ELEIÇÕES 2014
Por Jornal de Hoje
Para a defesa do candidato ao Governo do
RN, Henrique Eduardo Alves (PMDB), é “infundada” e “leviana” a ação
elaborada pela coligação encabeçada por Robinson Faria (PSD), tentando a
cassação do peemedebista por uso irregular do avião da Força Aérea
Brasileira (FAB). Contudo, para o advogado autor da ação, Ronaldo Castro
de Andrade, é cada vez mais forte os indícios de que houve
irregularidade. Tanto que informações do Ministério da Defesa mostram o
aumento considerável no número de “caronas” nas viagens, em avião
oficial, feitas pelo presidente da Câmara dos Deputados.
“Acaso os fatos narrados fossem desprovidos de plausibilidade, a ação
teria sido extinta liminarmente, o que, repise-se, incorreu. Os fatos
narrados na exordial são graves e amplamente noticiados pela imprensa.
Uma simples consulta ao sítio eletrônico do Ministério da Defesa revela o
grande número de viagens realizadas, merecendo destaque o aumento
significativo do número de passageiros trazidos em voos do Presidente da
Câmara dos Deputados a partir do mês de junho de 2014”, afirmou o
advogado de Robinson Faria.
Em resposta ao comentário feito pela defesa de Henrique, inclusive,
Ronald Castro de Andrade enviou mais de 30 planilhas de voos fornecidas
pelo Ministério da Defesa e Comando da Aeronáutica. Nelas, segundo o
advogado, é possível constatar um aumento gradativo no número de
passageiros que teriam ido com o presidente da Câmara dos Deputados.
Afinal, se em abril e maio a previsão de passageiros era seis, no
máximo, nove, quando o período eleitoral se iniciou, esse número cresceu
para 13 e, em vários casos, 15 passageiros. Isso reforçaria a tese
apresentada pela coligação de Robinson, de que Henrique utilizou a
aeronave da FAB para levar correligionários e apoiadores para Brasília e
fechar acordos para as eleições 2014.
“Ao contrário do afirmado pela assessoria jurídica do candidato
Henrique Alves, não foram veiculadas alegações levianas e desprovidas de
prova. Tanto é verdade que, ao contrário do que já ocorreu no atual
pleito, a ação foi recebida pela Corregedora do TRE, desembargadora
Zeneide Bezerra, no sentido de que fosse oficiado o Ministério da
Defesa, por meio do Comando da Aeronáutica, bem assim a INFRAERO e o
Departamento de Aviação Civil (DAC), para informar, no prazo de cinco
dias, a quantidade de viagens realizadas pelo investigado, no período de
abril de 2014 até a presente data, com as respectivas origens, destinos
e relação dos passageiros do avião oficial utilizado”, relembrou
Ronaldo Castro.
Com relação a falta de provas alardeada pela defesa de Henrique,
Ronaldo explicou que “a Ação de Investigação Judicial Eleitoral é o meio
destinado à apuração de possíveis ilicitudes no processo eleitoral, por
meio da realização de investigação minuciosa dos fatos narrados”. Por
isso, seria suficiente a existência de indícios para a continuidade da
ação. As provas seriam levandas com o trâmite processual.
“Dessa forma, não há qualquer ilicitude, má-fé ou irresponsabilidade
na ação proposta. Trata-se de prerrogativa e obrigação, como
representante legal de candidato ao Governo informar fatos graves que
constituem ilícitos eleitorais que quebram a isonomia no pleito”,
acrescentou.
DEFESA E ACUSAÇÃO
A Coligação de Robinson Faria ingressou com a AIJE sobre o uso da
aeronave oficial por parte de Henrique Eduardo Alves ainda no primeiro
turno. Além do uso do avião da FAB com fins eleitoreiros, transportando
lideranças e parceiros políticos de Natal para Brasília, a coligação
aponta ainda que a aeronave estaria sendo utilizada para levar dinheiro
de um suposto caixa 2 da campanha do PMDB.
“Em vista do exposto, a conduta do Investigado o coloca em ampla
vantagem no pleito eleitoral e configura também abuso de poder político e
de autoridade, bem como a realização de Caixa 2, devendo a Justiça
Eleitoral apurar o fato, aplicando as penalidades cabíveis, por maior
que seja a sensação de impunidade que paira sobre as eleições estaduais
de 2014″, apontou parte do texto da AIJE movida pela coligação, pedindo,
por isso, a cassação de Henrique e a inelegibilidade dele por oito
anos.
O advogado de Henrique, por sua vez, nega as informações e afirmou
que a ação tem como mero interesse tentar sujar a campanha do PMDB.
Sendo assim, pede-se a extinção da AIJE. “Na ação, não se descrevem
fatos específicos que possam ensejar uso abusivo da aeronave com
conotação eleitoral. Não é juntado um só documento que possa embasar as
alegações (suposições) genéricas formuladas pela Coligação do Sr.
Robinson Faria”, afirmou Rodrigo Alves.
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