terça-feira, 5 de agosto de 2014

Defesa Civil fará reavaliação das 136 casas interditadas

MÃE LUÍZA

Nadjara Martins
repórter

A Secretaria Municipal de Obras Publicas e Infraestrutura (Semopi) investiga uma  possível fuga de material da estrutura de contenção do morro de Mãe Luiza. Após as chuvas que atingiram a capital no início da manhã de ontem (4), foi detectada a infiltração de água no aterramento da cratera. De acordo com a Semopi, ainda não foi possível identificar a causa do problema, uma vez que é preciso aguardar a estiagem das chuvas para a retirada da lona de proteção. Já a Defesa Civil inicia amanhã, em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) uma reavaliação das casas atingidas – atualmente, 136 estão interditadas.

Magnus Nascimento
Semopi investiga infiltração de água no aterramento da cratera entre a Guanabara e a Sílvio PedrozaSemopi investiga infiltração de água no aterramento da cratera entre a Guanabara e a Sílvio Pedroza

O início das precipitações aconteceu por volta das 3h da manhã. A água acumulada nas ruas Atalaia e Guanabara, no alto do morro, desceram pela lona sobre a cratera e carrearam areia para a avenida Sílvio Pedroza. A água, antes absorvida pelo morro se acumulou na via, que foi interditada entre as 8h30 e 10h30. Ao pé da cratera, a caixa de contenção do esgoto provisório estourou e jorrava água servida na rua.
Apesar de o tráfego na rua ter sido resolvido cedo – não houve nova interdição ao longo do dia – o motivo para preocupação estava encoberto. De acordo com o secretário adjunto de conservação da Semopi, Walter Fernandes, foram encontrados pontos de fuga do material sob a lona de contenção. Mesmo com equipe em campo durante o dia, não foi possível identificar a causa.

“Descobrimos a fuga de materiais, mas foi pequena e queremos identificá-la, mas não temos como abrir a lona enquanto estiver chovendo”, afirmou o secretário. Não há risco iminente para novos deslizamentos mas, de acordo com Fernandes, enquanto continuar chovendo ainda é preciso ter cuidado. “Enquanto chover será uma situação de risco”, acrescentou. 

Entre as possíveis causas para a entrada de água sob a lona impermeável é a reincidência da tubulação irregular de alguma casa ou rompimento da tubulação da drenagem provisória. 

A situação do aterro de Mãe Luiza não é a única que será reavaliada. A Defesa Civil iniciará amanhã o processo de reavaliação das casas interditadas nas ruas Atalaia e Guanabara. O processo será acompanhado por engenheiros da Semurb.

De acordo com Paulo César Ferreira, secretário municipal de Defesa Social (Semdes), a reavaliação vai durar, em média, duas semanas para ser concluída. 

“Vamos formar uma comissão de reavaliação para identificar quais casas já estão liberadas e os moradores poderão voltar”, apontou o secretário. Serão reavaliadas as estruturas das casas, da mesma forma como foi feito no início das interdições, em junho. Até o momento, 136 casas estavam totalmente interditadas (com alto risco de desabamento) nas duas avenidas. Estes moradores, que foram evacuados das casas, tinham direito de solicitar o aluguel social à Prefeitura. 

O prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves e o secretário de obras públicas e infraestrutura, Tomaz Neto viajam hoje à tarde para Brasília para nova audiência no Ministério das Cidades. O objetivo, segundo o titular da Semopi, é buscar uma resposta do ministério sobre os projetos apresentados para recuperação definitiva da encosta de Mãe Luiza. 

No dia 23 de julho, uma comitiva da Prefeitura apresentou os resultados das ações emergenciais ao Ministério da Integração e o projeto de recuperação definitiva ao das Cidades. O primeiro liberou R$ 3.340 milhões. As obras são tocadas pela empresa Ramalho Moreira.

Já a recuperação definitiva engloba drenagem, pavimentação, urbanização, substituição de rede de água, escadaria de acesso e construção das casas e custará R$ 8.297.919, 81. Por meio de assessoria de imprensa, o MC informou que não há prazo para fim da análise do projeto.


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