sábado, 11 de janeiro de 2020

Hospital Santa Catarina enfrenta superlotação

SUPERLOTAÇÃO
 Sem leitos disponíveis, pacientes ficam nas macas das ambulâncias das cidades do interior do estado
 Sem leitos disponíveis, pacientes ficam nas macas das ambulâncias das cidades do interior do estado

As acomodações improvisadas de pacientes nos corredores do Hospital Dr. José Pedro Bezerra, mais conhecido como Hospital Santa Catarina, não são novidade e a problemática não será resolvida a curto prazo. A afirmação é do médico Jacques Fiuza, diretor geral do hospital que funciona no bairro Potengi, zona Norte de Natal, como Pronto Socorro e maternidade. 

A unidade é a principal de referência para atendimentos de média e alta complexidades para pacientes de uma parte da capital potiguar e municípios da Região Metropolitana de Natal (RMN) como Ceará Mirim, Macaíba e Extremoz, além de toda a 3ª Região de Saúde do Rio Grande do Norte formada por outras 24 cidades – de Macau a Lajes, de Touros a Ielmo Marinho.

Mesmo sendo referência no atendimento para quase 30 municípios do RN, o Hospital Santa Catarina passou ao menos quatro meses sem o equipamento que processa imagens de raio-x, e os pacientes que necessitam de exames de tomografia computadorizada precisam se deslocar até o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, ou o Hospital Regional Doutor Deoclécio Marques de Lucena em Parnamirim.

A unidade possui 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e outras oito UTIs de médio risco, porém alguns leitos estão desativados devido descumprimento da empresa contratada para garantir a manutenção de incubadoras.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) informou que uma nova licitação para contratar o serviço de manutenção das incubadoras neonatais está em fase avançada de finalização – as imagens de raio-x estavam sendo capturadas no Santa Catarina, mas o processamento das imagens vinham sendo feitos no Hospital Giselda Trigueiro.

A Sesap acrescentou que o equipamento de raio-x voltou a funcionar esta semana, e que as tomografias estão levando entre 3 e 5 dias para serem realizadas em outras unidades: os exames mais urgentes são encaminhados para o Walfredo Gurgel, e os demais para o Deoclécio Marques.

“O Hospital Santa Catarina possui uma alta demanda devido ao fato de os hospitais da 3ª Região de Saúde não possuírem porte de média e alta complexidade. Hoje (ontem), existem 19 pacientes internados em leitos extras, no corredor. No que se refere a pacientes em macas no chão, estas são advindas de ambulâncias das prefeituras dos municípios da 3ª Região de Saúde”, declarou a Sesap através de nota emitida após questionamentos da reportagem da TRIBUNA DO NORTE.

Visita de fiscalização
Com a demanda de toda a 3ª Região de Saúde do Estado mais parte da RMN, uma área onde vivem cerca de 600 mil pessoas, o diretor do Hospital Santa Catarina se diz “orgulhoso” do trabalho desenvolvido pela equipe. “Somos a unidade referência no atendimento de hemodiálise, procedimentos de alto risco, traumas abdominais, temos um centro cirúrgico movimentado que só não atende casos de ortopedia e neurocirurgias, e realizamos entre 280 e 350 partos por mês no setor de obstetrícia”, listou o médico, que assumiu a direção do Santa Catarina em novembro de 2018.

Jacques Fiuza admite dificuldades, e avalia que “gostaria de dar uma assistência melhor” aos pacientes que chegam de outras regiões devido a falta de condições de internação em vários municípios. “Temos enfermaria de clinica médica com 25 leitos, mais 16 leitos no próprio Pronto Socorro divididos em duas enfermarias. E, de fato, temos dias com pacientes no corredor. Mas não temos superlotação e conseguimos atender tranquilamente a demanda obstetrícia”, garantiu.

O assunto voltou a ser notícia após visita de fiscalização promovida na última quarta-feira (8) pelo Sindicato dos Médicos do RN. O presidente do Sinmed-RN, o médico Geraldo Ferreira, relatou os problemas identificados em seu perfil nas redes sociais.

“A visita foi solicitada por médicos que trabalham no próprio hospital, e constatamos a situação. Mesmo os problemas pontuais precisam ser relatados. Verificamos questões na parte de atendimento, recursos humanos e insumos”, disse Ferreira, explicando que o papel do Sinmed-RN é “solicitar correções aos gestores, no caso a Sesap. O sindicato ainda pode levar a questão ao o Conselho Estadual de Saúde, pode acionar o Ministério Público do RN, e ainda entrar com ação pedido soluções. O fato é que me impressionou muito, um quadro dramático que merecia intervenção”, reforça.

O presidente do Sinmed-RN declarou discordar da justificativa apresentada pela Sesap para explicar a presença de pacientes nos corredores do Hospital Santa Catarina. “Se o sistema de saúde é único, o paciente deveria ser atendido em qualquer lugar. O SUS não pode deixar as pessoas que moram no interior sem assistência, é inconcebível e não diminui a responsabilidade no atendimento”, avaliou Geraldo Ferreira.

Números
280 a 350 partos são realizados mensalmente no Hospital Santa Catarina

20 leitos de UTIs neonatal

8 leitos de UTI de médio risco

25 leitos de clinica médica na enfermaria

16 leitos no Pronto Socorro

24 municípios da 3ª Região de Saúde enviam pacientes para internamento na unidade

3 a 5 dias é o prazo estimado para realização de tomografia computadorizada



(Via:Yuno Silva/TN)

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