
Rafaela Silva: foco e determinação para vencer as adversárias e seus demônios (Toshifumi Kitamura/AFP)
Ao final do enfrentamento decisivo com a judoca da Mongólia Sumiya Dorjsurena, Rafaela finalmente extravasou. Pulou na direção das arquibancadas, onde estava a irmã Raquel e outros amigos. Na sequência, ainda aos prantos, Rafaela desabafou. “Não queria ter aquele sofrimento de novo. Depois da minha derrota, quando todo mundo me criticou, que judô não era para mim, que eu era a vergonha pra minha família, agora eu sou campeã olímpica na minha casa.”
A derrota a qual Rafaela se referiu foi a eliminação nos Jogos de Londres, há quatro anos, quando ela foi punida sumariamente depois de aplicar um golpe ilegal na adversária, a húngara Hedvig Karakas. Não fosse apenas a frustração pela derrota, a judoca carioca teve de enfrentar uma enxurrada de críticas que extrapolaram a fronteira do
aceitável. Demonstrações de puro preconceito que, pelo desabafo reproduzido acima, ainda hoje ecoam na cabeça do judoca.
Raquel diz que não foi apenas o trauma londrino que a preparou para este momento. Foi toda uma vida. “Eu que cresci e vivi com ela sei de tudo o que ela passou, de tudo que teve abdicar para chegar a esse momento. Foram muitos anos de dedicação, de esforço. Nós é que vemos quando tem uma lesão, quando não vai bem numa competição.”
Por Alexandre Salvador/Veja
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