Do alto dos seus mais de 2 metros de altura, o gigante Oscar
Schmidt, de 58 anos, enxerga com uma visão privilegiada as dezenas de
crianças que correm em sua direção com os braços estendidos. “Oscar!
Oscar! Oscar!”, grita repetidamente o grupo em busca de um segundo da
atenção daquele que é considerado um dos maiores ídolos do esporte
nacional.
Carinhoso com os pequeninos fãs, Oscar acena de longe enquanto
caminha, com uma bola de basquete nas mãos, em direção ao garrafão da
quadra de esportes do Colégio Salesiano São José, na Ribeira, zona Leste
de Natal. O piso molhado, por causa da forte chuva que caia minutos
antes, obriga Mão Santa a cruzar o espaço lentamente.
“Esse é um caminho que conheço bastante. Foi aqui que dei os meus
primeiros arremessos”, recorda o ex-camisa 14 do Flamengo ao parar em
frente à cesta, diante de um batalhão de jornalistas, alunos e
profissionais da escola.
Filho de potiguares, Oscar diz ter orgulho de contar por onde passa
que nasceu e viveu parte da sua vida no Rio Grande do Norte. Até a
adolescência, ele era apenas mais um entre os vários garotinhos que
aproveitam o horário de recreio para correr pelo pátio central do
Colégio Salesiano.
Aluno aplicado e dono de boas notas, o maior cestinha da história
do basquete brasileiro estudou até os 13 anos na escola católica, antes
de se mudar junto com a família para Brasília. Ele diz guardar boas
recordações tanto do colégio quanto de Natal.
“Devo muito a essa cidade e a esse colégio. Lembro que o Salesiano
era conhecido por ser uma escola linha dura. Fazia de tudo para me
comportar direitinho e tirar boas notas. Muito do que sou hoje devo ao
que aprendi aqui e ao que vivi em Natal”, afirma.
Durante dois dias, Oscar foi o centro das atenções no Salesiano.
Conversou com alunos e funcionários da escola, tirou fotos e recebeu
homenagens. Nas palestras realizadas temas como sua trajetória no
esporte e a luta para enfrentar um grave tumor no cérebro, descoberto em
2011, não deixaram de ser abordados.
Em conversa com a reportagem do NOVO, Schmidt disse que ter
aprendido a gostar desse diálogo com o público. Ele garante estar sempre
se aperfeiçoando para melhorar a sua oratória e busca se especializar
na condição de palestrante profissional, que hoje é a sua principal
fonte de sustento financeiro. “Foi a forma que encontrei para ganhar
dinheiro após parar de jogar basquete”, afirmou.
Além de contar para a plateia os seus feitos enquanto esportista,
Oscar também não deixa de dar opiniões fortes sobre a atual situação do
basquete no país. Na opinião do ex-jogador, o time comandado pelo
argentino Rubén Magnano vai brigar pelo pódio nos Jogos Olímpicos. “Não
tenho como adivinhar a cor da medalha que o Brasil vai conquistar. Mas,
sem dúvida, a seleção chega como uma das favoritas a conquista de um
lugar no pódio”, declarou.
Apesar do otimismo, Oscar enxerga a Seleção Brasileira abaixo de
outras potências mundiais, como Estados Unidos e Espanha. Segundo ele,
mesmo com a chance de conquistar uma medalha no Rio, ainda há muito para
ser feito pelo esporte no país. “Infelizmente não foi feito um trabalho
de transição após a minha geração. O nosso basquete parou no tempo. É
preciso trabalhar forte para que tenhamos resultados positivos no
futuro”.
Mão Santa também considera que o ciclo de Rubén Magnano à frente da
Seleção Brasileira está perto do fim. Mesmo reconhecendo a importância
do argentino na recuperação do basquete nacional, Oscar considera que é
preciso renovar e dar uma nova cara ao conjunto brasileiro. “Magnano foi
importante em um determinado momento, mas esse ciclo acabou”, avalia.
Agora, Oscar se prepara para comentar os Jogos Olímpicos pelo canal
por assinatura Fox Sports. Além de participar das transmissões de
basquete da emissora, ele também terá um programa especial durante as
olimpíadas onde contará um pouco da sua trajetória como jogador.
Antes de assumir os microfones, contudo, o cestinha terá a honra de
conduzir a tocha olímpica durante a passagem do símbolo por Natal.
Oscar, que participou de cinco Olimpíadas, espera que as ruas da cidade
estejam cheias para vê-lo correr com o fogo olímpico nas mãos. “É uma
emoção que quero compartilhar com todos”.
A tocha chega a Natal no próximo dia 4 de junho. Será a quarta vez
que o ex-atleta conduzirá o símbolo. Ele participou do revezamento dos
Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio de Janeiro em 2007, dos Jogos
Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá, em 2010, e nas Olimpíadas
de Verão de Londres, em 2012.
“Mas nada se compara a emoção de correr com a tocha em Natal. Estou
muito animado, porque dessa vez vai ser na cidade onde eu nasci”.
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