HA 53ANOS
Jogadores de linha italianos abraçam o goleiro Donnarumma, herói após pegar as duas últimas cobranças inglesas na final da Eurocopa.
A única certeza que se tinha sobre a disputa da final da Eurocopa deste
domingo (11), em Wembley, era de que o vencedor faria história, já que
dois jejuns, cada um com um peso diferente, estavam em jogo. Por fim, o
momento histórico foi protagonizado pela Itália. Após empate por 1 a 1
no tempo normal, o time comandado por Roberto Mancini, articulador de
uma revolução no futebol italiano, superou a Inglaterra por 3 a 2 nos
pênaltis, com atuação decisiva do goleiro Donnarumma, e voltou levantar a
taça do torneio continental após 53 anos.
Vice-campeã em 2000 e
2012, a seleção italiana havia vencido a Eurocopa apenas uma vez, em
1968, na mesma década em que os ingleses comemoraram o único título de
sua história: a Copa do Mundo de 1966. Por isso, a derrota dói muito
para a Inglaterra, que chegou pela primeira vez à disputa da final do
torneio e sucumbiu diante da própria torcida, em um estádio cheio.
Mais
do que o fim do jejum, os italianos coroam o grande momento que vivem
desde 2018. Com uma mudança na filosofia de jogo, a equipe termina a
Eurocopa como dona do melhor ataque, com 14 gols marcados durante a
campanha. Além disso, atinge a incrível marca de 34 jogos de
invencibilidade.
O cenário da grande decisão parecia resgatado de
um passado não tão distante, quando o mundo ainda não havia sido tomado
pela pandemia de covid-19. Para quem se acostumou a ver, de casa,
finais de futebol com estádios vazios ou público bastante limitado, foi
um choque de realidade ligar a TV e se deparar com mais de 67 mil
torcedores nas arquibancadas de Wembley, número ainda maior que os já
impressionantes 64.950 presentes na semifinal entre Inglaterra e
Dinamarca.
Não há como descrever o sentimento de quem estava ali,
mas é certo que se criou uma atmosfera que contagiou os donos da casa,
não à toa eles precisaram de menos de dois minutos para abrir o placar.
Tudo começou quando Kane se apresentou no campo de defesa, avançando em
velocidade antes de acionar Trippier. O lateral-direito esperou Shaw se
projetar em direção à área para fazer o lançamento ao companheiro, que
foi de encontro com a bola e bateu de primeira. Assim, Shaw marcou o gol
mais rápido da história em uma final de Eurocopa.
A postura
ofensiva que vem colocando os holofotes sobre Roberto Mancini, por
subverter a ideia de que os italianos só sabem jogar na retranca,
esbarrou em uma Inglaterra bem armada defensivamente por Gareth
Southgate. A formação com três zagueiros adotada pelo treinador
britânico se justificou com resultados na defesa e no ataque, até porque
o gol foi marcado em jogada com assistência e conclusão dos dois
laterais.
Diante de tal configuração, não foi muito comum ver o
goleiro Pickford trabalhando durante o primeiro tempo. A Itália dominou a
posse de bola e contou com investidas pontuais, principalmente em
jogadas de Chiesa, mas não foi o suficiente, e o árbitro apitou o fim da
etapa inicial em meio a cantos empolgados e ansiosos da imensa maioria
dos presentes no estádio, formada por torcedores ingleses.
A
Inglaterra foi para o intervalo com uma única finalização, a que
originou o gol, e voltou para o segundo tempo sem demonstrar interesse
em aumentar esse número. A Itália, por outro lado, entrou em campo
sentindo a mesma dificuldade de antes para encontrar espaços no campo
adversário. De qualquer maneira, fizeram, em 15 minutos, o que não
conseguiram fazer em toda a etapa anterior: colocar Pickford para
trabalhar, interceptando finalizações perigosas de Insigne e Chiesa.

Sem abrir mão da postura extremamente defensiva, com raros momentos
de alívio, a seleção inglesa se acostumou a ter a Itália em seu campo e
não manteve a solidez. Aos 21 minutos, momento no qual os italianos
tinham cerca de 70% de posse de bole, Bonucci aproveitou o rebote depois
de um cabeceio de Verratti, que acertou a trave após cobrança de
escanteio, e empatou o jogo.
A partir da segunda metade do
segundo tempo, o jogo ficou mais truncado e ganhou ares de tensão. Toda a
adrenalina teve que ser contida aos 41 minutos, quando um torcedor
invadiu o gramado e forçou a interrupção da partida. Os minutos finais,
com direito a seis de acréscimo, correram com a Itália no campo de
ataque tocando a bola com paciência e certa hesitação, o que provocou
uma avalanche de vaias da torcida até o árbitro apitar o fim do tempo
regulamentar.
As vaias que encerraram o segundo tempo subiram
novamente assim que a Itália tocou na bola no início da prorrogação.
Como no resto da partida, os italianos mantiveram o domínio, só que
encontraram uma Inglaterra mais disposta a buscar jogadas no campo de
ataque, o que deixou o jogo mais aberto, com chances para os dois lados.
Os primeiros 15 minutos, no entanto, terminaram sem gols.
A
etapa final foi de muito nervosismo. Do lado italiano, o sangue subiu em
um lance no qual os jogadores clamaram pela marcação de um pênalti após
um toque de Stones, com o braço junto ao corpo, mas o árbitro mandou
seguir. O tempo foi passando, a torcida praticamente se calou diante da
tensão e a história ficou para ser feita na disputa de pênaltis.
Nas
penalidades, após Berardi e Harry Kane converterem, Belotti foi o
interceptado por Pickford e a Inglaterra se colocou na frente quando
Maguire acertou a cobrança na sequência. Logo depois, foi a vez de
Rashford, que entrou justamente para a disputa de pênaltis, acertar a
trave, antes de Bernadeschi converter para os italianos.
Então,
veio uma sequência de erros: Sancho viu sua cobrança defendida por
Donnarumma e Jorginho parou em Pickford. A responsabilidade de manter a
Inglaterra viva caiu nos pés de Saka, que não conseguiu completar a
missão. Donnarumma foi preciso ao pular no canto esquerdo e deu o título
para a Itália, novamente campeã da Eurocopa após 53 anos.
Ficha técnica
Itália 1 (3) X (2) 1 Inglaterra
Itália – Donnarumma; Di Lorenzo, Bonucci, Chiellini e Emerson (Florenzi); Jorginho, Barella (Cristante) e Verratti (Locatelli); Chiesa (Bernardeschi), Immobile (Berardi) e Insigne (Belotti). Técnico: Roberto Mancini.
Inglaterra – Pickford; Walker (Sancho), Stones e Maguire; Trippier (Saka), Phillips, Rice (Henderson, depois Rashford), Shaw, Mount (Grealish) e Sterling; Harry Kane. Técnico: Gareth Southgate.
Gols – Shaw, no primeiro minuto do primeiro tempo. Bonucci, aos 21 do segundo tempo.
Cartões amarelos – Barella, Bonucci, Chiellini, Insigne, Jorginho e Maguire.
Árbitro – Bjorn Kuipers (Holanda)
Público– 67.173 torcedores.
Local – Estádio de Wembley, em Londres (Inglaterra).
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