segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Comerciantes terão que deixar ponto de vendas na marginal da BR-101. Segundo Semurb, área deve ser liberada até setembro

DETERMINAÇÃO

Francisco Monteiro de Souza  está há oito anos trabalhando no local e ainda não sabe o que fará para obedecer a determinação da Prefeitura. O medo é de perder a clientela, já acostumada com o comércio de frutos do mar na  área localizada na marginal da BR-101, próximo ao bairro  de Cidade Satélite. Foto: Wellington Rocha
Francisco Monteiro de Souza
está há oito anos trabalhando no
local e ainda não sabe o que fará para obedecer a determinação da Prefeitura. O medo é de perder a
clientela, já acostumada com o
comércio de frutos do mar na
área localizada na marginal da BR-101, próximo ao bairro
de Cidade Satélite. Foto: Wellington Rocha
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) emitiu uma determinação para que os comerciantes instalados na marginal da BR-101, com ponto de vendas de camarão, peixe e ostra, deixem o local até o dia 25 de setembro. A decisão foi informada aos comerciantes em reunião realizada na semana passada. Para os trabalhadores, essa medida significa o fim da renda de muitas famílias.

“Nos colocaram esse grande obstáculo. Muitos de nós trabalhamos aqui há muitos anos e não temos outro local para ir. Já somos conhecidos pelas pessoas, mas com isso podemos perder nossa clientela. Nos pegaram de surpresa e de quebra ainda vão acabar com nossa fonte de renda”, disse Francisco Monteiro de Souza, que trabalha há oito anos na marginal da rodovia.

Segundo Francisco, o pior da ordem de abandono do local é a falta de perspectiva. “Eles nos deram esse prazo para sairmos daqui, mas não nos deram nenhuma luz para onde possamos ir. Não sei o que iremos fazer”, disse, afirmando que sempre sonhou com a padronização do comércio pela Prefeitura Municipal de Natal, o que tornaria o lugar mais agradável para os consumidores.

Há cinco anos no local, Aquiles da Silva é um dos que também sempre defendeu a padronização e regularização dos comerciantes. “Não custa nada para a Prefeitura regularizar a nossa situação. Se isso acontecesse, seria mais fácil de termos segurança e um sistema de coleta de lixo, pois nem isso aqui nós temos. Sempre estivemos nessa situação precária, correndo riscos, mas não fazemos nada ilegal. Estamos apenas ganhando nosso dinheiro”, declarou.

Sem banheiros, segurança pública e coleta de lixo, os comerciantes relatam que a decisão da Semurb foi provocada por uma rede de atacados inaugurada recentemente ao lado da área em que eles comercializam. “É incrível como só quem tem poder são os ‘grandes’. Nós, que já não tínhamos força para nada, estamos sendo esmagados pelo poder de quem tem dinheiro”, informou Francisco de Souza.

Para lidar com o lixo gerado com as vendas dos crustáceos, os trabalhadores informais disseram que pagam uma pessoa que é responsável por colher o que é despejado, de modo a não atrair insetos e ratos. Porém, o lixo e o mau cheiro que ficam no local são prejudiciais às dunas que ficam logo atrás dos pontos de vendas.
A preservação das dunas teria sido a justificativa da Semurb para retirar os comerciantes da área. A reportagem do O Jornal de Hoje entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo para confirmar a situação dos comerciantes, mas não conseguiu contato com o titular da pasta, nem com o responsável pelo departamento de fiscalização ambiental.

A reportagem também entrou em contato com a Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur), responsável pela regularização dos comerciantes, mas de acordo com a assessoria do órgão “não há nenhum projeto de urbanização ou padronização desses comerciantes para ser executado ainda em 2014″. De acordo com eles, o cronograma de ações para este ano está completo com as reformas dos camelódromos dos bairros do Alecrim, Cidade Alta e a orla de Ponta Negra.

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