VÍTIMA DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
- Quando viram várias pessoas vestidas de branco, começaram a insultar, gritando que a gente ia “queimar no inferno” por ser “macumbeiro” - lembra a pesquisadora Kátia Marinho, de 53 anos.
Até que, em determinado momento, um dos homens jogou uma pedra na direção ao grupo, que bateu num poste e atingiu a neta de Katia, de 11 anos. De acordo com a pesquisadora, após a agressão e mais alguns insultos os suspeitos fugiram embarcando num ônibus.
- Ficamos todos muito nervosos, a gente não sabia o que tinha acontecido, só escutamos o estrondo. Minha neta sangrou muito, chegou a desmaiar. Não reagimos em nenhum momento, a prioridade era socorrer - lembra a avó.
O grupo retornou para o barracão, situado em Cordovil, a cerca de dez minutos do local do crime. Depois de limparem a menina, que estava com muito sangue pelo corpo, a levaram até o Posto de Assistência Médica (PAM) de Irajá, onde os médicos fizeram um curativo no ferimento. Segundo a avó, ela só não levou pontos porque estava com o ferimento muito inchado.
- Nunca tinha passado por uma situação dessa. Eu me senti impotente, não podia fazer nada. Ninguém estava prejudicando ninguém, me questiono porque fizeram isso. Acho que, independentemente do que a pessoa pratica ou no que acredita, em qualquer religião, a prioridade é tratar o ser humano como um irmão - desabafa Kátia, adepta do Candomblé há 33 anos, destacando que a neta está traumatizada e que iniciará um tratamento psicológico por causa do trauma.
No Facebook, Kátia iniciou uma campanha contra a intolerância religiosa publicando fotos de candomblecistas segurando um cartaz com a frase “Eu visto branco, branco da paz, sou do Candomblé, e você?”. Nesta segunda-feira, a pesquisadora foi até a 38ª DP (Brás de Pina) registrar queixa. O crime foi registrado como intolerância religiosa e lesão corporal. Nesta quarta-feira, sua neta fará exame de de corpo delito.
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