Intitulado “Rafael Ilha – As pedras do meu caminho”, o
livro conta a trajetória do menino prodígio que conquistou uma legião de
fãs, sucesso, milhões de discos vendidos e viu tudo isso ruir em função
das drogas e de sua dependência química. “A história da minha vida
finalmente foi colocada no papel e ainda vai virar um filme”, adianta o
ex-Polegar.
Rafael chegou na casa dos 40 e diz que quando olha para
trás, percebe que está no auge de sua maturidade. Para ele, 2015 é um
ano especial. Sua filha nasceu, a biografia está prestes a ser lançada e
ainda ele estuda o projeto de um longa-metragem com direção de Lucas
Margutti. E não para por aí: Rafael volta ao mercado musical com um CD
em parceria com Alex Gill.
Mas nada disso seria possível se não estivesse limpo e
livre das drogas há 15 anos. “É muito difícil sair, mas dá! Sou um
exemplo vivo disso. Cheguei a fumar 70 pedras de crack por dia, tive
nove overdoses, quatro paradas cardíacas e passei por 30 internações.
Foi uma luta para largar o vício, minha família foi destruída. Mas
consegui e dei a volta por cima.”
Foi aí que veio a primeira internação. E com isso,
lembranças fortes e um desabafo sincero: “Não existia clínica de
reabilitação. Os dependentes químicos iam parar em hospitais
psiquiátricos. Tomei choque, fui amarrado e recebi tratamento dos
piores”. Parece que não foi o bastante para aprender a lição. Entre idas
e vindas a essas instituições, Rafael chegou ao fundo do poço. Morou
quatro meses embaixo de um viaduto. Desse tempo, um pequeno relato:
“Ninguém está na rua porque quer e sim porque é escravo da droga e pensa
24h em como consegui-la. É fogo, tem treta toda hora, crocodilagem,
paulada enquanto você está dormindo. Não dá para bobear um minuto”.
O ultimato aconteceu quando revirava o lixo de uma
lanchonete em busca de comida. “Encontrei um pedaço de cachorro quente, e
antes de morder, me bateu um sentimento de revolta. Foi aí que eu
coloquei na cabeça que não dava mais para mim.” Hoje guiado por sua fé,
ele acredita na transformação de um homem e em milagres. “Comigo
aconteceu um monte deles.” E dá valor às coisas simples da vida. “Gosto
de ficar com a minha mulher, jogar futebol com meu filho, brincar com a
minha bebezinha ou mesmo subir na ponte estaiada e olhar a cidade. Sou
apaixonado por São Paulo”, resume.
Os amigos foram essenciais no processo de
reabilitação. Poucos sabem, mas o apresentador Fausto Silva, quem
escreveu a orelha de sua biografia, correu atrás de um tratamento de
ponta quando ele mais precisou. “Faustão salvou a minha vida”, revela.
Zezé de Camargo e Luciano também prestaram sua solidariedade e
contribuíram para Rafael montar uma clínica no litoral paulista. “Cada
um ajudou de uma forma. Serei eternamente grato a eles.” Mágoas não
guarda de ninguém. É assunto para deixar de lado: “A mágoa corrói a
gente por dentro”.
Em sua penúltima passagem pela polícia, em 2014, Rafael e a
mulher, Aline Kezh, foram detidos sob acusação de tráfico internacional
de armas. Os dois foram soltos perante o pagamento da fiança de R$ 55
mil por Elias Abrão, irmão de Sônia e dono da produtora Câmera 5,
responsável pelo programa da jornalista exibido na Rede TV!. “O Elias me
conhece desde o tempo do Polegar, ele que gravou meus primeiros
clipes.” À época da soltura, quando questionado pela imprensa se
mandaria Rafael embora, Elias foi categórico: “Não, Rafael vai ter que
me pagar!” Bom, com emprego garantido e vida financeira saudável, como
afirma, é só uma questão de tempo.
Fonte: IG
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