
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
O ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso há três anos, mencionou cerca de 120 políticos em uma tentativa fracassada de fechar um acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. Além disso, afirmou ter arrecadado R$ 270 milhões, em cinco anos, para dividir com correligionários e aliados, sendo 70% via caixa dois, de acordo com reportagem de Felipe Bächtold, da Folha, e Rafael Neves, de The Intercept Brasil.
A proposta de delação de Cunha foi entregue a procuradores em meados de 2017. No entanto, seus relatos foram considerados pelos investigadores superficiais demais. Por isso, o acordo não foi homologado.
Um dos documentos que mostram a proposta foi compartilhado entre procuradores em um chat do aplicativo Telegram, em julho de 2017. O arquivo faz parte do material encaminhado ao The Intercept Brasil e analisado pelo site e pela Folha de S. Paulo, em mais uma divulgação da Vaza Jato.
Michel Temer (MDB) está entre um dos principais alvos dos relatos, como também o ex-ministro Moreira Franco (MDB) e o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (sem partido).
A maioria dos políticos mencionados na proposta de delação é relacionada a essa articulação, em 2014. Ele afirmou ter arrecadado R$ 148,6 milhões naquele ano, repassados a mais de 60 deputados. As fontes listadas desses recursos são empreiteiras, como a Odebrecht “empresas de ônibus”, “montadoras de veículos”, JBS, além de doações oficiais de bancos. Como contrapartida, foram citadas aprovações de medidas de interesse desses grupos no Congresso.
O ex-deputado era acusado de quebra de decoro por ter mentido em depoimento a uma CPI. Ele declarou que não possuía contas no exterior.
O ex-deputado diz que Joesley, que mais tarde viraria delator, buscava colocar no Ministério da Fazenda do futuro governo, Henrique Meirelles, que naquele ano presidia o conselho de administração da controladora da JBS. Cunha diz que, por ter conseguido convencer Temer dessa nomeação, obteve junto ao empresário promessa de “crédito ilimitado”.
Rodrigo Maia
Disse, também, que agiu para que Maia ficasse à frente de uma comissão de transportes da Casa, em 2013.
Garotinho
Os relatos de Cunha começam abordando seu papel junto a Antony Garotinho, em 2003, quando Rosinha Garotinho governava o Rio de Janeiro.
Cunha declara que, naquela época, colocou um aliado no comando da Cedae (estatal de saneamento do Rio), o que garantiu controle sobre um fundo de pensão da companhia. Desvios na previdência da estatal, diz ele, financiaram o pagamento de mesada a Garotinho.
Sem interesse
O relato de Cunha não interessou o grupo de procuradores, que incluíam membros do Ministério Público Federal no Paraná, DF, Rio, Rio Grande do Norte e da Procuradoria-Geral da República. No chat, eles citam que pesaram contra o ex-deputado “péssimos elementos de corroboração, omissões evidentes, inconsistências”.
Orlando Martello, da força-tarefa da Lava Jato do Paraná, declarou que a maioria das histórias apresentadas por Cunha já tinha sido revelada por outros colaboradores. “Sobram poucos [capítulos] que o conhecimento é só dele. Ainda assim, nesses ele minimiza enormemente a sua responsabilidade, quando o termo não é demais genérico”.
(Por:Revista Forum)
Nenhum comentário:
Postar um comentário