado de trabalhar para a CIA (AFP/VEJA)
“Shahram Amiri, que facilitava ao inimigo [Estados Unidos] informações sigilosas, foi enforcado”, declarou em coletiva de imprensa semanal Gholamhosein Mohseni-Ejeie, citado pela agência Mizan Online, subordinada ao poder judicial. “Este indivíduo não imaginava que nosso sistema de inteligência sabia o que fazia e como foi levado à Arábia Saudita”, afirmou o porta-voz, acrescentando que “desde sua partida, um tribunal de primeira instância o havia condenado à morte”.
“Os Estados Unidos foram enganados neste caso por nosso sistema de inteligência”, disse ainda Mohseni-Ejeie, sem dar maiores detalhes. O departamento de Estado americano se negou a dar declarações a respeito. Em março de 2010, o canal americano ABC disse que o cientista iraniano havia desertado e estava trabalhando para a CIA. Um dia depois de sua volta ao Irã, o jornal The New York Times, citando funcionários dos Estados Unidos, disse que ele foi durante anos informante da Agência Central de Inteligência do país, a CIA, no Irã.
Em julho de 2010, depois de sua volta ao Irã, Amiri disse que havia sido sequestrado na Arábia Saudita por dois agentes que falavam persa e pertenciam à CIA, onde foi mantido por mais de um ano. Nessa época, a crise entre os ocidentais e o Irã, acusado de querer fabricar bomba atômica, estava em seu auge.
Entre janeiro de 2010 e janeiro de 2012, cinco cientistas iranianos foram assassinados em Teerã. As autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos, Israel e Reino Unido por estas mortes.
Irã e Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas desde 1980. No entanto, nos últimos anos, os chefes da diplomacia dos dois países realizaram negociações que permitiram solucionar o problema do programa nuclear iraniano com o acordo assinado em julho de 2015, e que entrou em vigor em janeiro passado.
(Com agência AFP)
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