
Documento divulgado neste sábado pelo Jornal Nacional apontou que Flávio fez um pagamento de 1.016.839 de reais de um título bancário da Caixa Econômica Federal. Na sexta, o JN já havia informado que o Coaf identificou uma série de depósitos parcelados em dinheiro vivo na conta do então deputado, entre junho e julho de 2017. Foram 48 depósitos, todos no mesmo valor: 2.000 reais. De acordo com o documento, Flávio e Queiroz têm registros de operações bancárias muito parecidos: os depósitos e saques eram feitos em caixas de autoatendimento dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), as operações eram em espécie e os valores, fracionados. Neste domingo, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou que Queiroz movimentou ao longo de três anos sete milhões de reais.
"Não tenho nada para esconder de ninguém", afirmou o senador eleito, enquanto mostrava um documento que afirmou ser o contrato de um apartamento com a Caixa Econômica Federal. "Eu vou pedir reserva porque quero apresentar isso para as autoridades, antes de apresentar à imprensa", disse ele sobre o papel. "É um apartamento que eu comprei na planta. Quando você compra um apartamento na planta, o financiamento fica com a construtora. Quando sai o Habite-se, que é quando a Caixa pode fazer o financiamento, você busca a Caixa que tem juros menores. A Caixa paga a dívida com a construtora e deixo de ser devedor da construtora e passo a ser devedor da Caixa. Quem fez essa operação foi a Caixa Econômica, não foi dinheiro meu", afirmou ele à Record. "Aparece porque o CPF é meu, mas não é o meu dinheiro", diz.
Sobre a série de 48 depósitos, ele diz que a origem do dinheiro vem de lucros da empresa dele e de parte de um imóvel que vendeu no valor 2,4 milhões de reais. "Se colocava de 2.000 em 2.000 reais porque era o limite do caixa eletrônico. Se fosse dinheiro ilícito eu depositaria na minha conta?", questionou na Rede TV. O filho do presidente afirmou ainda que em seu gabinete não existia a prática de confisco de salário, quando funcionários contratados passam parte do que ganham para o responsável pela contratação, suspeita que recai sobre as movimentações feitas por seu ex-assessor.
Criticado por ter inúmeras vezes se posicionado contra o foro privilegiado de políticos no Supremo Tribunal Federal e, agora, ter recorrido ao órgão para pedir que as investigações contra Queiroz fossem paralisadas porque o envolviam, Flávio afirmou que não recorreu ao foro. Ele diz que pediu apenas para que o STF determinasse qual a instância correta para a investigação prosseguir. "Não tenho nada a esconder, só quero isenção do tratamento comigo", afirmou. O STF acatou o pedido dele na quinta.
As entrevistas de Flávio acontecem após um encontro dele com Jair Bolsonaro. "Meu pai me dá a estratégia. Ele diz: a estratégia é a verdade", disse à Rede TV. A escalada das denúncias nos últimos dias causaram uma saia justa ao presidente, que viajou neste domingo a Davos, onde participará do Fórum Econômico Mundial. Para evitar ser abordado sobre o tema, Bolsonaro não dará mais uma coletiva de imprensa que constava da programação oficial do evento, de acordo com uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.
Flávio, entretanto, foi orientado a se explicar, por isso a série de entrevistas. Até o momento, enquanto a crise aumentava, ele se esquivava de falar de forma mais aprofundada sobre o caso. A estratégia visa a diminuir o impacto das investigações na imagem do Governo, eleito com uma forte bandeira anticorrupção e críticas às condenações que envolvem membros do PT, como Luiz Inácio Lula da Silva. Faz parte dela, também, lançar mão da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Também neste domingo, ela deu uma longa entrevista à TV Record, em que explicou a iniciativa de fazer um discurso em libras na posse do marido e suas obras como voluntária da igreja. Carismática, caberá a ela tentar suavizar a imagem da família, que sofre seus primeiros desgastes no poder. Não foi questionada, entretanto, sobre o envolvimento de seu próprio nome no caso Queiroz. O Coaf identificou transferências do ex-assessor para a conta dela no total de 24.000 reais. O presidente afirmou que o valor dizia respeito a uma série de empréstimos feitos por ele ao assessor, quitado com cheques de 4.000 reais.
(O Estado de S.Paulo)
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