segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Donos de vans legalizadas denunciam abordagens agressivas de taxistas. Constrangimentos vão desde palavrões até ameaças de incêndio. Ocorrências foram registradas na Polícia

TOCAR FOGO?

Foto: Arquivo
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Alessandra Bernardo
alessabsl@gmail.com

A confusão entre taxistas e loteiros que usam carros particulares, de placa cinza, para fazer o transporte de turistas para o Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante está respingando de forma negativa nas empresas de turismo e traslado legalizadas, em Natal. Temerosos, os empresários relatam casos de abordagens agressivas aos passageiros, que são constrangidos a seguirem a viagem nos táxis, e as ameaças de incêndio aos veículos, mesmo que estes sejam autorizadas para oferecer o serviço.

“São abordagens violentas, com batidas nos vidros e latarias dos carros, palavrões e ameaças de incêndio, isso tudo para que os passageiros desçam das nossas vans, que são autorizadas pelas autoridades de trânsito para o transporte de passageiros, e continuem a viagem com eles. Nas últimas duas semanas, pelo menos quatro vans da minha empresa foram atacadas, porque essa é a palavra certa. Meus clientes foram amedrontados e constrangidos a seguirem para o aeroporto nos carros dos mesmos que nos atacaram. Estou chocada”, desabafou a empresária Raquel Rodrigues.

Revoltada, ela disse que o último caso ocorreu na quarta-feira passada (30), quando havia crianças e idosos na van abordada e que a situação a deixou desanimada com a profissão. Ela explicou que após forçarem a parada da van, os taxistas abriram as portas traseiras do veículo e retiraram as malas dos turistas e as colocaram nos seus carros, obrigando-os a irem ao aeroporto com eles. “Foi uma coisa inexplicável, eu fiquei sem reação quando soube e não sabia o que dizer aos meus clientes”, afirmou.

O empresário Francisco Borges, que possui loja no aeroporto novo, disse que a situação atual é de terrorismo e que teme pela segurança e integridade dos seus funcionários, veículos e clientes. E que essa é a primeira vez que está acontecendo esse impasse entre taxistas e empresas, já que antes, quando o terminal era localizado no município de Parnamirim, as duas categorias trabalhavam em conjunto, ou seja, ao contrário do que acontece hoje.

“Essa é uma situação muito séria, porque os taxistas não estão abordando somente os irregulares, mas também quem é autorizado e credenciado tanto nos órgãos de trânsito como Ministério do Turismo e Inframérica para esse tipo de serviço, como nós, que também pagamos impostos pesados e temos uma série de investimentos na área. Não queremos brigar com ninguém, queremos trabalhar e restabelecer o padrão de convivência pacífica com eles, sem desavenças, porque todos nós somos pais e mães de família e temos o direito de trabalhar”, desabafou.

Ele reconhece que há pessoas que exploram o transporte clandestino de passageiros entre Natal e São Gonçalo do Amarante e atrapalham o serviço de quem trabalha de forma legalizada, autorizada. E que é preciso ter fiscalização para evitar que isso continue acontecendo. “Mas que isso seja feito por quem é responsável por isso e não por taxistas que agem de forma agressiva, sem razão. Temos registros de que isso aconteceu com duas empresas, vários relatos, o que é inadmissível”, ressaltou Francisco.

Empresas atacadas registram ocorrência
Raquel Rodrigues revelou que após o último ataque, ela registrou o caso na Polícia Civil e entrou na justiça com pedido de tutela antecipada para poder continuar trabalhando sem riscos para seus funcionários ou clientes. E revelou que os empresários já solicitaram uma audiência com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Elieser Girão, para apresentar os registros dos incidentes e pedir que sejam tomadas atitudes para evitar que os taxistas cumpram suas ameaças.

“Tivemos casos de passageiros que perderam os voos porque foram impedidos de seguir viagem na van e acabaram se atrasando, e isso está repercutindo nas agências de viagens de outros estados, que já estão tomando conhecimento da situação aqui em Nata e suspenderam os pacotes para cá. Os turistas estão assustados, com medo e com razão de estarem assim. Minha família no Rio Grande do Sul soube do ocorrido pela internet e estão temerosos, ou seja, coisas que denigrem os nomes das nossas empresas e também a imagem da cidade”, afirmou.

O empresário Thales Góes disse que a situação é insustentável e que nem mesmo o direito de escolha dos turistas está sendo respeitado, ao serem forçados a seguirem com os táxis. “Se ele vem com um pacote turístico fechado e isso inclui o traslado para o aeroporto, ninguém pode intervir nisso, assim como nos casos dos turistas que chegam ao terminal e podem escolher se querem vir nas nossas vans ou de táxis. E temos sim contato com funcionários de hotéis, que sempre nos recomendam quando o grupo de visitantes precisa de um veículo maior para deslocamento. Isso é normal”, enfatizou.

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