DESCASO
Foto: Wellington Rocha
Alessandra Bernardo
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Um dos principais cartões postais do Rio Grande do Norte está agonizando com uma série de problemas estruturais e a demora na realização do projeto de urbanização da orla em Jenipabu. Comerciantes e moradores reclamam que estão sem transporte público há mais de três anos, não têm saneamento básico, policiamento ostensivo e da queda no número de visitantes à praia, além do forte assédio praticado por funcionários de estabelecimentos comerciais nos estacionamentos particulares e bares e restaurantes.
Outro problema que vem tirando o sono das pessoas em Jenipabu é o grande número de arrombamentos a residências da localidade, a maioria ocorrida no período da baixa estação, quando muitos imóveis permanecem fechados, sem ninguém. O único posto policial existente na área, que é subordinado ao 11º Batalhão da Polícia Militar, está fechado há cerca de dois anos, conforme relato de moradores, que reclamam ainda de assaltos e tentativas de estupro, já que eles precisam se deslocar por áreas ermas em busca de transporte público.Conforme o presidente do Conselho Comunitário de Jenipabu, Francisco das Chagas, há apenas duas viaturas para atender a toda a região, que inclui ainda as praias de Pitangui, Graçandu e Barra do Rio, além dos distritos circunvizinhos. Um terceiro veículo disponibilizado para a região fica parado porque não há efetivo policial para atuar no policiamento ostensivo. Ele disse que, em apenas 45 dias, já foram feitas duas reuniões com a Polícia Militar para tentar resolver o impasse, mas a alegação é que não há homens disponíveis.
A falta de transporte público e saneamento básico também afetam negativamente a vida de quem reside ou trabalha em uma das praias mais famosas do Estado. Segundo Chagas, desde novembro do ano passado, quando ele assumiu o Conselho Comunitário, já foram elaborados três abaixo-assinados, endereçados à empresa Oceano, que possui concessão pública para explorar a área; a Prefeitura de Extremoz e ao Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN), que não obtiveram nenhum retorno. “As pessoas se viram de carona, à pé, bicicleta, motocicleta ou como dá. Quem mora na comunidade Tabu e precisa se deslocar até a praia de Santa Rita, em Natal, por exemplo, é obrigado a caminhar por cerca de 1,5 quilômetros entre as dunas, para isso. A única coisa que temos é um ônibus que sai às 4h30, 5h10 e 6h30 e levam estudantes e quem mais estiver aguardando para a Zona Norte de Natal e faz o caminho inverso às 12h. E o pior é que 90% das pessoas que trabalham aqui na praia são de lá, ou seja, sofrem com a falta de transporte também. Isso provocou uma queda de 40% no total de visitantes, porque muitos vinham de ônibus para cá”, disse.
A moradora Maria Angélica Silva é uma dessas pessoas e revela que é obrigada a caminhar mais de dois quilômetros por caminhos muitas vezes ermo, quando precisa resolver alguma coisa na Capital. “Infelizmente, faz muito tempo que não temos ônibus de linha aqui. Sem contar no perigo de um assalto, estupro ou outro crime, porque não tem um único policial fazendo a nossa proteção”.
Abastecida com água de poço, as pessoas que vivem ou trabalham em Jenipabu já estão acostumadas a enfrentar racionamento durante o período de alta estação do Verão, entre os meses de dezembro e fevereiro. “São três poços para atender quatro distritos. Precisamos de mais um, mas não há. E quando há muita gente, o fornecimento de água é interrompido a partir das 19h, ou seja, todos são orientados a economizar. No entanto, não há desconto nas contas”, afirmou uma comerciante.
Turistas sofrem com Abordagens incômodas
Quem chega de veículo a Jenipabu e procura um local para estacionar o carro ou motocicleta só encontra espaços particulares porque não há área pública para isso. Mas, além dos valores que variam entre R$ 2,00 e R$ 3,00 outro incômodo grande vivido por turistas e visitantes são as abordagens incômodas e muitas vezes agressivas por parte de funcionários de bares e restaurantes da região, ávidos para atrair clientes para os seus estabelecimentos comerciais. “É praticamente um cartel dos estacionamentos”, denuncia uma comerciante que não quis se identificar por temer represálias. Ela revelou que por causa desse tipo de abordagem, muitos visitantes acabam se assustando e desistindo de ficar na praia. E os que ficam são disputados muitas vezes a gritos e palavrões pelos garçons, que escoltam as pessoas até o estabelecimento em que trabalham. “São abordagens agressivas, assédio mesmo e as pessoas não têm liberdade de escolher o local em que irá sentar e comer. É muito chato e prejudicial, porque esse tipo de comportamento só contribui para que o número de turistas diminua. Já não basta a falta de infraestrutura que há em Jenipabu, ainda tem isso”, afirmou.
Para o comerciante Antônio Ramos, essa situação poderia ser eliminada com a conclusão do projeto de urbanização da praia, que começou e está parada há vários anos. “Fizeram uma praça que está inacabada e um começo de calçada, que está quase encoberta pelas areias. Ou seja, começaram para iludir as pessoas e não nos dizem o porquê dessa parada. Isso é terrível para o turismo da região, ainda mais por ser um destino conhecido internacionalmente e um dos principais pontos de visitação no Estado. É muito descaso”, disse.
Conforme informações da Secretaria de Turismo de Extremoz, a urbanização da praia teve que ser interrompida por questões técnicas e porque os proprietários dos imóveis que precisam ser removidos ou afetados pelas obras ainda não receberam as indenizações correspondentes à ação. A titular da pasta, Iza Lúcia, que responde ainda pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, foi procurada, mas não atendeu ou retornou as ligações telefônicas.
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