CASO PISOLATO
O Tribunal Administrativo regional da
província do Lácio (TAR), em Roma, julgou improcedente o recurso
apresentado pela defesa de Henrique Pizzolato para que o condenado no
processo do Mensalão cumprisse a pena de 12 anos e 7 meses na Itália. A
decisão foi publicada na manhã desta quinta-feira (4).
A sentença diz que o
tribunal limitou-se a procurar – sem nada encontrar – hipotéticas
anormalidades, incoerências ou erros na decisão do ministério da Justiça
da Itália em extraditar Pizzolato. Ao destacar as “substanciais
declarações e compromissos em alto nível diplomático das autoridades
brasileiras, devidamente avaliadas pelo ministério da Justiça italiano”,
o tribunal reiterou que Henrique Pizzolato deverá descontar a pena em
uma ala especial.
Agora, o governo italiano
deverá fixar uma data para que Pizzolato seja extraditado. A partir
desta data, o governo brasileiro terá 20 dias para executar a sentença e
providenciar o traslado de Henrique Pizzolato ao Brasil.
Entretanto, um acordo entre
Roma e Brasília que prevê que condenados italianos cumpram pena na
Itália poderá ser novamente objeto de recurso da defesa de Pizzolato,
que tem dupla cidadania. Alessandro Sivelli, um dos advogados de defesa,
não quis comentar a decisão. A defesa deverá trabalhar rápido para
apresentar recurso antes da data final para a extradição.
Giuseppe Albenzio, advogado
do governo italiano, disse ao Terra que “não acredita que o TAR irá
aceitar um novo recurso da defesa de Pizzolato utilizando os mesmos
argumentos já apresentados”.
Em uma breve sessão na
manhã da quarta-feira (3), sem a presença do condenado, os juízes não
acataram o recurso dos advogados de Pizzolato que, em 6 de maio, havia
levado o tribunal a suspender temporariamente a decisão do governo italiano de 21 de abril de extraditar Pizzolato.
A deputada ítalo-brasileira
no parlamento italiano, Renata Bueno, em declaração ao Terra, disse que
a “decisão soberana da justiça italiana em extraditar o condenado foi
respeitada”.
O advogado que representa o governo brasileiro não foi localizado pela reportagem.
Pizzolato segue detido na
penitenciária de Sant’Anna, em Módena, no norte da Itália. O ex-diretor
de marketing do Banco do Brasil foi preso em 5 de fevereiro de 2014, em
Maranello, pela polícia italiana ao cumprir um mandado de captura
internacional lançado pela Interpol.
Até a manhã desta quinta-feira, o blog “Justiça
para Pizzolato” (em italiano) que defende a não-extradição do
condenado, não havia sido atualizado. Em um dos posts, a mulher de
Henrique, Andrea Haas, escreveu uma carta ao ministro da Justiça
italiana Andrea Orlandi na qual reitera que as prisões brasileiras não
oferecem condições humanamente adequadas para os detentos. Andrea
lamenta que o “caso Pizzolato seja instrumentalizado pelas autoridades
brasileiras, com o custo de sacrificar a própria vida de Henrique”.
Entre os depoimentos publicados no blog está o do capelão da
penitenciária, padre Angelo Lovati. O religioso afirma que Henrique
Pizzolato é um “homem de grande fé, inteligente e respeitoso”.
Terra
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