segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O jogo mais difícil da história de Alberi

ÍDOLO DO ABC F. C.

 Um dos maiores jogadores de futebol do Rio Grande do Norte e único a ser premiado como um dos melhores atletas do Campeonato Brasileiro defendendo um clube local, está participando do confronto mais difícil de sua vida: o jogo contra a diabetes. As complicações geradas pela doença conhecida como “pé diabético” já forçou os médicos a amputarem dois dedos do pé direito do ex-jogador abecedista, que ainda corre o risco de aumentar o grau de amputação, caso a circulação na perna, justamente com a qual encantou milhares de torcedores, não volte a níveis normais.

Essa batalha silenciosa, o craque enfrenta minuto a minuto há uma semana, mas não reclama e tenta manter o bom humor apesar da mutilação do seu corpo. Aos amigos que vão visitá-lo o lamento pelo ocorrido surge em tom de brincadeira: “agora eu não posso mais bater de três dedos na bola”, disse ao secretário de Esporte e Lazer de Natal, Eduardo Machado.


Ana SilvaSuerda Morais realizou, junto com um grupo, o documentário que retrata a carreira de AlberiSuerda Morais realizou, junto com um grupo, o documentário que retrata a carreira de Alberi

Essa batalha contra a doença vem sendo travada desde 2010, quando foi internado na ocasião no Hospital Natal Center com os primeiros sintomas de agravamento de seu quadro clínico. Na ocasião, apesar de o estado ter sido considerado preocupante o tratamento realizado surtiu o efeito desejado e Alberi não precisou passar pelo tratamento que é considerado o último recurso para conter o avanço da inflamação.

Desde então, o jogador ganhou uma companheira de batalha na luta para enfrentar a diabetes, Suerda Morais, que junto aos amigos da cadeira de Jornalismo Cassio Hazin, Dhara Ferraz e Júlio Yowyo, escolheram o ídolo abecedista para estrelar o curta metragem: Alberi, o craque alvinegro, que serviu como trabalho conclusão do curso na UnP.

Suerda ressalta que a admiração por Alberi praticamente foi transmitida através do DNA do falecido pai, que era fã do camisa dez do ABC. “Eu venho de uma família de torcedores abecedistas e praticamente cresci vendo e ouvindo meu pai falar de Alberi. Então eu fiquei com esse personagem místico na minha mente e sintomaticamente acabei me transformando em outra grande fã dele, que é uma figura magnifica como pessoa e elegante tanto dentro quanto fora de campo. Minha única frustração, se é que posso chamar assim, foi nunca ter visto Alberi jogando futebol”, afirmou.

A ideia de realizar o curta metragem como trabalho de conclusão do curso de jornalismo, surgiu justamente quando ela ficou sabendo que o grande ídolo estava enfrentando dificuldades e que corria o risco de ter a perna amputada. “Eu trabalhava na TV Tropical, na época, e estava na ilha de edição quando vejo o material de Glauber Nascimento falando da situação de Alberi. Rapidamente me veio a ideia de mostrar a história desse cara tão importante para história do futebol potiguar, na verdade eu queria ajudar ele de alguma forma a superar aquele momento difícil”, salientou.

Em 2010 a mobilização para auxiliar o ex-jogador foi melhor, pois ele ficou internado no Natal Hospital Center, aonde recebeu todo tratamento necessário. Mas algumas promessas realizadas pelos dirigentes do ABC na ocasião não foram realizadas até hoje.

“Recordo que representantes da diretoria abecedista prometeram unir forças para dar um plano de saúde a Alberi, já que ele tinha diabetes e, portanto, teria de realizar um acompanhamento muito rigoroso do seu quadro de saúde para evitar complicações e o risco de ter de se submeter a algum tipo de amputação. Lá se foram cinco anos e hoje, diante da situação, podemos comprovar que tudo aquilo que foi dito, não passou de promessa vazia”, reclama Suerda Morais.

Mas o insucesso após sete meses de tentativas junto a diretoria do clube, não serviu para desanimar a luta pelo projeto de auxiliar Alberi a desfrutar de um padrão de vida mais digno. Suerda conseguiu montar um grupo de amigos e admiradores do eterno camisa dez alvinegro e busca apoio por outros meios. Mesmo que a passos de formiga, a união de amigos vai conseguindo modificar o quadro que antes parecia de abandono quase que total.

“Meu pai teve uma infecção num calo seco que retirou e foi levado para o Clóvis Sarinho com problema de infecção no pé. Sem reclamar ele ficou lá, sentado numa cadeira plástica aguardando a hora do atendimento, ciente de que deveria ser internado. Por sorte apareceu um médico que o reconheceu e arranjou a transferência dele para o hospital Ruy Pereira, onde ele vem sendo muito bem acompanhado, mas não existe estrutura para tratamento do problema dele. Com isso, mesmo após a amputação nós tivemos de realizar exames no Hospital Santa Catarina e no Onofre Lopes, mas sempre dependendo da ambulância, que quando não quebrava, era preciso que a gente ficasse aguardando horas, até que ela pudesse nos trazer de volta do Santa Catarina”, disse o filho de Alberi, Adenilton Matos.

Mas por intermédio desse grupo de apoio, já foi obtido o encaminhamento do ex-atleta para internação no Hospital Onofre Lopes, que reúne todas as condições para o tratamento do pé diabético. Bem como estão sendo recolhidas doações que o atleta, como amputou em torno de 30% do pé direito, irá necessitar. A cadeira de banho foi doada pelo ABC, a cadeira de rodas também já foi providenciada, falta ainda a doação do aparelho que o craque terá de usar a partir de agora para medir e procurar controlar o nível de glicemia no sangue.

O risco de perder mais uma parte do pé ou até o membro inferior direito ainda não foi descartado pelos médicos. Para tentar minimizar a possibilidade foi prescrito um tratamento na câmara hiperbárica com a finalidade de melhorar a oxigenação no local da ferida. Alberi está realizando testes com um médico da Marinha, especializado neste tipo de tratamento, para saber se terá condições de ser submetido a esse tipo de procedimento.

Neste momento o grupo de apoio ao ex-jogador do ABC espera apenas que ele vença essa segunda batalha para dar continuidade a mais uma etapa do plano de auxílio a Alberi. “Depois de passado esse sufoco, já que estamos na torcida para que ele saia vitorioso dessa batalha e não precise ser obrigado a sofrer uma nova mutilação, nós vamos iniciar o projeto da exposição fotográfica que pretendemos realizar na Pinacoteca do Estado sobre a carreira de Alberi. Iremos cobrar um valor simbólico e todo dinheiro arrecadado será revertido em prol da família, pois frente a essa nova realidade Alberi  não tem como sobreviver de forma digna recebendo pouco mais de dois salários-mínimos”, destacou Suerda Morais.

"Alberi se apresentava com o caso de lesão infecciosa no pé direito, que devido ao seu quadro de diabético evoluiu de forma muito rápida e nós tivemos de realizar a limpeza do local com a amputação de dois dedos. Os antibióticos ministrados limitaram o quadro infecioso e com o tratamento na câmara hiperbárica agente quer melhorar a oxigenação na área afetada. O caso merece atenção e o risco de aumentar o grau de amputação só acaba, num paciente desse tipo, quando ele recebe alta. E isso não tem previsão de acontecer” - Davi Valério, cirurgião que operou Alberi.

O que é Pé Diabético
O pé diabético é uma complicação do Diabetes mellitus e ocorre quando uma área machucada ou infeccionada nos pés desenvolve uma úlcera (ferida). Seu aparecimento pode ocorrer quando a circulação sanguínea é deficiente e os níveis de glicemia são mal controlados. Qualquer ferimento nos pés deve ser tratado rapidamente para evitar complicações que possam levar à amputação do membro afetado.

Prevenção
Os pés devem ser inspecionados diariamente à procura de pequenas feridas, bolhas, áreas avermelhadas, alterações nas unhas, proeminências ósseas e mudanças na forma dos pés. A inspeção deve necessariamente incluir a planta dos pés. Para realizar essa inspeção muitas vezes será necessário utilizar um espelho. Nos casos em que exista problema de visão é importante contar com a ajuda de outra pessoa.

Cuidado especial deve ser tomado na escolha do sapato, que deve ser macio, leve e moldado na forma dos pés.


Evite andar descalço ou com sandálias e chinelos; na presença de "dormência" nos pés deve ser mantido controle periódico com ortopedista.

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