ESPANCAMENTO
Júlio Pinheiro e Roberto Lucena
Editor do TNOnline e repórter
O entregador Jepherson Alcaniz Maia, de 28 anos, foi vítima de espancamento na manhã de ontem (3), na avenida Abel Cabral, em Nova Parnamirim. Apontado como responsável por uma tentativa de assalto, o rapaz foi agredido e amarrado por populares, no meio da rua, até a chegada da Polícia Militar. Os policiais o levaram algemado até o hospital Deoclécio Marques e, após atendimento, Jepherson foi liberado. O episódio não encerrou aí. A família da suposta vítima de Jepherson afirma que o rapaz tentou roubar uma corrente de ouro e vai levar o caso à Justiça.
Editor do TNOnline e repórter
O entregador Jepherson Alcaniz Maia, de 28 anos, foi vítima de espancamento na manhã de ontem (3), na avenida Abel Cabral, em Nova Parnamirim. Apontado como responsável por uma tentativa de assalto, o rapaz foi agredido e amarrado por populares, no meio da rua, até a chegada da Polícia Militar. Os policiais o levaram algemado até o hospital Deoclécio Marques e, após atendimento, Jepherson foi liberado. O episódio não encerrou aí. A família da suposta vítima de Jepherson afirma que o rapaz tentou roubar uma corrente de ouro e vai levar o caso à Justiça.
Emanuel Amaral
Jepherson teve várias lesões. No final da manhã, o rosto estava inchado e os olhos com hematomas
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE conversou com Jepherson no hospital. Ele contou a versão dele sobre o caso, disse que foi roubado durante o espancamento e que pensou que morreria. “Fique sem ar. Não conseguia respirar. Chutavam minha cara e eu pensei que ia morrer”, contou.
Frequentador da Igreja Católica e participante de encontros religiosos de jovens, Jepherson relatou que estava em um posto de combustíveis durante a madrugada de ontem, acompanhado por uma amiga. Os dois estavam bebendo e, até a manhã, não houve qualquer problema. O jovem guiava uma moto e deixou a amiga em casa. “Depois disso, voltei para casa. Passei pela Abel Cabral e parei numa parada de ônibus onde estava a mulher”, relatou.
Jepherson disse que não recorda exatamente a sequência dos fatos. Ele contou que falou algo a mulher, mas que não lembrava exatamente quais as palavras que tinha usado. “Mas não anunciei assalto. Não existiu isso”, reforçou. Ele acredita que tenha sugerido que a mulher era garota de programa, propondo um encontro. Foi quando a mulher reagiu.
Segundo Jepherson, a mulher o agarrou pelo pescoço e aplicou uma espécie
de “mata-leão”, um estrangulamento. Ele caiu junto à mulher e à
motocicleta, que queimou a perna do entregador. Quando populares viram o
episódio, iniciaram o espancamento. Neste momento, Jepherson diz que
perdeu a consciência. “Apaguei e quando retornei já estava no chão sendo
agredido por muitas pessoas. Não lembro quantos eram. Não conseguia
falar e me defender”, lembrou. Enquanto jogavam areia e chutavam seu
rosto e tórax, os populares o xingavam. O celular e carteira dele foram
roubados durante a agressão.
Após a chegada da Polícia Militar, Jepherson foi levado até o hospital Deoclécio Marques algemado. Somente lá, ele conseguiu contar sua versão, enquanto era medicado. A PM disse que houve um mal entendido e que a população acreditava que ele tinha tentado praticar um assalto. A PM constatou que o jovem tem bons antecedentes e que a moto utilizada por ele estava legalizada.
O pai de Jepherson encontrou o filho no hospital momentos depois de a reportagem chegar ao local. Ao abraçar o filho, o homem se emocionou. Ele disse que não tinha notícias do filho desde ontem à noite e ficou sabendo do ocorrido apenas pelo noticiário da televisão. “Quando vi aquilo, a família ficou desesperada e ninguém sabia dar notícias para onde o tinham levado”, contou. O homem disse que vai cobrar apuração sobre o caso. “Não vamos deixar isso impune. É um absurdo”, disse.
No início da tarde, Jepherson Alcaniz foi transferido para o hospital Walfredo Gurgel, onde seria submetido a uma bateria de exames, inclusive neurológicos, para se ter um diagnóstico sobre a gravidade das lesões em várias partes do corpo. O rosto estava inchado e os olhos com hematomas.
Memória
Após a chegada da Polícia Militar, Jepherson foi levado até o hospital Deoclécio Marques algemado. Somente lá, ele conseguiu contar sua versão, enquanto era medicado. A PM disse que houve um mal entendido e que a população acreditava que ele tinha tentado praticar um assalto. A PM constatou que o jovem tem bons antecedentes e que a moto utilizada por ele estava legalizada.
O pai de Jepherson encontrou o filho no hospital momentos depois de a reportagem chegar ao local. Ao abraçar o filho, o homem se emocionou. Ele disse que não tinha notícias do filho desde ontem à noite e ficou sabendo do ocorrido apenas pelo noticiário da televisão. “Quando vi aquilo, a família ficou desesperada e ninguém sabia dar notícias para onde o tinham levado”, contou. O homem disse que vai cobrar apuração sobre o caso. “Não vamos deixar isso impune. É um absurdo”, disse.
No início da tarde, Jepherson Alcaniz foi transferido para o hospital Walfredo Gurgel, onde seria submetido a uma bateria de exames, inclusive neurológicos, para se ter um diagnóstico sobre a gravidade das lesões em várias partes do corpo. O rosto estava inchado e os olhos com hematomas.
Memória
Este ano, a Polícia Militar do Rio Grande do Norte registrou outras ocorrências relacionadas a atitude das pessoas de “fazer justiça com as próprias mãos”. Com o fato de ontem, são pelo menos seis casos conhecidos. A onda de “justiceiros” preocupa. “A Constituição garante que qualquer cidadão pode prender uma pessoa em flagrante delito. Mas a polícia deve ser chamada imediatamente. Em um caso como esse, as pessoas se tornam as agressoras”, afirma o comandante geral da Polícia Militar do RN, coronel Francisco Araújo. Para Marcos Dionísio Caldas, presidente do Conselho Esatadual de Direitos Humanos e Cidadania do RN, a falta de estrutura das polícias, da Justiça e do sistema carcerário é o principal motivo da iniciativa popular de “julgar” os suspeitos e condená-los a castigos bárbaros. A preocupação é que essa prática se dissemine. “Temos que pensar que tipo de educação nossas crianças e jovens estão recebendo com esses exemplos?”, questiona. “Isso não é Justiça. As pessoas estão se igualando aos bandidos”, acrescenta. Ele lembra que a prática do linchamento é crime e pode levar à prisão.
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