PRESIDENTE POLÊMICO
O Presidente Nicolás Maduro determinou o fechamento da fronteira com o Brasil (Carlos Garcia Rawlins/Reuters/VEJA)
Engolfado em uma crise financeira, política e
institucional, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, coloca a culpa
em inimigos externos para justificar o fracasso do chavismo. A última
ação coordenada por Maduro para desviar a atenção para os problemas de
seus país foi fechar a fronteira com o Brasil. Neste sábado, o
venezuelano anunciou que a fronteira está lacrada até o dia 2 de janeiro
– prazo ainda prorrogável!
Maduro diz que a medida é necessária para combater a ação de “máfias”
que estariam enviando para fora do país milhões de bolívares em
espécie, como forma de “desestabilizar” o seu governo.
A medida absurda impactou diretamente milhares de brasileiros que
vivem na Venezuela. Até a tarde deste domingo, uma centena de pessoas
recorreram ao vice-consulado do Brasil, na cidade de Santa Elena de
Uiarén, em busca de ajuda.
A cidade faz fronteira com a brasileira Pacaraima (RR) e a população
das duas localidades vivem de foram integrada transitando livremente de
um lado para o outro dos postos de controle, como se ambas formassem
apenas um aglomerado urbano no extremo norte da Região Amazônica.
O Itamaraty disse a Veja.com neste domingo que a Consulado do Brasil
em Caracas tenta um acordo para assegurar que os desejem deixar a
Venezuela possam atravessar a fronteira.
Maduro fecha fronteira com Brasil e Colômbia



Autoridades de Roraima ouvidas pela reportagem temem que a situação
se agrave. Dezenas de ônibus de turismo deixaram o Brasil em direção ao
país vizinho todas as semanas. A reportagem apurou que centenas de
brasileiros podem ter problemas para voltar para suas casas caso a
medida não seja revertida.
Não foi só. Maduro também fechou a fronteira com a Colômbia. Esta é a
segunda fez neste ano que o mandatário toma essa decisão. No início do
ano, a medida levou a Venezuela à beira do caos pois, com falta de
alimentos e insumos básicos, os venezuelanos recorriam diariamente à
Colômbia para comprar comida. Somados, os períodos de interdição chegam a
um ano de duração.
Nos últimos meses, mais de 30 000 venezuelanos atravessaram por terra
a fronteira seca com o Brasil. Depois de Pacaraima, milhares deles
seguiram em direção à capital de Roraima, Boa Vista, onde passaram a
mendigar nas ruas.
Enquanto isso, Maduro delira. Afirma que os serviços de inteligência
de seu país têm provas que existem galpões repletos de notas de 100
pesos. Esses depósitos de dinheiro estariam localizados na Colômbia,
Brasil, Suíça e Alemanha.
Maduro chegou a dizer que as “máfias” estariam usando papel venezuelano para falsificar dólares que invadem o mercado local.
(Leonardo Coutinho/Veja.com)
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