domingo, 5 de outubro de 2014

Campo Grande ascende 92 posições no IDHM

MELHORIA

Nadjara Martins
Repórter

Na calçada da casa, gerações distintas ocupam duas cadeiras de fio de plástico: Rita Rosento de Góis, 79 anos, dona da pousada D. Rita Góis, na Via Costeira de Campo Grande, Oeste Potiguar. Ao lado a neta, Fernanda Francisco, 20 anos. As duas se admiram do progresso: a praça da Via Costeira pintada e arrumada, a quantidade de caminhões que cortam a principal rua da cidade. Tudo mudou nos últimos 20 anos.

júnior santosSeverina Alcântara da Silva, moradora de Campo GrandeSeverina Alcântara da Silva, moradora de Campo Grande

Quando Rita chegou ao município, vinda de Caraúbas, boa parte de Campo Grande ainda estava na areia, e os empregos eram escassos. “Meu marido era o pedreiro daqui, só tinha ele”, lembra Rita. Após o falecimento do esposo, montou a casa de morada D. Rita, bem movimentada agora que três rodovias (BR110, 226 e RN 260) cortam o município. Apenas um dos 19 filhos de Rita se mudou: a mãe de Fernanda. “Quando eu era pequena já tinha a praça, calçamento (em Campo Grande), mas o problema é emprego. O custo de vida é bom, tem emprego nas fábricas, mas não era o que eu queria”, diz a neta, que vai começar a estudar nutrição em Mossoró.

As diferentes visões – e necessidades –  de Rita e Fernanda refletem os números. Campo Grande – ou Augusto Severo, como ainda está registrado no mapa – é o 9º entre os 10 municípios potiguares que mais evoluíram o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em duas décadas. De 0,263 (muito baixo) em 1991 para 0,621 (médio) em 2010. Há 20 anos, o município ocupava o 148º no estado, passando para 93º em 2000 e 56º em 2010. O IDHM é calculado com base na renda, expectativa de vida e acesso à educação, o índice aponta o nível de desenvolvimento dos municípios, com notas que vão de zero a um.

Os dados são do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, feito pela Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNAD) com base nos censos demográficos brasileiros.

A pesquisa mostrou que os municípios que mais cresceram no RN têm menos de 10 mil habitantes, como é o caso de Bodó, cidade que ocupava o posto de pior IDHM do Rio Grande do Norte em 1991. Na época, o índice era de 0,136. A renda per capita, por exemplo, era de R$ 61,80, quando no Brasil já era de R$447,56. A taxa de analfabetismo entre as crianças de 11 a 14 anos era de 57,47% no município. Em 2010 o município chegou ao IDHM 0,63, um crescimento de 362%.

Entretanto, nem todos cresceram o suficiente para deixar as piores colocações. É o caso de Venha Ver, o terceiro que mais cresceu em 2010, que saiu de 0,22 no IDHM para 0,56 – mas ainda é o quinto pior índice do RN. Em comparação, Natal tinha o IDHM baixo em 1991 e subiu para alto em 2010, mas o crescimento foi um dos menores: o aumento foi de apenas 33,39%.

De acordo com Aldemir Freire, superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,  o desenvolvimento desses pequenos municípios é fruto das políticas federais adotadas nos  últimos dez anos.

“O avanço é identificado no geral: não há sombra de dúvida que houve um avanço das políticas federais”, aponta. De acordo com Freire, políticas assistencialistas, como o bolsa família e o crescimento do salário mínimo aumentaram a renda da população, o que pode assegurar uma qualidade de vida melhor e aumento da longevidade. “Ainda temos uma infinidade de problemas, mas estamos numa rede de avanços. Podemos reclamar apenas da velocidade (desse avanço”, pontua.

Ainda de acordo com o superintendente, a “explosão” de crescimento dos municípios é facilmente explicável: se você tem péssimas condições, é fácil crescer com investimentos simples. Quem já está em um nível bom de crescimento – o caso das cidades-pólo, como Natal – precisa de investimentos maiores. “Depois que você cresce, crescer ainda mais não é fácil, mas não tenho dúvida que de 2010 para cá já avançamos”, avisou.

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