
'Não pleiteio nenhum espaço, mas recomendo aos amigos que me perguntam', disse, negando que apoio possa atrapalhar Bolsonaro, já que integra o impopular governo Temer - Wilson Dias / Agência Brasil
Brasília - O ministro-chefe da Secretaria de Governo,
Carlos Marun, disse nesta segunda-feira em entrevista no Palácio do
Planalto que tem "recomendado aos seus amigos" o voto no segundo turno
no candidato do PSL, Jair Bolsonaro. "Mesmo discordando de algumas
situações em relação às palavras do candidato Bolsonaro, eu entendo que o
meu pensamento encontra mais sinergia com as suas colocações", declarou
ele, listando a pauta em comum.
"Ele defende valorização da família, o combate duro à
violência, votou pelo impeachment como eu, pela redução da maioridade
penal Ou seja, existe uma maior proximidade ou uma menor distância entre
nossos pensamentos e com a pauta do nosso governo", comentou ele,
ressalvando que não vai fazer campanha para o deputado. "Não pleiteio
nenhum espaço, mas recomendo aos amigos que me perguntam o voto no 17",
apontou ele, negando que esse "apoio" possa atrapalhar do líder das
pesquisas, já que integra o impopular governo Temer. "Só recomendo aos
amigos", reiterou, após confessar ainda que nunca votou em Michel Temer,
vice da petista Dilma Rousseff.
No primeiro turno em 2018, o ministro informou que
apoiou a candidatura de Henrique Meirelles, o candidato do MDB, seu
partido. Mas não deixou de criticar o ex-ministro da Fazenda por não ter
defendido o governo Michel Temer durante a sua campanha. Segundo Marun,
que na verdade não votou no primeiro turno, porque estava em Brasília e
seu título é de Mato Grosso do Sul, "Meirelles foi pouco combativo,
pouco governo". E ironizou: "poderia ter sido um pouco mais (governo).
Talvez tivesse recebido mais votos". Meirelles terminou em sétimo lugar
na corrida eleitoral, com 1,2% dos votos, ficando atrás até mesmo do
Cabo Daciolo, do Patriota, que obteve 1,26% dos votos.
O ministro Marun falou que "seu voto sempre foi aberto"
e que não tinha "o menor problema" em dizer quem apoiou nas últimas
eleições. Ao listar os seus candidatos, acabou "confessando" que nunca
votou na candidata do PT, Dilma Rousseff, nem em 2010 e nem em 2014, o
que significava que nunca votou no vice Michel Temer, que era do então
PMDB, o seu partido. Justificou que votou nos tucanos José Serra e Aécio
Neves, nestas duas eleições, por questões regionais. Marun chegou a
confidenciar que, no primeiro turno de 2014, por orientação partidária,
votou até em Marina Silva, já que, no seu Estado, o MDB apoiava Eduardo
Campos, do PSB, que morreu em um acidente aéreo, abrindo a vaga para
Marina Silva. Marun contou ainda que nunca votou em Fernando Collor de
Mello ou em Fernando Henrique Cardoso. Mas que, em 1994, votou a favor
do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao comentar que nunca votou em Temer, por conta de
questões regionais, onde o MDB era contra o PT, Marun disse que, depois
de um tempo, acabou em algumas ocasiões, votando com o governo. Segundo
ele, a certa altura, o então vice-presidente o chamou para conversar
para convencê-lo a votar com o governo, justificando que o seu partido
estava no governo. Mas Marun ressaltou que depois apoiou a CPI da
Petrobras e o impeachment de Dilma.
Marun, no governo Temer, no entanto, tornou-se um dos
seus mais fiéis escudeiros, quando estava no Congresso e, depois, no
Planalto, como ministro-chefe da Secretaria de Governo.
(por:Estadão Conteúdo)
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