segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Mureta de ciclovia da Praia do Meio é alvo de reclamações da população. Os postes de iluminação pública do calçadão também oferecem dificuldades, em especial para pessoas com deficiência visual, já que eles não são sinalizados

OBSTÁCULO

“Eu passo por ela com muito sacrifício, porque minha perna doente dói e eu tenho que levantá-la bastante para passar por aqui” diz Francisca Soares. Foto: José Aldenir

A mureta da ciclovia na Praia do Meio, construída há poucos tempo, tem sido alvo de reclamações das pessoas que passam pelo local, principalmente os usuários de transporte público que precisam ultrapassar o obstáculo, que integra o projeto de reurbanização da orla de Natal. Com cerca de 30 centímetros em muitos pontos e sete acessos de pedestres, onde é rebaixada, a mureta atrapalha a travessia dos pedestres e pessoas com dificuldades de locomoção e impossibilita a passagem de cadeirantes.

A aposentada Francisca Soares, de 70 anos, é uma delas. Com uma perna doente e uma bengala, ela disse que todos os dias precisa atravessar a ciclovia para ter acesso ao quiosque em que trabalha com seu filho. “Eu pensei nisso assim que começaram a construir essa paredinha aí, que eu não sei para que serve. Eu passo por ela com muito sacrifício, porque minha perna doente dói e eu tenho que levantá-la bastante para passar por aqui”, falou.

A turista Leonice Carvalho, que veio do Rio de Janeiro, disse que não entendeu a necessidade da mureta e que ela deveria ser rebaixada, para facilitar a passagem das pessoas. “Assim que cheguei aqui, percebi que havia algo errado. Agora, vendo os passageiros fazendo malabarismos para ultrapassar a mureta para entrar nos ônibus, sei o que é. Infelizmente, há riscos para quem passa por aí”, explicou.

Os postes de iluminação pública do calçadão também oferecem dificuldades, em especial para pessoas com deficiência visual, já que eles não são sinalizados. “Imagine uma pessoa cega andando por aqui. Sem a demarcação na calçada, ela pode se chocar contra o poste e se machucar seriamente. São coisas que você vê que estão erradas e não entende como um engenheiro deixa passar isso”, falou o comerciante Francisco Hilário.

A Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi) informou que o projeto está correto e que não será feita nenhuma alteração, com relação às reclamações da população.

Falta de sinalização também é presente
Para o morador Anderson Grieco, além da mureta, outro problema grave do projeto é a falta de sinalização de trânsito no local, que proiba o estacionamento de veículos na lateral da ciclovia, por exemplo. “Uma coisa dessa você não vê em canto nenhum do país, a não ser aqui em Natal. Muito mal projetado, que coloca as pessoas em risco de uma queda, por exemplo. E ainda tem a falta de placas de trânsito”, disse.
Anderson questionou ainda a construção da mureta da ciclovia, que para ele não há necessidade alguma de existir. “Não tem para quê isso aí. Imagine uma pessoa de idade que precise atravessar essa mureta enorme, pode cair, bater a perna e se machucar, sem contar a falta de acessibilidade para cadeirantes, que precisam andar mais de 250 metros até achar um acesso para pedestres”, afirmou.

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