"OS CÃO"
Ricardo Júnior/Nominuto.com
O bloco "Os Cão”, um dos
mais tradicionais da cidade, segue com seus enlameados carnavalescos há
51 anos divertindo e chamando atenção de curiosos pelo trajeto. Dezenas
de pessoas seguem até a beira do mangue, “vestem” as fantasias e caem
na folia pelas ruas do bairro. Nesse ano a expectativa é que sejam cerca
de 10 mil integrantes.
Entre tantos “trajes” semelhantes, alguns tentam adicionar mais irreverência para se destacar na multidão. Um exemplo foi o “casal pânico”. O policial militar Marcos Antônio e sua esposa Lenice Maria, segurança patrimonial, incorporaram os personagens e não se desfizeram da fantasia nem para dar entrevista. Os dois contam que trabalham em Recife-PE, mas sempre retornam à Natal nesse período para participar da brincadeira. “Trabalhamos em Recife, mas todo ano a gente vem. Há dez anos que nos melamos e nos divertimos aqui”, conta.
Nem mesmo os bichos escapam da “cobertura” de lama. Cachorros e animais de montaria também recebem a mistura de terra e água oriunda do Rio Potengi. O carroceiro Givanilson Farias, montado em seu cavalo “Diamante”, revela que participa do bloco desde a infância. Já seu animal, está pela terceira vez. Brincalhão, Givanilson relata a transformação sofrida pelo cavalo para acompanhá-lo no bloco. “É a terceira vez que trago ele. Ele é todo branco, sem nenhuma mancha preta, mas hoje está diferente”, brinca.
Existem também os integrantes de primeira viagem. A estudante japonesa Uta Ishikawa, comenta que faz um ano que mora no Rio Grande do Norte e resolveu trazer os familiares para conhecer a cidade e o bloco.
Animados, a família estrangeira posa para a foto e, ao que parece,
gostaram da inusitada diversão. “Eu moro aqui no Rio Grande do Norte há
um ano, é a nossa primeira vez. Trouxe a família para conhecer, estamos
gostando”, disse a estudante com seu português repleto de sotaque.
Outro folião que participa pela primeira vez é o pequeno David, de apenas dois anos. Junto com seus pais, William Júnior e José Fernandes, eles estrearam no bloco devidamente caracterizados e prometem voltar nas edições seguintes. “A primeira vez que estamos brincando, trouxemos nosso filho David. Estamos gostando, está tranquilo, sossegado. Próximo ano, se Deus quiser, estaremos de novo”, explica o pai do garoto.
Os foliões que apenas observavam mas não queriam se sujar, o clima era de tranquilidade. A harmonia entre os integrantes e o respeito aos espectadores é consenso no grupo. Na concentração próximo à Ponte Newton Navarro, uma faixa lembra o espírito dos integrantes: “Cão que é cão não mela folião”.
O bloco percorreu as ruas da praia da Redinha com irreverência e muita lama.
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