DETERMINAÇÃO
Francisco Monteiro de Souza
está há oito anos trabalhando no
local e ainda não sabe o que fará para obedecer a determinação da Prefeitura. O medo é de perder a
clientela, já acostumada com o
comércio de frutos do mar na
área localizada na marginal da BR-101, próximo ao bairro
de Cidade Satélite. Foto: Wellington Rocha
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) emitiu
uma determinação para que os comerciantes instalados na marginal da
BR-101, com ponto de vendas de camarão, peixe e ostra, deixem o local
até o dia 25 de setembro. A decisão foi informada aos comerciantes em
reunião realizada na semana passada. Para os trabalhadores, essa medida
significa o fim da renda de muitas famílias.
“Nos colocaram esse grande obstáculo. Muitos de nós trabalhamos aqui
há muitos anos e não temos outro local para ir. Já somos conhecidos
pelas pessoas, mas com isso podemos perder nossa clientela. Nos pegaram
de surpresa e de quebra ainda vão acabar com nossa fonte de renda”,
disse Francisco Monteiro de Souza, que trabalha há oito anos na marginal
da rodovia.
Segundo Francisco, o pior da ordem de abandono do local é a falta de
perspectiva. “Eles nos deram esse prazo para sairmos daqui, mas não nos
deram nenhuma luz para onde possamos ir. Não sei o que iremos fazer”,
disse, afirmando que sempre sonhou com a padronização do comércio pela
Prefeitura Municipal de Natal, o que tornaria o lugar mais agradável
para os consumidores.
Há cinco anos no local, Aquiles da Silva é um dos que também sempre
defendeu a padronização e regularização dos comerciantes. “Não custa
nada para a Prefeitura regularizar a nossa situação. Se isso
acontecesse, seria mais fácil de termos segurança e um sistema de coleta
de lixo, pois nem isso aqui nós temos. Sempre estivemos nessa situação
precária, correndo riscos, mas não fazemos nada ilegal. Estamos apenas
ganhando nosso dinheiro”, declarou.
Sem banheiros, segurança pública e coleta de lixo, os comerciantes
relatam que a decisão da Semurb foi provocada por uma rede de atacados
inaugurada recentemente ao lado da área em que eles comercializam. “É
incrível como só quem tem poder são os ‘grandes’. Nós, que já não
tínhamos força para nada, estamos sendo esmagados pelo poder de quem tem
dinheiro”, informou Francisco de Souza.
Para lidar com o lixo gerado com as vendas dos crustáceos, os
trabalhadores informais disseram que pagam uma pessoa que é responsável
por colher o que é despejado, de modo a não atrair insetos e ratos.
Porém, o lixo e o mau cheiro que ficam no local são prejudiciais às
dunas que ficam logo atrás dos pontos de vendas.
A preservação das dunas teria sido a justificativa da Semurb para
retirar os comerciantes da área. A reportagem do O Jornal de Hoje entrou
em contato com a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo para confirmar
a situação dos comerciantes, mas não conseguiu contato com o titular da
pasta, nem com o responsável pelo departamento de fiscalização
ambiental.
A reportagem também entrou em contato com a Secretaria de Serviços
Urbanos (Semsur), responsável pela regularização dos comerciantes, mas
de acordo com a assessoria do órgão “não há nenhum projeto de
urbanização ou padronização desses comerciantes para ser executado ainda
em 2014″. De acordo com eles, o cronograma de ações para este ano está
completo com as reformas dos camelódromos dos bairros do Alecrim, Cidade
Alta e a orla de Ponta Negra.
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