quinta-feira, 15 de julho de 2021

Diretora da Precisa diz que nunca ofertou Covaxin por US$ 10. De acordo com Emanuela Medrades, a ata da reunião de 20 de novembro de 2020, feita no Ministério da Saúde, é mentirosa.

 COVAXIN

 

 Diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, negociou a compra das vacinas indianas Covaxin.

A diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, afirmou que a vacina indiana Covaxin nunca foi oferecida a US$ 10 por dose ao governo brasileiro. De acordo com ela, a ata da reunião de 20 de novembro de 2020, feita no Ministério da Saúde, é mentirosa.

"Existia a expectativa de que o valor da vacina chegasse a US$ 10. Não sei porque colocaram que custava US$ 10, porque não foi ofertado este valor. Existia expectativa. É mentira (a ata da reunião)". Emanuela afirmou que não teve a oportunidade de revisar a ata da reunião.

Os senadores da CPI da Covid interrogam nesta quarta (14) Emanuela Medrades, diretora técnica da Precisa Medicamentos, que negociou a compra das vacinas indianas Covaxin com o governo de Jair Bolsonaro.

A diretora da Precisa informou que o primeiro valor oferecido por dose da vacina ao governo brasileiro foi US$ 15, em 12 de janeiro 2021.

No documento citado por Emanuela, o governo brasileiro informou, após reunião com representantes da Precisa e da Bharat Biotech, que foi a vacina indiana custava US$ 10 com a possibilidade de o preço baixar a depender da quantidade de doses que o governo brasileiro comprasse. Porém, o acordo, fechado em 25 de fevereiro deste ano, previa o pagamento de US$ 15 a unidade, o mais alto entre os seis imunizantes negociados até agora pelo País.

Defesa irrita senadores

A interrupção dos advogados que acompanham a diretora técnica da Precisa Medicamentos para "explicar" as respostas da depoente causaram estranhamento e reclamações dos senadores da CPI da Covid. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) chamou atenção para as interrupções dos advogados após a diretora Emanuele Medrades dizer que dois servidores do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda e William Santana, mentiram ao informar a data que receberam o e-mail com a "invoice" (pedido de pagamento) da Precisa Medicamentos.

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Randolfe questionou por que Emanuela também não acusou o ex-secretário executivo Élcio Franco e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, de mentirem – uma vez que eles também informaram uma outra data para o envio da "invoice", de acordo com a diretora. Nesse momento, um dos advogados pediu a palavra e os senadores o impediram de falar, esclarecendo que ele não é depoente. Randolfe chegou a sugerir que a acusação de mentira para uns e de "equívoco" para outros seria uma estratégia dos advogados, que estariam induzindo as respostas.

"Vamo combinar assim: todos não correspondem à verdade, tanto os (membros) do governo quando os que aqui depuseram", disse Randolfe. Em seguida, um dos advogados pediu a palavra e quis explicar por que Emanuela acusou apenas os depoentes de mentir. Os senadores o interromperam.

"Presidente, coloca logo os advogados para responderem em nome dela, porque não há uma resposta que ela dá que não tem 'petição de orelha' no ouvido dela", ironizou a senadora Simone Tebet (MDB-MS). "Fiquei honrado, porque no meu momento de inquirir vossas excelências responderam mais do que a depoente", completou Randolfe.

Reclamação da Anvisa

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) trouxe à CPI da Covid um comunicado no qual, segundo ela, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teria alertado o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, sobre uma suposta ingerência da Precisa Medicamentos na negociação da vacina indiana Covaxin. Segundo o comunicado, que foi lido pela senadora, a Anvisa reclamava que mensagens enviadas a setores da agência causavam "tumulto à instrução processual" para aprovar a vacina.

A agência reclamou de mensagens e e-mails enviados pela Precisa e pediu para que o Ministério da Saúde centralizasse a negociação. "Encarecemos que as manifestações no âmbito dessa negociação seja centralizada no Ministério. O motivo de tal solicitação se deve ao fato de que a interveniente tem, por intermédio de mensagens eletrônicas e e-mails, copiado setores e diretorias da Anvisa com informações alusivas ao processo que podem causar tumulto à instrução processual", dizia o comunicado, segundo a senadora.

Crime de evasão

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) criticou o fato de não ser divulgado o valor que ficaria com a Precisa Medicamentos por intermediar a compra de vacinas de doses da Covaxin junto à Bharat Biotech. Em seguida o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), perguntou à Emanuela Medrades, diretora técnica da Precisa Medicamentos, se a empresa tem uma companhia fora do Brasil. Ela disse que não.

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Em seguida, Tasso perguntou como a Precisa Medicamentos iria receber o pagamento (o valor não foi divulgado por Emanuela), se o recebimento do montante pago pelo governo brasileiro seria recebido em dólar pela empresa Madison Biotech, sediada em Cingapura. "Como que a Precisa vai receber a sua remuneração se não tem filial no exterior? Porque ela vai receber em dólar, não vai poder receber em real", indagou.

"Seria uma operação de câmbio, obviamente, mas continua sendo uma informação confidencial que eu também não sei. Eu sou farmacêutica da companhia", alegou Emanuela.

Tasso disse que a situação pode envolver o crime de evasão de divisas ou sonegação fiscal. "Não está em nenhuma disposição que a Precisa vá apresentar o Imposto de Renda ao Fisco e às autoridades a sua remuneração nessa proposta", concluiu.

Logo no começo do depoimento o senador Eduardo Braga (MDB-AM) também manifestou seu estranhamento com o fato de a ordem bancária de pagamento ser para o exterior em dólar, ao invés de um pagamento em real envolvendo uma guia de câmbio.

 

(Por:Estadão Conteúdo)

Tasso pediu ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), que se faça um requerimento para que a CPI consiga o contrato de compra e outros documentos que a Precisa Medicamentos alega ser confidencial.

 

 

Acareação

A CPI da Covid decidiu que fará uma acareação entre a diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, e o irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF), o servidor e chefe da divisão de importação do ministério Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda.

O objetivo é confrontar versões diferentes sobre o processo de aquisição da vacina indiana Covaxin. Nesta quarta-feira, em depoimento à CPI, Emanuela Medrades negou que tenha enviado o documento com informações fiscais da vacina indiana, o qual é chamado de “invoice”, para o Ministério da Saúde, no dia 18 de março. Esse documento, segundo Medrades, só foi encaminhado para a pasta no dia 22 daquele mês.

A declaração contraria a versão dada por Luis Ricardo Miranda e pelo consultor técnico da pasta da Saúde William Amorim Santana, em depoimentos à CPI. Os dois afirmaram que a primeira “invoice” teria sido enviada no dia 18 e tinha uma série de erros que contrariavam o próprio contrato assinado. Os erros foram apontados como indícios de um esquema de corrupção na compra das doses.

Durante depoimento na CPI, Emanuela desafiou Luis Ricardo e William Santana a comprovarem suas versões e aceitou fazer a acareação na comissão. O procedimento que deve ser realizado, de acordo com o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), em agosto. Renan afirmou que "muitos pontos" precisam ser esclarecidos.

Os senadores exibiram um vídeo em que Emanuela fala, no dia 23 de março, durante audiência no Senado, que encaminhou uma série de documentos, inclusive a “invoice” para o Ministério da Saúde "na quinta-feira passada", ou seja, no dia 18. Ela admitiu que criou um “link na nuvem”, ou seja, na internet, com documentos nesta data, mas afirmou que inicialmente não havia a “invoice” e que ela não foi detalhista ao falar da data. "Eu já provei que esse documento não estava com o ministério no dia 18, ele só apareceu no dia 22. Eu desafio o William Amorim e o Luis Ricardo a provarem o contrário", declarou. O governo sustenta que a versão do documento do dia 18 foi falsificada.

Depoimento de Maximiano fica para agosto

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), acaba de anunciar que a CPI não vai conseguir ouvir Francisco Emerson Maximiano, sócio-administrador da Precisa Medicamentos, nesta quarta-feira, dia 14. O depoimento dele vai ficar para agosto, depois do recesso, em data ainda a ser divulgada.

A CPI da Covid vai ser suspensa durante o recesso do Congresso Federal, de 18 a 31 de julho.

São muitos senadores inscritos para fazer perguntas à depoente que a CPI está ouvindo agora, a diretora técnica da empresa, Emanuela Medrades.

 

 

 

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