SERVIÇO PÚBLICO
Brasília (AE) - Em meio à campanha eleitoral, o Senado
pautou para esta semana a apreciação de um projeto que reformula a Lei
de Licitações e mexe com o modelo de contratação das construtoras, um
dos setores que mais doam recursos financeiros aos candidatos nas
eleições de outubro. A medida é criticada por técnicos do Tribunal de
Contas da União (TCU), que veem nela problemas graves, como a
possibilidade de responsabilizar pessoalmente o auditor, em casos onde
os indícios de irregularidades não sejam confirmados. Além disso, com
tantos requisitos, o novo regimento quase impossibilita a apresentação
de medidas cautelares. Finalmente, o projeto estabelece que quase todas
as licitações deverão passar pelo crivo prévio do TCU, aumentando o
volume de trabalho do tribunal.
Jane de Araújo
Renan Calheiros acha que o Congresso tem obrigação de votar a proposta em plenário este ano
A
proposta, defendida pelo governo como a melhor solução para destravar
as contratações públicas, prevê a incorporação das regras adotadas pelo
Regime Diferenciado de Contratação (RDC), modelo usado nas licitações de
obras da Copa que virou um mantra em concorrências da Infraero e do
Dnit. Pelo projeto, a lei passa a permitir a chamada “contratação
integrada”, modelo em que uma única empresa é escolhida para tocar todas
as fases de um empreendimento, desde a etapa preliminar de estudos de
engenharia até a construção e entrega definitiva da obra.A modalidade é criticada por instituições da área de arquitetura, que
chegam a atrelar uma suposta pressa na aprovação do projeto de lei a
interesses eleitorais. A alegação é que as mudanças favorecem as
construtoras, que se destacam na doação aos candidatos. “Essa proposta é
um retrocesso, tanto do ponto de vista de transparência como de
qualidade das obras. Querem contratar obras sem projetos, ficando à
mercê das empreiteiras”, diz Sérgio Magalhães, presidente do Instituto
de Arquitetos do Brasil (IAB).
Duas semanas atrás, o projeto
recebeu emendas da senadora e candidata ao governo do Paraná, Gleisi
Hoffmann, principal defensora da extensão do RDC para as concorrências
públicas. As propostas incluem a possibilidade de o contratado usar
preços de mercado para estabelecer o valor total do empreendimento, em
vez de se basear apenas em tabelas de custos oficiais do governo.
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