EM NATAL
A participação do poder público no setor turístico ganha importância na razão de que cabe a ele, entre outras medidas, regular a atividade a fim de que ocorra um desenvolvimento econômico e social equilibrado. Em Natal, o 6º Fórum de Turismo, que terminou ontem sexta-feira (20) no Centro de Convenções, trouxe esse tema para discussão, dando destaque à repercussão que o turismo causa em atividades socioeconômicas e, por isso, o poder público não pode ficar indiferente.
A consultora em gestão pública Cláudia Pessoal, palestrante no painel ‘O papel do poder público na condução do Turismo’ durante o Fórum, comentou que “a função do governo é um aspecto importante e complexo do turismo e envolve interferências políticas”.
“Muitas vezes o turismo está sujeito à intervenção governamental direta e indireta em decorrência das possibilidades de geração de emprego e renda que apresenta e, portanto, do seu potencial de diversificar e contribuir para as economias nacionais e regionais”, explicou. “A relevância do poder público é enorme. É como se fosse um fio condutor para os fins da atividade turística”, disse.
Em sua abordagem, Cláudia Pessoal destacou que o poder público deve focar seus trabalhos em dois paralelos: promocional e institucional. Ao mesmo tempo em que os governos – municipais, estaduais e federal – devem investir na divulgação do destino, alinhado ao mercado regional, nacional e internacional, é preciso institucionalizar/estruturar o poder público.
“Uma coisa é chamar atenção do turista para qual destino viajar. Outra é dizer-lhe onde se hospedar, se alimentar, como se deslocar nesse destino. Nesse caso é necessário que o poder público possa estar bem estruturado para intervir e ser o fio condutor do desenvolvimento, viabilizando, por exemplo, a concessão de linhas de crédito ao segmento”, explicou.
A consultora ainda afirma que as políticas públicas voltadas para o Turismo podem ser inspiradas em boas práticas existentes. “O nosso Ministério do Turismo é um exemplo. Ele tem pouco mais de onze anos, mas as ações voltadas para o turismo no país já vinham acontecendo antes de sua criação, inspirados em outros mercados. Hoje, o Estado de Minas Gerais se destaca com um governo que soube e ainda sabe aproveitar seus elementos de regionalização, segmentação e potencialidade de exploração. É um bom modelo de gestão a ser seguido”, afirmou.
A relevância do setor público no turismo pode ser justificada sob vários aspectos. A necessidade de favorecer estímulo à iniciativa privada tanto nos aspectos econômicos da exploração como na tecnologia profissional, investigação, planificação, programação é um deles.
O secretário de Turismo de Natal, o empresário Fernando Bezerril, conta que uma das maiores dificuldades da gestão do poder público no turismo do Rio Grande do Norte é a falta de segurança jurídica aos investidores.
“O investidor chega em nosso Estado, se planeja, constrói seu negócio e corre o risco de assistir a tudo ser destruído por poder uma liminar, por exemplo. Administrar onde não se tem regras claras é a nossa maior dificuldade enquanto gestor”, destacou.
Para Bezerril, Natal e o Rio Grande do Norte ainda têm muito a crescer no cenário turístico do país. “Hoje, os governos municipal e estadual estão mais interessados nessa atividade. Interesse esse que não me recordo ter visto em administrações passadas. Nós (poder público) somos a parte mais interessada nesse negócio. A arrecadação e o resultado das atividades no turismo é o que alimenta a máquina pública”, comentou o secretário.
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