EXIGENTES
Marcelo Lima
marcelolimanatal@yahoo.com.br
A ordem da Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur) de Natal para os
camelôs da Cidade Alta a partir da próxima segunda-feira (4) é “cada um
no seu quadrado”. Por sinal, um quadrado bem pequeno na avaliação dos
comerciantes de rua. Pintados no chão como demarcação do espaço que cada
camelô pode ocupar, a área é de 1m por 1,20m.
Por esse motivo, os comerciantes rejeitaram o projeto de padronização
da Prefeitura de Natal. Na manhã deste sábado (2) cerca de três camelôs
utilizavam os conjuntos de bancas e guarda-sóis (sombreiros como a
Prefeitura prefere classificar) no calçadão da Rua João Pessoa. Enquanto
isso, vários comerciantes ainda esparramavam seus produtos pelas
calçadas da avenida Rio Branco tomando o passeio do pedestre.
Nesta última sexta-feira (1), a Semsur entregou 52 desses conjuntos
para comerciantes de rua devidamente cadastrados na secretaria. E a
partir da próxima segunda-feira (4) a secretaria promete fiscalizar a
manutenção do projeto de reordenamento do comércio ambulante. Ou seja,
ver se todo mundo vai ficar no seu quadrado.
Antonio Marcos de Carvalho, de 37 anos, trabalha como camelô há oito
anos no bairro da Cidade Alta. Ele foi um dos poucos a ter aderido à
ideia da Prefeitura de Natal já hoje. Mesmo assim, ele estava relutante.
“A qualidade não é boa [do conjunto] e não era o que a gente esperava,
mas tem que se adaptar com o que tem”, ponderou.
Segundo ele, a Prefeitura teria prometido uma banca com 1,50m por
1,20m. “Era também para ter feito uma cobertura estendida, uma tenda,
para o cliente sempre ficar na sombra e a gente também”, relatou. Com
esse espaço, pouco dos produtos dos comerciantes ficará exposta. “Muita
coisa não deu para colocar. Ficou guardado fone de ouvido, carrinho,
aviãozinho, aí eu boto duas ou três coisas de cada mercadoria”, mostrou.
O acordo entre os ambulantes e a Semsur sobre o espaço adequado e as
tendas teria sido firmado depois de conversas ainda no ano passado
segundo contou Carvalho. O pior é que as bancas ainda saíram menores,
erro que foi corrigido. “Ia ser de um metro por 80 centímetros, mas a
gente foi lá e reclamou”, disse.
Para o comerciante, a estrutura não irá proteger de ventos nem da
chuva. “Se der um vento, vai embora barraca com tudo. Demos sorte porque
o período de chuva está acabando. Mas quando voltar, a gente vai ter
que se adaptar para não molhar as mercadorias”, acrescentou.
Fátima dos Santos, de 41 anos, está na mesma situação. Ele terá que
adaptar as vendas de roupas e relógios em um espaço considerado mínimo
por ela. Hoje, ela só tinha colocado em exposição os relógios, pois não
havia espaço para as roupas. Vale lembrar que os camelôs não poderão
utilizar suas estruturas antigas. A única adaptação que pode ser feita
nas bancas é vertical. “Eles disseram que quem quisesse podia crescer um
metro pra cima. Vou fazer igual a um primeiro andar com uma tábua sobre
a banca”, explicou a comerciante.
Conflito
Quando receberam os novos conjuntos de bancas e guarda-sóis fora do
combinado, os camelôs chegaram a pensar em fazer uma manifestação. Mas a
idéia foi descartada segundo contou Antonio Carvalho. Além disso, a
secretária adjunta da Semsur, Fátima Lima, aconselhou quem estivesse
descontente com a solução provisória da Prefeitura, fosse para outro
lugar. “Quando a gente foi reclamar, ela disse que a gente alugasse um
ponto, Fátima Lima, secretária de Raniere. A gente só quer ter a
oportunidade de trabalhar sem atrapalhar pedestre nem a Prefeitura”,
concluiu Antonio Carvalho.
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