Após várias modificações no projeto original, a reestruturação
da Avenida Engenheiro Roberto Freire, uma das vias de maior movimento em
Natal, deve ser iniciada a partir do segundo semestre do ano que vem.
Mesmo assim, ainda não é possível precisar uma data em que as obras
começarão, uma vez que o projeto depende de um parecer dos órgãos
ambientais responsáveis para ser levado adiante.
No
entanto, os recursos que permitem a reformulação da avenida já estão
assegurados. Pelo menos é o que garante a Secretaria de Infraestrutura
do Rio Grande do Norte (SIN), que concebeu a nova proposta em parceria
com membros da sociedade civil, como associações de ciclistas,
ambientalistas e comerciantes da região, além de representantes da
Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana da capital. Ao todo, a
reestruturação deve custar em torno de R$ 220 milhões ao governo
estadual.
// Jader Torres, secretário de infraestrutra: novas propostas
O
início das obras já havia sido adiado anteriormente, ainda durante a
gestão da ex-governadora Rosalba Ciarlini, por conter diversos pontos
polêmicos como a transformação da Roberto Freire em uma rodovia
expressa, de tráfego rápido, e a falta de preocupação ambiental ao
requerer o desmatamento de 45 mil metros (o equivalente a 11 campos de
futebol) de vegetação pertencente ao Parque das Dunas, para que fossem
construídas pistas de rolamento para os veículos nos dois sentidos da
via.
Se tudo ocorrer como espera a SIN, porém, a
“nova Engenheiro Roberto Freire” deve ser entregue à população em meados
de 2018, após dois anos em obras. Segundo explica o secretário de
infraestrutura do Estado, Jader Torres, foi preciso idealizar um outro
modelo, diferente do proposto no início, para que todas as adequações
fossem incluídas.
“Esse novo projeto foi feito em colaboração
com a população em geral, que são os principais interessados,
acrescentando e discutindo propostas”, declara.
// Avenida Engenheiro Roberto Freire: mudanças a partir do segundo semestre do próximo ano
Uma
das principais reivindicações, que agora faz parte do planejamento
apresentado, é a inclusão de mais ciclovias ao longo da Roberto Freire. O
trecho que será construído inicia-se ainda no começo da avenida,
cruzando a Via Costeira e encerrando-se no princípio da Rota do Sol.
Ao
todo, serão 3,5 quilômetros de faixa exclusiva para quem prefere
pedalar a ter que dirigir. A nível de comparação, a Engenheiro Roberto
Freire inteira possuí exatos 4,68 km de extensão.
De
acordo com Jader Torres, também será utilizado um material específico
para a pavimentação das ciclovias, que deve facilitar a aderência dos
pneus ao solo (sobretudo em dias de chuva), além de ser revestido em
tonalidade diferente do asfalto das vias destinadas a veículos, o que,
em tese, impede que um carro ou moto se confunda e invada a área
exclusiva para ciclistas. “Outra reclamação é a de que o asfalto atual
trepida muito por causa dos desníveis”, acrescenta.
Além
disso, o projeto também prevê uma passarela sobre a Via Costeira, que
deve ser erguida ligando o final do Parque das Dunas ao início da Rota
do Sol. Ela irá servir tanto a pedestres quanto a ciclistas, além de
poder fazer as vezes de mirante, já que do ponto mais alto da passarela
será possível ter uma boa visão das praias da cidade.
Em
relação ao tráfego de automóveis, as mudanças também devem ser
significativas. Segundo relata o secretário de infraestrutura, a
intenção é priorizar o trânsito de veículos de massa, como ônibus.
Porém, muitas intervenções estão previstas para deixar a movimentação de
carros e motos mais fácil e sem os atuais congestionamentos.
“Primeiro,
queremos eliminar alguns semáforos, como o na altura do Nordestão
Cidade Jardim e do Hiper Bompreço, que dá acesso à [avenida] Ayrton
Senna. Isso deve acabar com a grande concentração de veículos que sempre
é registrado nesses pontos”, explica Jader Torres, acrescentando que o
projeto também tem planos de eliminar outros faróis de trânsito, como o
existente no início da Rota do Sol, para dar lugar à construção de
trincheiras.
O titular da pasta informa também que
todo o planejamento ainda está em fase embrionária, o que significa que
ele pode passar por mais mudanças, dependendo das exigências do
licenciamento ambiental. Quando for aprovado, o projeto deve ser exposto
à população em duas audiências públicas, sem data definida até o
momento, para que as pessoas que transitam pela avenida conheçam as
alterações e também se preparem para os transtornos enfrentados durante o
período de obras.
Polêmicas marcaram projetos anteriores
A
reformulação da Avenida Roberto Freire, principal rota de quem deseja
chegar até destinos turísticos importantes da zona sul, como a Praia de
Ponta Negra e o Morro do Careca, já foi pivô de diversas polêmicas desde
a sua concepção.
A ideia inicial era transformar
a avenida em uma via expressa, de trânsito rápido, ampliando o número
de pistas de rolamento existentes em cada um dos sentidos da rodovia.
Pra isso, no entanto, seria necessário adentrar em terreno pertencente
ao Parque das Dunas, desmatando uma área de 4,5520 hectares
(aproximadamente 45 mil metros), o que equivaleria a 11 campos de
futebol.
A proposta recebeu diversas críticas de
ambientalistas, o que forçou a elaboração de um novo planejamento. De
acordo com o secretário Jader Torres, os planos de aumentar a velocidade
de tráfego dos veículos que transitam na Roberto Freire também
precisaram ser abandonados. Empresários que mantêm pontos na região
foram contra, alegando que o comércio seria prejudicado com as mudanças
previstas no projeto.
“Quando se aumenta a
velocidade de uma avenida, você corre esse risco de matar o comércio em
volta”, atesta Jader Torres, acrescentando que para a elaboração do novo
traçado foram feitas reuniões com representantes da Câmara dos
Dirigentes Lojistas de Natal (CDL) e Fecomércio, que aprovaram o novo
planejamento.
Ciclovia também na Rota do Sol
Com
orçamento previsto em mais de R$ 1,3 milhão, também se prevê a
implementação de uma ciclovia no trecho da RN-063 conhecido como Rota do
Sol. Esse projeto deve ser iniciado em paralelo com a reestruturação da
Avenida Roberto Freire, mas não faz parte do mesmo planejamento. As
duas vias exclusivas para ciclistas, inclusive, não se conectaram neste
primeiro momento.
“Estão
sendo feitos estudos para interligar as duas obras, mas isso não deve
acontecer agora”, afirma o secretário de Infraestrutura Jader Torres.
Enquanto
que a ciclovia da “nova Engenheiro Roberto Freire” deve ir até o
princípio da RN-063, a faixa exclusiva a ser construída na Rota do Sol
se estenderá das proximidades do Estádio Maria Lamas Farache
(Frasqueirão) até o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na entrada
de Pium.
Os principais interessados na
implementação das ciclovias na Rota do Sol e na Avenida Roberto Freire,
os ciclistas, também puderam participar da elaboração dos projetos de
reestruturação das duas vias, chegando, inclusive, a rejeitar propostas
que não estavam compatíveis com a realidade da cidade.
De
acordo com o presidente da Associação dos Ciclistas do Rio Grande do
Norte (Acirn), José Canuto, pelo menos dois esboços foram rechaçados
pela população, uma vez que não levavam em consideração questões
ambientais ou da própria estrutura dos bairros.
“Um
dos projetos apresentados, ainda no início, dividia o bairro de Capim
Macio em dois e transformava algumas vias em pistas de alta velocidade,
enquanto a quantidade de carros e pessoas era compatível com a
velocidade atual. Outra proposta também foi rejeitada por invadir área
do Parque das Dunas, por exemplo”, esclarece Canuto, que também é
presidente do Conselho Municipal de Políticas Cicloviárias (CMPC) em
Natal.
Ainda segundo ele, a reestruturação prevê
uma maior segurança para quem pedala pelas ruas da capital. A
preocupação, no entanto, é quanto à falta de respeito de muitos
motoristas, que insistem em invadir as faixas exclusivas para os
ciclistas.
Ele, afirma que várias reuniões estão
sendo realizadas em conjunto com representantes da Semob para discutir
uma maior liberdade para as bicicletas no trânsito de Natal.
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