ELEIÇÕES 2014
Marina Silva (PSB), terceira colocada na
disputa presidencial, decidiu apoiar Aécio Neves no 2.º turno da
eleição presidencial. Quer, porém, que o tucano inclua em seu programa
de governo causas defendidas por ela nas áreas educacionais e de meio
ambiente. A ideia da ex-ministra é fazer o anúncio de um “acordo
programático”. Esse apoio seria costurado a partir de itens convergentes
nos programas dos dois, como o fim da reeleição e a reforma tributária.
Conforme informou a colunista Sonia Racy
no portal estadão.com.br, o que está em discussão, agora, é se a adesão
de Marina ocorrerá com o PSB ou se será uma manifestação da Rede
Sustentabilidade, grupo político da ex-ministra abrigado no partido que
foi presidido por Eduardo Campos, morto em agosto.
Marina diz que não quer condicionar sua
decisão a cargos, o que ela define como “velha política”. O caminho da
“nova política” é pedir um compromisso formal de pontos do programa de
governo anunciado pelo PSB em agosto. O discurso é semelhante ao adotado
um ano atrás, quando Marina se filiou ao PSB de Campos, e meses depois,
ao anunciar ser vice na chapa então encabeçada pelo ex-governador.
Marina defende itens como a manutenção
das conquistas socioeconômicas dos governos Fernando Henrique Cardoso e
Luiz Inácio Lula da Silva, a inclusão da sustentabilidade na agenda e a
garantia de aumento de produção do agronegócio sem riscos à floresta
amazônica.
Além disso, destacar os pontos em comum
entre os planos de governo, como o fim da reeleição e a reforma
tributária, é uma forma de Marina convencer aliados da Rede mais
reticentes ao apoio ao tucano e que preferem a neutralidade, a exemplo
do que ocorreu em 2010. Naquele ano, a terceira colocada fez uma lista
de dez itens de seu programa e a enviou tanto a José Serra e quanto a
Dilma. Sem a resposta esperada dos concorrentes no 2.º turno, ficou
neutra.
No domingo, 5, em discurso após
reconhecer a derrota, Marina deu a entender que não ficaria neutra de
novo e que os brasileiros demonstraram “sentimento de mudança” nas
urnas.
Entre os marineiros, é consenso de que
os ataques da campanha petista impedem uma aproximação com Dilma. “Não
há como conversar com o PT”, disse Sérgio Xavier, um dos assessores mais
próximos de Marina. “A nova política é você se unir a partir de um
programa de governo, e é isso que nós queremos fazer.”
A tendência entre os partidos aliados de
Marina é apoiar Aécio. Já se manifestaram nesse sentido o presidente do
PPS, Roberto Freire, que convocou reunião para hoje, e o do PSL,
Luciano Bivar. Dirigentes de PHS, PPL e PRP também tendem a declarar
adesão à campanha do tucano.
Reunião
No PSB, foi marcada para amanhã uma
reunião da Executiva para se buscar um consenso sobre o 2.º turno. A
Rede também discute o assunto amanhã.
Nesta segunda-feira, 6, porém,
lideranças do PSB já começaram a indicar preferência por Aécio ou mesmo a
declarar voto no tucano.
Mesmo o presidente nacional do partido,
Roberto Amaral, aliado de longa data e ex-ministro de Luiz Inácio Lula
da Silva, sinalizou que não seria contra o apoio ao candidato do PSDB.
“O fundamental é estar envolvido em um processo de progresso, de
crescimento. Às vezes um reacionário serve de avanço.”
Diário de Pernambuco – via Agência Estado
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