Marieta Medeiros mostra algumas das 16 tatuagens feitas nos últimos anos (Foto: Felipe Gibson/G1)
Ter tatuagens sempre foi uma vontade de Marieta de Souza Medeiros, de
71 anos. No entanto, a idosa nunca sequer falou sobre o assunto até a
morte do marido há dois anos. Depois de viúva, o desejo foi posto em
prática e em pouco mais de um ano foram 16 tatuagens feitas no corpo. A
maioria dos desenhos são homenagens a familiares e imagens religiosas,
mas também houve espaço para o clube do coração e outros símbolos que
marcaram etapas da vida da dona de casa Marieta.
Dona de casa conta histórias de suas tatuagens
(Foto: Felipe Gibson/G1)
"Quando gostamos de algo não tem idade para fazer", diz a dona de casa,
que escolheu um desenho da Estrela de Davi como primeira tatuagem.
"Assisti a um seriado e me apaixonei pelo personagem de Davi", conta. De
acordo com Marieta, nada de nervosismo ou dor na primeira sessão de
tatuagem. "Foi tranquilo. Dói um pouco, mas meus dois filhos foram de
parto normal. Sei bem o que é dor", brinca.
A 16ª tatuagem, uma imagem do rosto de Jesus nas costas, foi concluída
nesta quarta-feira (1). "Passou a ser a minha favorita", revela Marieta.
A próxima já está agendada e será um beija-flor desenhado na
panturrilha. Além dela, a dona de casa adianta que vai tatuar a frase
'Livrai-me de todo mal, Amém'. De desenhos de cunho religioso, a idosa
ainda tem um terço no ombro, uma melhada de São Bento e um anjo da
aguarda, que era tatuagem preferida antes do recente rosto de Jesus.
Marieta conclui uma tatuagem do rosto de Jesus, a última das 16 (Foto: Felipe Gibson/G1)
Para a família, Marieta já tatuou duas estrelas com as iniciais dos
dois filhos e oito andorinhas em homenagem aos netos. Uma amiga que
faleceu ganhou uma lua nova. "Por meio do desnho gosto de homenagear
pessoas e ter isso no meu corpo. O fato de ser católica influencia os
símbolos religiosos", explica. As tatuagens também incluem uma âncora,
uma borboleta e o escudo do clube de coração, o Botafogo, do Rio de
Janeiro.
Marieta mostra tatuagens no estúdio de tatuagem
(Foto: Felipe Gibson/G1)
Responsável pelo desenho da última e de outras tatuagens da idosa, o
tatuador Ruy Pinheiro relata que foi procurado por Marieta após uma
indicação. "Foram três tatuagens na primeira vez. Não é tão comum tatuar
pessoas dessa idade, mas já fiz. Uma delas é minha mãe. O que percebo é
essas pessoas se expressarem muito com imagens religiosas por terem
identidade com a religião", detalha. Para Pinheiro, a conquista de
liberdades individuais explica o fato de pessoas mais velhas estarem
procurando as tatuagens. "É maravilhoso", diz.
Sobre a reação dos familiares, Marieta conta que o gosto pelas
tatuagens dividiu opiniões. "Minha irmã diz que sou louca, minha filha
quer me internar no João Machado (hospital psiquiátrico de Natal). Meu
filho é mais tranquilo e até coloca minhas tatuagens nas redes sociais.
Sou sou dona de mim e quem paga sou eu. Temos que fazer o que gostamos. O
negócio é ser feliz", conclui Marieta.
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