
Candidatos ao governo do estado participaram do último debate na TV - João Miguel Júnior / TV Globo
Rio - Sete dos 12 candidatos ao governo do estado participaram do último debate televisivo, nesta quinta-feira. Eduardo Paes (DEM), Indio da Costa (PSD), Marcia Tiburi (PT), Pedro Fernandes (PDT), Romário Faria (Podemos), Tarcísio Motta (Psol) e Wilson Witzel (PSC) se enfrentaram durante duas horas e 40 minutos nos estúdios da TV Globo. Embora esteja bem colocado nas pesquisas de intenção de voto, Anthony Garotinho (PRP) não foi convidado porque sua candidatura foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dividido em quatro blocos, entre perguntas abertas e
definidas por sorteio, os candidatos falaram sobre segurança, saúde,
corrupção, milícias e políticas para as mulheres. Os ataques e acusações
entre vários candidatos marcou o encontro.
A primeira troca de acusações foi entre Witzel e Indio,
quando o candidato do PSC, ex-juiz federal, lembrou de suspeitas
envolvendo o candidato do PSD, que foi candidato a vice-presidente em
2010, pelo DEM, na chapa com José Serra (PSDB). Indio rebateu dizendo
que era "ficha limpa".
Em seguida, Tarcísio lembrou que Indio foi secretário
do ex-governador Sergio Cabral (MDB), hoje preso, e do prefeito Marcelo
Crivella (PRB). "Você faz parte dessa turma toda", afirmou Motta.

Logo no início do segundo bloco, as acusações
continuaram. Ao fazer uma pergunta a Eduardo Paes, Indio disse que temia
pelas sentenças proferidas por Witzel, já que o candidato do PSC
acusava sem provas. Ele também listou acusações contra o ex-prefeito
carioca. "A gente entende seu desespero", respondeu Paes, numa
referência às baixas intenções de voto de Índio.
Por causa da acusação, Witzel conquistou direito de
resposta, mesmo não participando das perguntas e réplica e tréplica
entre Indio e Paes. "A maioria das minhas sentenças foi confirmada",
disse Witzel, destacando que as sentenças como juiz federal foram
submetidas ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, órgão que Indio
teria ofendido, em sua visão.

Marcia Tiburi (PT) - João Miguel Júnior / TV Globo
Em um embate com Márcia Tiburi, Indio afirmou que a
candidata do PT representa uma "quadrilha" que roubou o país, quando
respondia a uma pergunta feita por ela sobre contas públicas. Para ele, o
candidato a presidente pelo PT, Fernando Haddad "pertence à quadrilha",
que é "comandada da cadeia" pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. "Não tem essa história de 'Lula livre', é 'Lula preso'", afirmou
Índio.
Márcia conquistou direito de resposta e disse que o PT é
o partido "mais querido" do país. "Lula foi preso de forma injusta",
afirmou a petista, para quem Haddad foi "o melhor ministro da Educação"
que o país já teve.

Eduardo Paes (DEM) - João Miguel Júnior / TV Globo
Em resposta a uma pergunta feita por Márcia Tiburi
sobre políticas para as mulheres, Eduardo Paes disse que terá pelo menos
a metade de seu secretariado ocupado por elas. O candidato do DEM
defendeu a participação das mulheres na política, mas foi provocado
sobre seu ex-secretário na Prefeitura Pedro Paulo.
Deputado federal pelo MDB e candidato (derrotado) de
Paes nas eleições municipais de 2016, Pedro Paulo foi acusado de
agressão física contra sua ex-mulher. "Pedro Paulo foi absolvido",
afirmou Paes.
O ex-prefeito do Rio lembrou nomes de mulheres que
ocuparam cargos em seus dois mandatos na prefeitura, como Eduarda de la
Rocque (Fazenda) e Maria Silvia Bastos Marques, executiva que foi
presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM) durante a preparação para
os Jogos Olímpicos Rio 2016. "Vamos ter pelo menos metade do
secretariado ocupado por mulheres", prometeu Paes.

Tarcísio Motta (Psol) - João Miguel Júnior / TV Globo
No terceiro bloco do debate, Tarcísio Motta lembrou que
Eduardo Paes está na lista de políticos com apelidos da construtora
Odebrecht. "Todo mundo sabe que você é o nervosinho da Odebrecht",
provocou Motta.
A lembrança veio numa tréplica após pergunta sobre as
investigações da Operação Lava Jato em que Paes é citado. Segundo o
ex-prefeito, "todo mundo que está na vida publica está sujeito a
investigações". "Sou favorável e defensor da Lava Jato, mas compete a
quem delatou comprovar", afirmou Paes.
Segundo Motta, um dos delatores da Odebrecht afirmou
que o candidato do DEM recebeu recursos em conta bancária no exterior.
"As investigações vão comprovar que não pertence a mim nenhuma conta",
rebateu Paes, que procurou olhar para o lado positivo do apelido dado
pelos executivos da Odebrecht. "É porque eu não dava intimidade, não era
sujeito afeito a conversas", afirmou.

Indio da Costa (PSD) - João Miguel Júnior / TV Globo
Em uma rodada de perguntas com Romário, Indio acusou
Paes de já ter apoiado as milícias que atuam nas favelas da cidade. O
candidato do PSD começou sugerindo que os telespectadores buscassem na
internet os termos "Eduardo Paes milícia".
Segundo Indio, é possível encontrar uma entrevista de
Paes, quando era candidato ao governo do estado pelo PSDB, em que ele
cita as milícias como uma saída para aumentar a segurança.
Em um novo embate, Indio e Romario trocaram acusações
em torno de seus patrimônios. O candidato do Podemos foi o primeiro a
levantar suspeitas sobre o patrimônio de seu adversário, que teria
evoluído de forma suspeita conforme declarações do Imposto de Renda.
Numa sequência de direitos de resposta, Indio rebateu
dizendo que tem atividades profissionais, como advogado e empresário,
diferentemente de Romário, cujo patrimônio "não se sabe de onde vem nem
para onde vai", numa referência a acusações de que o candidato do
senador teria feito doações ilegais de bens para parentes.
"Dizer aqui que não sabe da onde vem o meu dinheiro?
Está de brincadeira! Joguei futebol profissional desde 18 anos",
retrucou Romário, ressaltando que seu "dinheiro sempre foi limpo" e
declarado. "Ganhei meu dinheiro literalmente suado", disse o campeão do
mundo de 1994.

Pedro Fernandes (PDT) - João Miguel Júnior / TV Globo
Na reta final do debate, houve uma série de direitos de
resposta, já nas considerações finais, e Paes aproveitou para ironizar
Indio, que estaria "desesperado".
Segundo o candidato do DEM, Indio foi secretário de
diferentes governos e partidos, na prefeitura e no estado, como nas
gestões de Luiz Paulo Conde (ex-prefeito, pelo PFL, hoje DEM), de César
Maia (ex-prefeito pelo DEM), de Sergio Cabral (ex-governador pelo MDB) e
dele próprio, na prefeitura.
"Se eu for eleito, me comprometo a não ter o Indio como
secretário", disse Paes, sugerindo um "pacto" com os demais candidatos
para fazerem o mesmo.
(por:Estadão Conteúdo)
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