
Senador José Serra - José SerraRoque de Sá/Agência Senado
São Paulo - A Polícia Federal pediu à Justiça que
autorizasse buscas contra o senador José Serra (PSDB-SP) para recolher o
aparelho celular usado pelo parlamentar. A solicitação, contudo, foi
negada pelo juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, que apontou a
diligência como medida 'extremamente gravosa' após o presidente do
Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, barrar diligências no
gabinete do tucano em Brasília. A coleta do celular de Serra faria parte
da Operação Paralelo 23, deflagrada nesta terça, para apurar suposto esquema de caixa dois na campanha eleitoral do tucano em 2014. O ex-diretor da Qualicorp, José Seripieri Junior, foi preso.
Vargas apontou que, apesar de a decisão do Supremo se
limitar somente ao gabinete de Serra no Senado, 'mostra-se mais
prudente' interpretar que o tucano poderia fazer uso do celular para
tratar de assuntos relacionados ao seu cargo. Para evitar discrepâncias
com a Corte, o magistrado afirmou que é recomendado esperar uma
resolução de mérito na ação apresentada pela Mesa Diretora ao STF. O
caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.
"Não obstante a busca e apreensão seja uma medida
adequada para a apreensão do celular do investigado, vislumbro que não
resta presente a necessidade para o deferimento da medida, uma vez que
há meio menos invasivo para obtenção do elemento de prova, consistente
na intimação da defesa do representado para a entrega do aparelho,
causando menor constrangimento ao investigado que aparentemente está com
problemas de saúde", afirmou.
O juiz deu 24 horas para a defesa do tucano
apresentar o aparelho caso entenda 'não haver qualquer tipo de
ingerência ao desempenho de sua atividade como congressista'. Serra está
internado desde o final de junho em um spa em Sorocaba, no interior de
São Paulo. Segundo sua assessoria, a Promotoria e a Polícia Federal têm
conhecimento da situação atual do tucano.
Lava Jato Eleitoral
O senador é alvo da Paralelo 23, fase eleitoral da
Operação Lava Jato. Os investigadores miram suposto caixa dois de R$ 5
milhões na campanha de José Serra ao Senado Federal, em 2014, por meio
de uma 'estrutura financeira e societária' encabeçada pelo empresário
José Seripieri Junior, da Qualicorp.
"Houve por parte do controlador desse conglomerado
empresarial da área de Saúde uma solicitação para uma pessoa que era
sócia dele em uma empresa para que criasse toda essa estrutura que tinha
por objetivo a transferência de recursos para o candidato investigado",
afirmou o delegado Milton Fornazari Júnior, responsável pela Paralelo
23.
Segundo ele, os recursos foram repassados a um grupo
que se encarregou da simulação de negócios jurídicos e contratos de
compra e prestação de serviços para 'justificar os repasses' que teriam
como destinatário final o tucano. De acordo com a PF, Serra teria
recebido R$ 5 milhões em três parcelas - duas de R$ 1 milhão e outra de
R$ 3 milhões.
"Foi criada assim uma estrutura financeira autônoma e
profissional ali para que os recursos fossem repassados de maneira
dissimulada visando impedir que as autoridades estatais tivessem o
conhecimento daquela fraude", explicou Fornazari.
COM A PALAVRA, JOSÉ SERRA
"O senador José Serra foi surpreendido esta manhã
com nova e abusiva operação de busca e apreensão em seus endereços,
dois dos quais já haviam sido vasculhados há menos de 20 dias pela
Polícia Federal. A decisão da Justiça Eleitoral é baseada em fatos
antigos e em investigação até então desconhecida do senador e de sua
defesa, na qual, ressalte-se, José Serra jamais foi ouvido.
José Serra lamenta a espetacularização que tem
permeado ações deste tipo no país, reforça que jamais recebeu vantagens
indevidas ao longo dos seus 40 anos de vida pública e sempre pautou sua
carreira política na lisura e austeridade em relação aos gastos
públicos. Importante reforçar que todas as contas de sua campanha,
sempre a cargo do partido, foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Serra mantém sua confiança no Poder Judiciário e
espera que esse caso seja esclarecido da melhor forma possível, para
evitar que prosperem acusações falsas que atinjam sua honra".
COM A PALAVRA, FLÁVIA RAHAL, ADVOGADA DE SERRA
A reportagem fez contato com a criminalista Flávia
Rahal, que defende o senador José Serra. O espaço está aberto para
manifestação.
COM A PALAVRA, O PSDB
O PSDB de São Paulo reitera sua confiança no senador
José Serra, pautada nos mais de 40 anos de uma vida pública conduzida de
forma proba e correta. Mantemos nossa confiança no poder judiciário e
no esclarecimento dos fatos.
COM A PALAVRA, A QUALICORP
"A nova administração da Companhia informa que
adotará as medidas necessárias para apuração completa dos fatos narrados
nas notícias divulgadas nesta manhã na imprensa, bem como colaborará
com as autoridades públicas competentes".
COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA CELSO VILARDI, QUE DEFENDE O FUNDADOR DA QUALICORP
(Por:Estadão Conteúdo)
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