PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Procurador Geral da República, Augusto Aras - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Brasília - O procurador-geral da República, Augusto Aras, prorrogou o
prazo para o funcionamento da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba por
mais quatro meses, até o dia 31 de janeiro do ano que vem. O prazo é
menor do que o grupo havia pedido, de um ano a mais.
Atualmente,
há 14 procuradores cedidos para trabalhar nos processos relacionados à
maior operação de combate à corrupção no País, que resultou na prisão de
centenas de políticos e empresários. Desde a semana passada eles atuam
sob a coordenação do procurador Alessandro Fernandes de Oliveira, que
substituiu Deltan Dallagnol.
O prazo para a permanência da equipe
esgotaria nesta quinta-feira, 10. A decisão da PGR também mantém o
regime de dedicação exclusiva de 11 dos 14 integrantes, a pedido da
força-tarefa.
A autorização por prazo mais curto do que o
solicitado foi a opção adotada pelo procurador-geral sob o argumento de
que, até o fim de janeiro, deve ser definido no Conselho Superior do
Ministério Público Federal (CSMPF) um novo modelo que substitua as
atuais forças-tarefa, com mais estabilidade.
O novo coordenador
da Lava Jato concordou com o novo prazo. "A manutenção da equipe e
prorrogação maior que 60 dias (como ocorreu em outra FT) foi muito
positiva, sim", disse ao Estadão Alessandro Oliveira. Em conversas
reservadas, procuradores dizem que "ficou de bom tamanho". O tempo seria
o suficiente para continuar os trabalhos e para os órgãos de cúpula
buscarem uma estrutura de transição que permita que o trabalho da Lava
Jato tenha continuidade.
A decisão foi tomada em meio a uma queda
de braço com a força-tarefa paranaense. O procurador-geral é crítico do
modelo de forças-tarefa e defende o que chama de "correção de rumos" na
operação. Nos bastidores, porém, a ofensiva de Aras é tratada por
procuradores como uma tentativa de enfraquecer as investigações e
favorecer a classe política.
Na ação mais polêmica até aqui, o
procurador exigiu a cópia do banco de dados da operação. Diante da
negativa dos procuradores do Paraná, Aras ingressou com uma ação no
Supremo Tribunal Federal (STF) para obter as informações. Após uma
liminar favorável do presidente da Corte, Dias Toffoli, durante o
recesso parlamentar, o relator do caso, ministro Edson Fachin, barrou o
compartilhamento.
Segundo a PGR, a prorrogação por quatro meses
foi tomada para que o procurador natural tenha "protagonismo na atual
decisão quanto aos quadros e ao tempo da atuação conjunta" e se
familiarize com os membros que o auxiliam.
A Procuradoria-Geral
da República informou que caberá ao Conselho Superior do Ministério
Público Federal "adotar soluções para ampliar e institucionalizar a
atuação conjunta no combate à corrupção em todo o País".
Na
semana passada, uma liminar no Conselho Superior já havia autorizado a
prorrogação por 1 ano. No entanto, a PGR entende que cabe apenas ao
procurador-geral definir sobre a designação de integrantes. A reportagem
questionou diversos integrantes do MPF sobre se a liminar deixa de
valer ou se precisa ser analisada pelo plenário do Conselho Superior,
mas ainda não há consenso sobre o tema.
Despacho. Diferentemente
de episódios recentes, a decisão foi tomada após diálogo entre a PGR e a
força-tarefa. O vice-procurador-geral, Humberto Jacques de Medeiros,
que assinou o despacho, conversou por mais de seis horas nos últimos
dias com o novo coordenador da operação.
No despacho, Jacques
também mencionou propostas para superar os problemas que a atual gestão
da PGR identifica no modelo das forças-tarefa. Um deles, segundo o
vice-procurador, é conciliar o reforço a grupos específicos sem
prejudicar as unidades do MPF às quais os procuradores cedidos são
originalmente vinculados. Segundo ele, entre as possíveis medidas está a
criação de novos ofícios de combate à corrupção em unidades do MPF que
necessitem, como Curitiba, por exemplo, o que depende de apreciação do
CSMPF.
No parecer, diz que há precariedade na atuação dos membros
da força-tarefa. Ele cita, como exemplo, a possibilidade de um
procurador ser retirado do caso a qualquer momento, a dependência de um
ato do procurador-geral da República para terem sua designação
prorrogada. Ele disse também que hoje a escolha dos integrantes de uma
FT não tem critérios claros e objetivos, o que, segundo ele, reforça a
ideia de que é feita com base em "confiança e afinidade". Essas são,
para o vice-procurador-geral características próprias de cargos e
funções comissionados, e não de um agente do Ministério Público. "A
transformação de atribuições em tarefas e a substituição de membros
autônomos e inamovíveis por membros precariamente lotados longe de seus
Ofícios naturais é estruturalmente uma subversão do modelo
constitucional de Ministério Público."
A PGR afirmou que o
equacionamento definitivo e não precário desse quadro não passa por
prorrogações sucessivas do modelo da Lava Jato, mas sim pelo
deslocamento do tema para o Conselho Superior do MPF. O colegiado poderá
redesenhar as atribuições na Procuradoria no Paraná, aumentar o número
de ofícios no local a partir da extinção de unidades em municípios, ou
mesmo propor investimentos no Grupo de Atuação Especial de Combate ao
Crime Organizado do Ministério Público Federal no Paraná (Gaeco) no
Paraná, iniciativa aprovada ainda na gestão Rodrigo Janot, mas que só
saiu do papel em agosto, na gestão Augusto Aras.
(Por:Estadão Conteúdo)
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