NOVAS REVELAÇÕES
Verador Dr. Jairinho no dia em que foi preso pela morte do menino Henry
Rio - A babá de Henry Borel, de apenas 4 anos, Thayná
Oliveira Ferreira, prestou um novo depoimento na 16ªDP (Barra da
Tijuca) e confessou que Monique Medeiros, a avó materna do menino e a irmã de Dr. Jairinho sabiam das agressões. Durante as declarações, a babá relatou três ocasiões diferentes em que Henry foi agredido pelo vereador.
O casal foi preso na última quinta-feira (8) acusado de atrapalhar as investigações do caso.
Eles são acusados de homicídio duplamente qualificado pela morte de
Henry no dia 8 de março. Confira os detalhes do depoimento de Thayná:
Três episódios de agressões
Em mais de sete horas de declarações, a qual O DIA teve
acesso, Thayná revelou que o casal brigava com frequência, quase toda
semana, entretanto em portas fechadas ou por telefone, nunca na frente
dela. "Era comum até que um dos dois estivesse com malas prontas, para
'sair de casa', porém, estranhamente, mesmo quando ouvia tons de voz
mais exaltados no interior do quarto, quando o casal saía, tudo estava
bem, já que saíam se beijando e se abraçando", disse a babá.
Sobre a relação entre
Jairinho e Henry, Thayná disse que percebeu algumas situações anormais.
No dia 02 de fevereiro, quando Monique estava no futevôlei, pela manhã, a
babá estava com o menino e o vereador no apartamento. Num dado momento,
Henry chamava pela mãe e Jairinho saiu do quarto do casal e foi até o
quarto da criança, onde a babá também estava. Segundo ela, o político
chamou Henry de mimado e o chamou par uma conversa a portas fechadas.
"Ficaram cerca de 30
minutos com a porta fechada, porém não ouvi qualquer barulho", afirmou a
babá, que após isso perguntou ao menino o que tinha acontecido e ele
apenas disse que "tinha esquecido, que estava com soninho". Ela insistiu
em saber o que houve, mas Henry disse novamente que esqueceu.
Thayná contou que
Monique chegou logo em seguida e foi tomar banho e Jairinho tomou café e
saiu. Após o vereador deixar o apartamento, a babá contou o que havia
acontecido para a mãe de Henry, que disse que ia procurar saber o que
houve.
No mesmo dia, Henry foi
para a escola e na volta foi para a brinquedoteca. De acordo com Thayná,
ele se recusou a brincar com as outras crianças porque estava com dor
no joelho. Ela disse que não associou a dor ao episódio com Jairinho
pela manhã.
A babá relatou que os
dias se passaram e nada mais foi comentado. Segundo ela, Jairinho passou
a levar presentes para Henry, que o agradecia.
No dia 12 de fevereiro, a
babá estava com a criança e Jairinho o levou para dentro do quarto.
Thayná entrou em contato com Monique e passou a relatar os fatos.
Minutos depois, Henry saiu do quarto alegando dores e mancando.
A babá disse após fazer
uma chamada de vídeo com a mãe do menino onde os dois falaram sobre as
agressões, Jairinho retornou ao apartamento, visivelmente exaltado,
questionando o menino "Henry, o que falou pra sua mãe", "Você gosta de
ver sua mãe triste com o tio", "Você mentiu pra sua mãe". Thayná afirmou
que o menino estava em seu colo e respondia, acuado, que não havia
falado nada, que não havia feito nada.
De acordo com a babá,
Jairinho passou a questioná-la se ele ligou para a mãe, o que eles
falaram. Então, Thayná pediu para que o vereador se acalmasse, "momento
em que o mesmo começou a tentar tirar Henry do meu colo, estendendo as
mãos e o chamando insistentemente, mas o menino não quis ir, se
encolhendo no meu colo". Em seguida, a babá contou que sentou-se no chão
para tentar acalmar o menino e que Jairinho ficou em pé. Foi aí que a
babá incentivou Henry a dizer o que havia ocorrido, sendo que, neste
momento, na presença do namorado da mãe. Então, o menino confirmou que
havia ligado para a mãe e dito que ele havia lhe agredido.
A babá disse que
Jairinho que Henry não poderia mentir para a mãe dele, que ele "ficava
triste". Então o vereador se afastou e a babá terminou de arrumar as
coisas do menino e desceu com ele, tendo deixado o político no
apartamento. Cerca de cinco minutos depois, Monique chegou e pediu para
que ela entrasse com a criança no carro para darem uma volta. Segundo
ela o "passeio" durou quase 3h e assim entraram no carro, a mãe de Henry
pediu para que ela contasse novamente o ocorrido.
Thayná afirmou que
Monique se mostrou nervosa e começou a perguntar a Henry, que confirmava
com a cabeça que havia sido agredido sim. Assim que voltaram para o
condomínio, Monique deixou a babá com Henry no carro e subiu sozinha.
Monique desceu com os pertences de Thayná, bem como com as malas dela e
do menino, as quais já estavam prontas porque eles, iriam viajar no fim
de semana por conta do carnaval.
Monique disse a babá que
iria para Bangu e se propôs a deixá-la perto de sua residência, na
Taquara. No entanto, Thayná disse que a distância entre sua casa e o
Majestic é pequena, que demora apenas cerca de 06 minutos de carro, mas
Monique fez questão de deixá-la em um posto de gasolina situado na
esquina de sua casa.
À noite, Rosangela,
empregada da família, ligou para a babá para perguntar o que havia
acontecido, ocasião em que ela contou que o menino havia reclamado que
tinha apanhado de Jairinho. Segundo a babá, apesar de Monique ter dito
que iria a Bangu, no dia seguinte, a partir dos Stories do
Instagram, ela viu que casal estava junto em Mangaratiba, aparentando
estarem bem um com o outro, carinhosos, o que, inclusive, que isso lhe
causou estranheza.
Segundo a babá, ela
teria voltado a trabalhar na quarta-feira de cinzas e viu que tudo
estava bem, sendo que Henry contou à ela que só foi para Mangaratiba no
último dia da viagem, o que foi confirmado por Monique. Nesse mesmo dia,
Thayná viu um exame de raio-x em nome de Henry e questionou a patroa,
que disse que levou ele pra fazer exames devido as dores no joelho, mas
afirmou que "não era nada".
Passados alguns dias,
babá perguntou à Monique quando seu tio poderia ir até o apartamento
para fazer um orçamento referente às câmeras de monitoramento que haviam
comentado durante o diálogo do dia 12 de março. A mãe do menino disse
que teria que ver, mas não deu muita importância, segundo a babá. Após
mais alguns dias, Thayná chegou a falar mais uma vez sobre as câmeras,
mas Monique se esquivou novamente, dizendo que havia esquecido, mas que
iria ver. Depois disso, Thayná não tocou mais no assunto.
De acordo com a babá, na
semana seguinte, Monique foi à psicóloga e no caminho deixou Henry e
Thayná na casa da avó materna do menino, que logo perguntou o que havia
acontecido. A babá contou tudo para ela, que ficou assustada e ficou
indagando para saber se Henry estava ou não mentindo, mas ela disse que o
menino estava mancando, com dor na cabeça e com um roxo, porém não quis
insistir muito no assunto, porque ficou com medo de Monique achar
que ela estava fazendo "fofoca" para a mãe.
O terceiro episódio de
agressões que Thainá percebeu aconteceu na última semana de fevereiro.
Segundo ela, Jairinho chegou inesperadamente e chamou Henry. Quando o
menino saiu do quarto relutou a contar o que havia acontecido, parecendo
intimidado, mas logo depois disse que havia caído da cama e estava com a
cabeça doendo.
A babá disse que não
notou mais nada de anormal, até que no dia 08 de março ela soube da
morte de Henry. Ela revelou que soube da notícia através de uma ligação
da irmã de Jairinho. "Como assim, passou mal e morreu? É uma criança",
questionou a babá. A irmã do vereador confirmou que Henry tinha passado
mal e morrido e logo desligou o telefone. Thayná disse que mandou
mensagem à Monique, porém esta não respondeu. Cerca de três dias depois,
após ela já ter mandado algumas mensagens, finalmente a mãe da criança
respondeu agradecendo a declarante por ter cuidado de Henry.
(Por Jessyca Damaso, Anderson Justino & Bruna Fantiti/O Dia
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