TOCAR FOGO?
Alessandra Bernardo
alessabsl@gmail.com
A confusão entre taxistas e loteiros que usam carros particulares, de
placa cinza, para fazer o transporte de turistas para o Aeroporto
Internacional de São Gonçalo do Amarante está respingando de forma
negativa nas empresas de turismo e traslado legalizadas, em Natal.
Temerosos, os empresários relatam casos de abordagens agressivas aos
passageiros, que são constrangidos a seguirem a viagem nos táxis, e as
ameaças de incêndio aos veículos, mesmo que estes sejam autorizadas para
oferecer o serviço.
“São abordagens violentas, com batidas nos vidros e latarias dos
carros, palavrões e ameaças de incêndio, isso tudo para que os
passageiros desçam das nossas vans, que são autorizadas pelas
autoridades de trânsito para o transporte de passageiros, e continuem a
viagem com eles. Nas últimas duas semanas, pelo menos quatro vans da
minha empresa foram atacadas, porque essa é a palavra certa. Meus
clientes foram amedrontados e constrangidos a seguirem para o aeroporto
nos carros dos mesmos que nos atacaram. Estou chocada”, desabafou a
empresária Raquel Rodrigues.
Revoltada, ela disse que o último caso ocorreu na quarta-feira
passada (30), quando havia crianças e idosos na van abordada e que a
situação a deixou desanimada com a profissão. Ela explicou que após
forçarem a parada da van, os taxistas abriram as portas traseiras do
veículo e retiraram as malas dos turistas e as colocaram nos seus
carros, obrigando-os a irem ao aeroporto com eles. “Foi uma coisa
inexplicável, eu fiquei sem reação quando soube e não sabia o que dizer
aos meus clientes”, afirmou.
O empresário Francisco Borges, que possui loja no aeroporto novo,
disse que a situação atual é de terrorismo e que teme pela segurança e
integridade dos seus funcionários, veículos e clientes. E que essa é a
primeira vez que está acontecendo esse impasse entre taxistas e
empresas, já que antes, quando o terminal era localizado no município de
Parnamirim, as duas categorias trabalhavam em conjunto, ou seja, ao
contrário do que acontece hoje.
“Essa é uma situação muito séria, porque os taxistas não estão
abordando somente os irregulares, mas também quem é autorizado e
credenciado tanto nos órgãos de trânsito como Ministério do Turismo e
Inframérica para esse tipo de serviço, como nós, que também pagamos
impostos pesados e temos uma série de investimentos na área. Não
queremos brigar com ninguém, queremos trabalhar e restabelecer o padrão
de convivência pacífica com eles, sem desavenças, porque todos nós somos
pais e mães de família e temos o direito de trabalhar”, desabafou.
Ele reconhece que há pessoas que exploram o transporte clandestino de
passageiros entre Natal e São Gonçalo do Amarante e atrapalham o
serviço de quem trabalha de forma legalizada, autorizada. E que é
preciso ter fiscalização para evitar que isso continue acontecendo. “Mas
que isso seja feito por quem é responsável por isso e não por taxistas
que agem de forma agressiva, sem razão. Temos registros de que isso
aconteceu com duas empresas, vários relatos, o que é inadmissível”,
ressaltou Francisco.
Empresas atacadas registram ocorrência
Raquel Rodrigues revelou que após o último ataque, ela registrou o
caso na Polícia Civil e entrou na justiça com pedido de tutela
antecipada para poder continuar trabalhando sem riscos para seus
funcionários ou clientes. E revelou que os empresários já solicitaram
uma audiência com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social,
Elieser Girão, para apresentar os registros dos incidentes e pedir que
sejam tomadas atitudes para evitar que os taxistas cumpram suas ameaças.
“Tivemos casos de passageiros que perderam os voos porque foram
impedidos de seguir viagem na van e acabaram se atrasando, e isso está
repercutindo nas agências de viagens de outros estados, que já estão
tomando conhecimento da situação aqui em Nata e suspenderam os pacotes
para cá. Os turistas estão assustados, com medo e com razão de estarem
assim. Minha família no Rio Grande do Sul soube do ocorrido pela
internet e estão temerosos, ou seja, coisas que denigrem os nomes das
nossas empresas e também a imagem da cidade”, afirmou.
O empresário Thales Góes disse que a situação é insustentável e que
nem mesmo o direito de escolha dos turistas está sendo respeitado, ao
serem forçados a seguirem com os táxis. “Se ele vem com um pacote
turístico fechado e isso inclui o traslado para o aeroporto, ninguém
pode intervir nisso, assim como nos casos dos turistas que chegam ao
terminal e podem escolher se querem vir nas nossas vans ou de táxis. E
temos sim contato com funcionários de hotéis, que sempre nos recomendam
quando o grupo de visitantes precisa de um veículo maior para
deslocamento. Isso é normal”, enfatizou.
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