WALKING DEAD
O “verba volant, scripta manent” com que, pedantemente, encimou sua
carta-traição a Dilma Rousseff em meio ao complô que dirigiu com Eduardo
Cunha para derrubá-la vai ganhar uma nova versão.
Agora, o que Temer vai escrever é seu depoimento-interrogatório à
Polícia Federal sobre os negócios que manteve com a JBS de Joesley
Batista.
Terá de negar que sabia que seu pupilo Rodrigo Rocha Loures fora
apanhar uma mochila de R$ 500 mil e que este o fez por conta própria,
apenas para si.
Como assessor, mesmo palaciano, não decide negócios Loures terá de
botar mais alguém “na roda”para explicar o destino do dinheiro.
E a fila dos segredos e da mentira irá crescendo, o que nestes tempos
de delação é o mesmo que ir armando bombas de efeito retardado.
O que não teve destaque, na mídia, ao noticiar-se a separação dos
inquéritos sobre Temer e Aécio Neves – que não têm, mesmo, qualquer
conexão direta – foi que negou-se o pedido do advogado do ocupante do
Palácio do Planalto de separa-lo de Rocha Loures:
“A afirmação de que o deputado Rodrigo Loures seria “homem de
‘total confiança’ de Michel Temer”, mesmo que fosse verdadeira, não
induziria, como não induz, à formação de um nexo necessário à reunião
das investigações”, diz a petição (paupérrima, por sinal) do advogado Antonio Mariz de Oliveira.
Pelo visto, não apenas induziu como amarrou definitivamente os atos de Loures às tratativas de Temer.
Aliás, as vergonhosas peripécia de Temer para conseguir uma garantia
de foro privilegiado para Loures perderam o sentido. Como se disse
antes, a conexão com os atos de Temer mantém o “homem da mala” do STF,
A não ser que Temer queira assumir que lhe arranja um mandato para
evitar que seja preso e aumente-se o risco de que dê com a língua nos
dentes.
Michel Temer é um cadaver insepulto, à espera de que um delator venha lhe cravar uma estaca no coração.
(Tijolaço.com)
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