LAVA-JATO
A Polícia Federal deflagrou nesta
sexta-feira a 14ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Erga Omnes (do
latim, Contra Todos), e mira agora as construtoras Norberto Odebrecht e
Andrade Gutierrez. Cerca de 220 agentes cumprem doze mandados de prisão
e 38 de busca e apreensão em quatro estados (São Paulo, Rio de Janeiro,
Minas Gerais e Rio Grande do Sul). Alvos de mandados de prisão
preventiva, o diretor-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e o
presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, já foram
presos.
Também foram expedidos mandados de
prisão preventiva contra o diretor de Relações Institucionais da
Odebrecht, Alexandrino Alencar, apontado por delatores do petrolão como
operador de propina na empreiteira, o diretor Rogério Araújo, da
Odebrecht Plantas Industriais e Participações, e o executivo Márcio
Faria, citado por delatores como o contato da construtora no Clube do
Bilhão. Entre 2008 e 2012, Alencar encontrou-se diversas vezes com
Rafael Angulo Lopez, auxiliar do doleiro Alberto Youssef que, além de
distribuir a propina do petrolão para políticos, também fazia depósitos
em contas no exterior para beneficiários do esquema criminoso. O
executivo chegou a viajar com o ex-presidente Lula para o exterior em
uma “missão oficial” do petista para Guiné Equatorial. Já Araújo foi
apontado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto
Costa como a pessoa que sugeriu a ele que abrisse uma conta no exterior
para receber propina da empresa. Em nota, a construtora classificou os
mandados como “desnecessários”, uma vez que afirma que os executivos já
colaboravam com as investigações.
Há mandados de prisão também o executivo
Elton Negrão, citado como representante da Andrade Gutierrez no Clube
do Bilhão, e Paulo Dalmaso, ex-presidente da área de Engenharia da
construtora e citado por Paulo Roberto Costa como responsável pelo
pagamento de propina na empresa.
Embora citadas por delatores do petrolão
as duas gigantes da contrução hoje na mira da PF passavam ilesas até
aqui: ao contrário das concorrentes OAS, Camargo Corrêa e UTC, por
exemplo, ainda não tinha executivos presos.
Na nova fase da Lava Jato são cumpridos
59 mandados judiciais – além dos 38 de busca e apreensão, nove de
condução coercitiva, oito de prisão preventiva e quatro de prisão
temporária. No cerco contra agentes que atuaram nas fraudes a contratos
com a Petrobras, os mandados estão sendo cumpridos em São Paulo,
Jundiaí, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Os presos serão
levados para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Confira, na íntegra, a nota da Odebrecht sobre a operação:
A Construtora Norberto Odebrecht (CNO)
confirma a operação da Polícia Federal em seus escritórios em São Paulo e
Rio de Janeiro, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Da
mesma forma, alguns mandados de prisão e condução coercitiva foram
emitidos.
Como é de conhecimento público, a CNO
entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e
seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à
disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Veja
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